04/09/2004
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11h31
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse hoje que os terroristas internacionais declararam "uma guerra em larga escala" contra a Rússia e que, devido ao colapso da União Soviética, o país estava enfraquecido e incapaz de reagir efetivamente.
As declarações vieram depois que ao menos 322 pessoas, entre elas 155 crianças, morreram no desfecho da invasão de uma escola por terroristas separatistas em Beslan, na Ossétia do Norte, sudoeste da Rússia. Os terroristas exigiam a retirada das tropas russas da Tchetchênia.
Para o presidente russo, as fronteiras do país estão "porosas e desprotegidas" e que a corrupção impregnou as agências de manutenção da lei. Putin pediu ao país que se mobilize contra o que chamou de "perigo comum" do terrorismo.
"Nós não temos entendido a complexidade e o perigo dos processos que se desenvolvem em nosso país e no mundo inteiro", disse Putin. "Não temos sabido reagir de maneira apropriada. Temos demonstrado debilidade e os fracos sempre perdem."
A tragédia
Na sexta-feira, forças de segurança russas invadiram a escola para tentar resgatar os reféns, mantidos sob a mira de armas e bombas por terroristas que exigiam a saida das tropas russas da Tchetchênia.
Mais de 1.200 pessoas --entre crianças, pais e professores-- estavam em poder de terroristas desde quarta-feira.
"O número de vítimas pode aumentar", disse o vice-procurador geral da Rússia, Serguei Fridinski.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou hoje à cidade de Beslan, na Ossétia do Norte. Ele condenou o ataque e afirmou que atentados desse tipo tentam estimular o conflito étnico na região do Cáucaso.
Na ação de resgate, forças russas mataram ao menos 32 seqüestradores, segundo a agência de notícias russa Interfax --ao menos dez terroristas seriam de origem árabe, de acordo com o FSB-- e três foram capturados vivos. Há suspeitas de que a Al Qaeda [de Osama bin Laden] teria financiado a operação terrorista.
O confronto já é um dos mais sangrentos da história russa.
Neste sábado, grupos de resgate trabalhavam com dificuldade no ginásio da escola porque o local está cheio de explosivos. Isso impede a retirada dos corpos de muitas vítimas.
Os meios de comunicação afirmam que há corpos e restos de cadáveres ainda dentro do ginásio que não foram contados e que sua identificação pode ser difícil.
Segundo o chefe do FSB (Serviço Federal de Segurança) da Ossétia do Norte, Valery Andreyev, armas e munições foram postas previamente dentro da escola.
70% de crianças
O número oficial de mortos e feridos deverá ficar incerto por várias horas ou mesmo dias. Isso porque, assim como aconteceu na invasão do teatro em Moscou em outubro de 2002, as autoridades russas não costumam dar informações precisas sobre o número de mortos --na ocasião, 129 reféns morreram no teatro, mas os números iniciais apontavam entre cinco e dez.
Invasão
Segundo o chefe do FSB, a intervenção das forças especiais russas na escola de Beslan não estava planejada. Com a invasão, os rebeldes teriam explodido bombas colocadas em um ginásio em que os reféns estavam.
A invasão da escola russa aconteceu um dia depois de o presidente Vladimir Putin ter afirmado que buscava uma solução pacífica para o impasse e que a prioridade do governo era "salvar vidas".
Segundo o comitê de crise do governo russo, as forças especiais tiveram de entrar em ação no momento em que um primeiro grupo de cerca de 40 mulheres e crianças conseguiu fugir e alguns terroristas começaram a disparar.
Imagens de televisão mostravam mulheres e crianças, algumas feridas, que eram levadas em ambulâncias, enquanto helicópteros das forças russas sobrevoavam a escola. Moradores de Beslan teriam abrigado alguns dos reféns que fugiam.
Terror
Logo após a captura dos reféns, o grupo armado ameaçou matar 50 crianças para cada combatente morto e 20 para cada combatente ferido. O FSB disse que o grupo era formado por 17 pessoas (homens e mulheres) e que algumas delas estariam usando cintos com explosivos.
O grupo exigia, além da libertação de presos envolvidos em atividades terroristas na Inguchétia, que as tropas russas fossem retiradas da Tchetchênia e o fim das ações militares nesta república, segundo informou Aslanbek Aslakhanov, assessor do presidente Putin.
Foi a terceira ação terrorista ocorrida na rússia em pouco menos de duas semanas. Na terça-feira, dez pessoas morreram e 51 ficaram feridas em um ataque perto de uma estação de metrô no centro de Moscou.
O grupo islâmico Brigadas Islambouli [supostamente ligado à Al Qaeda] assumiu a responsabilidade pelo atentado, segundo um comunicado divulgado em um site na internet. A explosão ocorreu uma semana após dois aviões caírem no sul de Moscou, matando todas as 89 pessoas que estavam a bordo, o que foi classificado como "ato terrorista".
As autoridades russas disseram ter achado o mesmo explosivo nos escombros dos aviões e duas mulheres tchetchenas foram consideradas suspeitas. O mesmo grupo, Brigadas Islambouli, reivindicou o "seqüestro" dos aviões.
Com agências internacionais
Especial
Entenda o caso dos reféns mantidos na escola russa
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Veja cronologia das principais capturas de reféns na Rússia
Veja fotos de escola invadida por terroristas na Ossétia do Norte
Terroristas declararam "guerra", diz Putin; mortos em escola passam de 320
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da Folha OnlineO presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse hoje que os terroristas internacionais declararam "uma guerra em larga escala" contra a Rússia e que, devido ao colapso da União Soviética, o país estava enfraquecido e incapaz de reagir efetivamente.
As declarações vieram depois que ao menos 322 pessoas, entre elas 155 crianças, morreram no desfecho da invasão de uma escola por terroristas separatistas em Beslan, na Ossétia do Norte, sudoeste da Rússia. Os terroristas exigiam a retirada das tropas russas da Tchetchênia.
Para o presidente russo, as fronteiras do país estão "porosas e desprotegidas" e que a corrupção impregnou as agências de manutenção da lei. Putin pediu ao país que se mobilize contra o que chamou de "perigo comum" do terrorismo.
"Nós não temos entendido a complexidade e o perigo dos processos que se desenvolvem em nosso país e no mundo inteiro", disse Putin. "Não temos sabido reagir de maneira apropriada. Temos demonstrado debilidade e os fracos sempre perdem."
A tragédia
Na sexta-feira, forças de segurança russas invadiram a escola para tentar resgatar os reféns, mantidos sob a mira de armas e bombas por terroristas que exigiam a saida das tropas russas da Tchetchênia.
Mais de 1.200 pessoas --entre crianças, pais e professores-- estavam em poder de terroristas desde quarta-feira.
"O número de vítimas pode aumentar", disse o vice-procurador geral da Rússia, Serguei Fridinski.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou hoje à cidade de Beslan, na Ossétia do Norte. Ele condenou o ataque e afirmou que atentados desse tipo tentam estimular o conflito étnico na região do Cáucaso.
Na ação de resgate, forças russas mataram ao menos 32 seqüestradores, segundo a agência de notícias russa Interfax --ao menos dez terroristas seriam de origem árabe, de acordo com o FSB-- e três foram capturados vivos. Há suspeitas de que a Al Qaeda [de Osama bin Laden] teria financiado a operação terrorista.
O confronto já é um dos mais sangrentos da história russa.
Neste sábado, grupos de resgate trabalhavam com dificuldade no ginásio da escola porque o local está cheio de explosivos. Isso impede a retirada dos corpos de muitas vítimas.
Os meios de comunicação afirmam que há corpos e restos de cadáveres ainda dentro do ginásio que não foram contados e que sua identificação pode ser difícil.
Segundo o chefe do FSB (Serviço Federal de Segurança) da Ossétia do Norte, Valery Andreyev, armas e munições foram postas previamente dentro da escola.
70% de crianças
O número oficial de mortos e feridos deverá ficar incerto por várias horas ou mesmo dias. Isso porque, assim como aconteceu na invasão do teatro em Moscou em outubro de 2002, as autoridades russas não costumam dar informações precisas sobre o número de mortos --na ocasião, 129 reféns morreram no teatro, mas os números iniciais apontavam entre cinco e dez.
Invasão
Segundo o chefe do FSB, a intervenção das forças especiais russas na escola de Beslan não estava planejada. Com a invasão, os rebeldes teriam explodido bombas colocadas em um ginásio em que os reféns estavam.
A invasão da escola russa aconteceu um dia depois de o presidente Vladimir Putin ter afirmado que buscava uma solução pacífica para o impasse e que a prioridade do governo era "salvar vidas".Segundo o comitê de crise do governo russo, as forças especiais tiveram de entrar em ação no momento em que um primeiro grupo de cerca de 40 mulheres e crianças conseguiu fugir e alguns terroristas começaram a disparar.
Imagens de televisão mostravam mulheres e crianças, algumas feridas, que eram levadas em ambulâncias, enquanto helicópteros das forças russas sobrevoavam a escola. Moradores de Beslan teriam abrigado alguns dos reféns que fugiam.
Terror
Logo após a captura dos reféns, o grupo armado ameaçou matar 50 crianças para cada combatente morto e 20 para cada combatente ferido. O FSB disse que o grupo era formado por 17 pessoas (homens e mulheres) e que algumas delas estariam usando cintos com explosivos.
O grupo exigia, além da libertação de presos envolvidos em atividades terroristas na Inguchétia, que as tropas russas fossem retiradas da Tchetchênia e o fim das ações militares nesta república, segundo informou Aslanbek Aslakhanov, assessor do presidente Putin.
Foi a terceira ação terrorista ocorrida na rússia em pouco menos de duas semanas. Na terça-feira, dez pessoas morreram e 51 ficaram feridas em um ataque perto de uma estação de metrô no centro de Moscou.
O grupo islâmico Brigadas Islambouli [supostamente ligado à Al Qaeda] assumiu a responsabilidade pelo atentado, segundo um comunicado divulgado em um site na internet. A explosão ocorreu uma semana após dois aviões caírem no sul de Moscou, matando todas as 89 pessoas que estavam a bordo, o que foi classificado como "ato terrorista".
As autoridades russas disseram ter achado o mesmo explosivo nos escombros dos aviões e duas mulheres tchetchenas foram consideradas suspeitas. O mesmo grupo, Brigadas Islambouli, reivindicou o "seqüestro" dos aviões.
Com agências internacionais
Especial

