Mundo
03/11/2004 - 17h39

Reeleito, Bush tentará "empurrar" plano do Quarteto, diz especialista

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BIANCA KESTENBAUM BANAI
especial para a Folha Online, em Tel Aviv

O presidente americano George W. Bush, 58, reeleito nesta quarta-feira, não deverá fazer mudanças na política do Oriente Médio nem em relação ao apoio a Israel, prevê o especialista israelense Shmuel Sandler, 57, professor de ciências políticas e diretor do curso de Democracia e Civilização da Universidade Bar-Ilan, em Israel.

Para Sandler, Bush tentará "empurrar" o plano de paz internacional do Quarteto [elaborado por EUA, Rússia, União Européia e Nações Unidas] para resolver a crise israelo-palestina. "É o 'baby' de Bush", diz.

Em entrevista à Folha Online, Sandler explica que neste segundo mandato, Bush se preocupará menos com a população americana --já que não haverá um terceiro mandato-, mas centralizará seus esforços em realizar grandes feitos para marcar seu nome na história.

"Não acredito em mudanças radicais, mas Bush tentará colocar em prática o plano de paz internacional do Quarteto [elaborado por EUA, Rússia, União Européia e Nações Unidas], que não foi esquecido por ele", afirma.

Leia a seguir entrevista concedida com exclusividade à Folha Online.

Folha Online - O senhor acha que o presidente Bush fará modificações na política para o Oriente Médio no seu segundo mandato?

Sandler - É difícil saber, já que ele está menos dependente das eleições. Ele não concorrerá a um terceiro mandato. Eu também não penso que o apoio de Bush a Israel vem do voto judeu, que não foi em número significativo. O que é importante neste caso é o voto evangélico, que é pró-Israel e temos que aprender com isso.

De qualquer forma, uma mudança na política do Oriente Médio dependerá dos membros de seu governo também. Há uma série de rumores que serão feitas mudanças no seus assessores, conselheiros e ministros.

Folha Online - Apesar de todo o apoio que ele deu a Israel e ao governo de Ariel Sharon [premiê israelense], não houve uma resposta por parte da comunidade judaica norte-americana?

Sandler - Ele realmente não teve um apoio grande dos judeus, nem contava com isto. A vitória dele se deve em grande parte aos evangélicos. Tradicionalmente, os judeus votam nos democratas.

Folha Online - O senhor prevê mudança na política externa do governo Bush?

Sandler - Ele deverá continuar na luta contra o terror e na influência na política do Oriente Médio, como parceiro de Israel. Bush não deverá mudar sua opinião nem seu apoio quanto ao plano israelense de retirada de Gaza.

É importante frisar que Bush se preocupará com seu lugar na história. Agora, ele não tem mais que pensar numa futura reeleição e se concentrará em marcar sua passagem na história mundial. Por este motivo, ele, provavelmente, vai tentar "empurrar" o plano do Quarteto.

Folha Online - Este plano ainda pode ser considerado atual?

Sandler - Para ele sim. É o "baby" de Bush.

Folha Online - Na opinião do sr., qual foi o ponto principal para a derrota do candidato democrata John Kerry? Tem algo na personalidade do democrata que os americanos não gostam?

Sandler - Não dá para culpar Kerry pela derrota. Foi mais a vitória de Bush do que a derrota de Kerry. Nem estava sendo prevista esta vitória, segunda as pesquisas. Foi um grande furo. Como pode ter acontecido que todas as pesquisas davam empate e no final tem uma diferença de mais de 3 milhões de votos a favor de Bush?

Folha Online - Então qual foi o motivo para este grande apoio ao presidente Bush?

Sandler - Por um lado, é por causa da guerra ao terror, além de uma tendência conservadora que existe no povo americano.

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