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08/12/2004 - 11h12

Leia a cronologia dos principais fatos da eleição ucraniana

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da Folha Online

A Suprema Corte ucraniana declarou na sexta-feira (3) inválido o resultado da eleição presidencial realizada em 21 de novembro, abalada por acusações de fraude, e que deu vitória ao primeiro-ministro ucraniano, Viktor Yanukovich, 54.

A denúncia de fraude foi feita pelo líder da oposição e candidato derrotado em 21 de novembro, Viktor Yushchenko, 50. O comitê eleitoral declarou haver 1 milhão de votos falsificados.

A nova eleição, com turno único, acontecerá em três semanas, no dia 26 de dezembro.

Saiba quais foram os principais fatos que marcaram a eleição que gerou uma crise na Ucrânia:

8 de dezembro- O Parlamento da Ucrânia aprova as leis para inibir novas fraudes na próxima eleição, e limita os poderes do presidente.

7 de dezembro- Kuchma aprova a saída do premiê Yanukovich e nomeia o ministro das Finanças, Mykola Azarov, como primeiro-ministro interino. Yanukovich se retirou do cargo para fazer a campanha política da eleição de 26 de dezembro.

6 de dezembro- Outra reunião entre o presidente da Ucrânia, líderes da oposição e o primeiro-ministro é realizada em Kiev, com mediação do comissário de política externa da União Européia, Javier Solana. Ao final do encontro, Kuchma declara que oposição e governo chegaram a um acordo. Mais tarde, no mesmo dia, o presidente emite um comunicado negando o resultado positivo do encontro.

5 de dezembro- Em Kiev, capital ucraniana, milhares de pessoas protestam contra o Parlamento que não conseguiu aprovar nenhuma medida necessária para a realização da eleição, em uma sessão de emergência do dia anterior, sábado (4). Na Rússia, manifestantes pró e contra Yushchenko saem às ruas.

4 de dezembro- O Parlamento ucraniano se reúne em sessão de emergência para votar novas leis com o objetivo de evitar irregularidades e reduzir os poderes do presidente, antes da nova eleição, prevista para o dia 26 de dezembro. Por conta de discordâncias que levam o Parlamento a um racha, nenhuma lei é aprovada, e outra votação é agendada para o dia 14 de dezembro.

3 de dezembro- A Suprema Corte da Ucrânia declara inválido o resultado obtido no segundo turno da eleição presidencial, que deu vitória a Yanukovich.

Centenas de milhares de manifestantes se concentram na praça da capital Kiev para festejar a vitória da oposição, liderada por Yushchenko[candidato derrotado], que acusou a existência de fraudes durante a votação.

2 de dezembro- Kuchma tem um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou. Putin critica duramente a oposição, que exigia a realização de um segundo turno, e o envolvimento da UE (União Européia) e dos Estados Unidos na crise.

No mesmo dia, o presidente George W. Bush diz que uma nova eleição deve ser realizada, sem a interferência externa.

Yushchenko, por sua vez, afirma que partidários da oposição iriam "tomar as ações necessárias" caso a Suprema Corte não aprovasse a realização de um outro segundo turno.

1 de dezembro- O Parlamento ucraniano aprova uma moção de não-confiança a Yanukovich, que se recusa a deixar o cargo de primeiro-ministro. Yushchenko pede para que a realização de um novo segundo turno seja feita até 19 de dezembro.

30 de novembro- Partidários da oposição se negam a continuar as negociações, realizadas por mediadores europeus. Manifestantes tentam invadir o Parlamento enquanto os deputados votam pela primeira vez a moção de não-confiança. Yanukovich disse aceitar a realização de uma nova eleição apenas se Yushchenko desistisse de sua candidatura.

29 de novembro- A Suprema Corte da Ucrânia inicia a análise das denúncias de fraude, feitas por Mykola Katerinchuk, partidário do líder oposicionista. Kuchma propõe a realização de novas eleições.

28 de novembro- Autoridades da região de Donetsk [leste], onde Yanukovich teve votação expressiva, afirmam que vão realizar um referendo para decidir sobre sua autonomia. Kuchma pede para que a oposição interrompa o bloqueio aos prédios públicos de Kiev.

27 de novembro- O Parlamento ucraniano declara a eleição inválida. Representantes de Yanukovich e Yushchenko se encontram para negociações. Líderes da UE dizem que a única saída para a crise é a realização de uma nova eleição presidencial.

26 de novembro- Kuchma, Yanukovich e Yushchenko se reúnem com mediadores internacionais. Partidários da oposição bloqueiam a entrada do prédio do gabinete, onde Yanukovich trabalha, e não deixam nenhum funcionário entrar.

25 de novembro- Yushchenko faz um apelo à Suprema Corte para cancelar oficialmente o resultado do segundo turno da eleição. A Corte concorda em atrasar a divulgação do resultado oficial. A UE exige que uma solução pacífica seja dada ao impasse.

24 de novembro- Líderes da oposição pedem para que a população faça uma greve geral. O governo americano declara que não reconhece o resultado da eleição.

23 de novembro- Kuchma pede para que Yanukovich e Yushchenko se encontrem para iniciar as negociações sobre o resultado da eleição.

22 de novembro- Membros da Comissão Eleitoral declaram que Yanukovich venceu a eleição com 49,42% dos votos, contra 46,70% de seu rival, Yushchenko. Mais de 100 mil partidários do líder oposicionista vão às ruas e realizam uma grande manifestação em Kiev.

21 de novembro- Ucranianos votam no segundo turno da eleição. Resultados parciais mostram Yanukovich à frente de seu opositor, Yushchenko, que era considerado o favorito. Pesquisas de boca-de-urna realizadas por instituições européias dão ao líder da oposição uma vantagem de até 11 pontos percentuais.

1 de novembro- A OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa) afirma que o primeiro turno da eleição presidencial não atendeu às regras mínimas e sofreu várias irregularidades.

31 de outubro- É realizado o primeiro turno da eleição presidencial ucraniana.

Com agências internacionais

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