Mundo
23/01/2005 - 21h03

Família de brasileiro seqüestrado é orientada a manter silêncio

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da Folha Online

A família do engenheiro brasileiro João José Vasconcelos Jr., 49, foi orientada a manter o silêncio durante as eventuais negociações com o grupo rebelde que teria realizado o seqüestrado, disse à Folha Online Carla de Vasconcelos, irmã do engenheiro. Ele trabalhava no Iraque para a construtora Norberto Odebrecht quando desapareceu, na última quarta-feira.

Carla afirmou que a família só deverá falar a partir da tarde da segunda-feira, se julgar conveniente. "Infelizmente, não temos nada a acrescentar agora. Não há qualquer novidade e estamos aguardando o desenrolar do caso", disse.

Pela manhã, outra irmã do engenheiro, Isabel Cristina, afirmou que não havia negociações em andamento. "Nenhum contato foi feito, mas todas as possíveis ações estão sendo discutidas entre a família e a Odebrecht", afirmou em entrevista à Rede Globo.

Vasconcelos desapareceu na última quarta-feira, na cidade de Beiji (Iraque), onde trabalhava para a construtora. O carro onde estava foi atacado por rebeldes --o grupo Brigadas Mujahideen assumiu a autoria do seqüestro no sábado. Os dois funcionários da empresa britânica Janusian Security Risk Management, que estavam com ele no automóvel, morreram.

Segundo Isabel, seu irmão iria embora do Iraque e não tinha a intenção de voltar ao país. Vasconcelos, no entanto, não julgava perigosa sua estadia no local: por diversas vezes afirmou que o risco no Iraque era igual àquele que enfrentaria em qualquer lugar do mundo.

De acordo com a "BBC", a família recebeu a informação de que os seqüestradores demoram de três a quatro dias para fazer algum contato. Por isso, estariam esperando com esperanças de que, nesta segunda-feira, eles tivessem notícias do engenheiro.

Isabel Cristina se disse esperançosa e cita o caso divulgado ontem, em que um grupo rebelde iraquiano soltou oito reféns chineses. "Acreditamos na clemência de quem quer que esteja com meu irmão".

Silêncio

O mestre-de-obras Clóvis Danúbio de Azevedo, 57, também funcionário da Odebrecht, ficou cinco meses em poder do do grupo guerrilheiro ELN (Exército de Libertação Nacional) em 1997, na Colômbia.

Durante o seqüestro, a companhia, o Itamaraty e familiares firmaram um pacto de não divulgar informações sem a solução do caso.

"Desde o primeiro contato com a empresa em Bogotá, saímos com a orientação de sermos discretos, pois os grupos se alimentam da repercussão", disse à Folha de S.Paulo Marcelo Azevedo, 34, filho do mestre-de-obras. O caso só foi noticiado um mês após o desaparecimento de Azevedo.

Marcelo conta que, durante os cerca de 170 dias de seqüestro, a empresa manteve uma assistente social e uma psicóloga acompanhando a família.

Com agências internacionais

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