16/06/2005
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18h33
A jornalista Carolina Vila-Nova, 29, do caderno Mundo da Folha, diz acreditar que a situação atual da Bolívia é certamente uma crise que terá impacto para muitos países da região, a começar pelo Brasil, que depende do gás boliviano. " É uma crise de longo prazo, que apenas está em trégua."
As afirmações foram feitas durante bate-papo da Folha no UOL com a jornalista, que viajou à Bolívia para cobrir a crise em torno da Lei de Hidrocarbonetos [exploração de gás e petróleo] que desencadeou a renúncia do presidente Carlos Mesa e levou à chefia do governo Eduardo Rodríguez, 49, presidente da Suprema Corte --terceiro na linha sucessória do país.
Segundo o UOL, 324 pessoas participaram do bate-papo com a jornalista.
Questionada por uma internauta, que se apresentou como Isis, a respeito da possibilidade de o novo presidente da Bolívia, Eduardo Rodríguez, ter força para conter os calorosos protestos que milhares de bolivianos fazem pela nacionalização dos hidrocarbonetos, a jornalista respondeu que não.
"É um presidente provisório e cuja principal atribuição vai ser convocar eleições. As demais questões, como a nacionalização, vão ser deixadas para depois do pleito."
Vila-Nova elogiou a cobertura da crise na Bolívia pelos jornais brasileiros, dizendo que os jornais estão começando a priorizar a cobertura sobre a América Latina, talvez até seguindo a política adotada pelo governo Lula [Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil], que busca uma atuação influente nessa região.
Recepção
Outro internauta, de codinome Bolívar, perguntou à jornalista sobre a recepção dada a ela pelos bolivianos durante a cobertura.
"Fui super bem tratada na Bolívia. Mas, no clima atual de tensão, senti um rechaço pelo estrangeiro de modo geral, e em especial pelos estrangeiros que têm multinacionais lá. Há uma simpatia pelo Lula, pelo fato de ser um trabalhador que chegou à Presidência, mas ao mesmo tempo o Brasil é visto como um empecilho à nacionalização", disse Vila-Nova.
Durante o bate-papo, os participantes também perguntaram à jornalista por que um país tão rico em recursos naturais, como a Bolívia, vive um momento tão delicado? Na opinião de Vila-Nova, a questão, para os bolivianos, é saber quem são os donos desses recursos naturais, se o Estado ou as multinacionais, acrescentando que a população não vê o Estado como um aliado, como um representante de suas reivindicações.
Autonomia
A respeito da luta por autonomia política e econômica travada por alguns departamentos (Estados) bolivianos, a jornalista disse que essa disputa promete ser uma dor de cabeça para o presidente Rodríguez.
"Todos os pontos da agenda, incluindo a autonomia, devem ser adiados para depois das eleições. O problema é que o departamento de Santa Cruz está insistindo em realizar o plebiscito sobre as autonomias e a eleição para escolher prefeitos no dia 12 de agosto, possivelmente passando por cima de um acordo de trégua com o Rodríguez."
Carolina Vila-Nova trabalha há cinco anos na Folha. Foi correspondente-bolsista em Buenos Aires entre novembro de 2003 e maio do ano passado. Na ocasião, cobriu o início da renegociação da dívida argentina, em moratória desde 2001.
Trabalhou de 2000 a 2003 na Sucursal de Brasília do jornal, quando se dedicou à publicação "De Olho no Congresso", que avalia anualmente o desempenho dos deputados e senadores.
Jornalista de formação, Vila-Nova fez mestrado em política latino-americana no Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Londres, entre 2001 e 2002.
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da Folha OnlineA jornalista Carolina Vila-Nova, 29, do caderno Mundo da Folha, diz acreditar que a situação atual da Bolívia é certamente uma crise que terá impacto para muitos países da região, a começar pelo Brasil, que depende do gás boliviano. " É uma crise de longo prazo, que apenas está em trégua."
As afirmações foram feitas durante bate-papo da Folha no UOL com a jornalista, que viajou à Bolívia para cobrir a crise em torno da Lei de Hidrocarbonetos [exploração de gás e petróleo] que desencadeou a renúncia do presidente Carlos Mesa e levou à chefia do governo Eduardo Rodríguez, 49, presidente da Suprema Corte --terceiro na linha sucessória do país.
Segundo o UOL, 324 pessoas participaram do bate-papo com a jornalista.
Questionada por uma internauta, que se apresentou como Isis, a respeito da possibilidade de o novo presidente da Bolívia, Eduardo Rodríguez, ter força para conter os calorosos protestos que milhares de bolivianos fazem pela nacionalização dos hidrocarbonetos, a jornalista respondeu que não.
"É um presidente provisório e cuja principal atribuição vai ser convocar eleições. As demais questões, como a nacionalização, vão ser deixadas para depois do pleito."
Vila-Nova elogiou a cobertura da crise na Bolívia pelos jornais brasileiros, dizendo que os jornais estão começando a priorizar a cobertura sobre a América Latina, talvez até seguindo a política adotada pelo governo Lula [Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil], que busca uma atuação influente nessa região.
Recepção
Outro internauta, de codinome Bolívar, perguntou à jornalista sobre a recepção dada a ela pelos bolivianos durante a cobertura.
"Fui super bem tratada na Bolívia. Mas, no clima atual de tensão, senti um rechaço pelo estrangeiro de modo geral, e em especial pelos estrangeiros que têm multinacionais lá. Há uma simpatia pelo Lula, pelo fato de ser um trabalhador que chegou à Presidência, mas ao mesmo tempo o Brasil é visto como um empecilho à nacionalização", disse Vila-Nova.
Durante o bate-papo, os participantes também perguntaram à jornalista por que um país tão rico em recursos naturais, como a Bolívia, vive um momento tão delicado? Na opinião de Vila-Nova, a questão, para os bolivianos, é saber quem são os donos desses recursos naturais, se o Estado ou as multinacionais, acrescentando que a população não vê o Estado como um aliado, como um representante de suas reivindicações.
Autonomia
A respeito da luta por autonomia política e econômica travada por alguns departamentos (Estados) bolivianos, a jornalista disse que essa disputa promete ser uma dor de cabeça para o presidente Rodríguez.
"Todos os pontos da agenda, incluindo a autonomia, devem ser adiados para depois das eleições. O problema é que o departamento de Santa Cruz está insistindo em realizar o plebiscito sobre as autonomias e a eleição para escolher prefeitos no dia 12 de agosto, possivelmente passando por cima de um acordo de trégua com o Rodríguez."
Carolina Vila-Nova trabalha há cinco anos na Folha. Foi correspondente-bolsista em Buenos Aires entre novembro de 2003 e maio do ano passado. Na ocasião, cobriu o início da renegociação da dívida argentina, em moratória desde 2001.
Trabalhou de 2000 a 2003 na Sucursal de Brasília do jornal, quando se dedicou à publicação "De Olho no Congresso", que avalia anualmente o desempenho dos deputados e senadores.
Jornalista de formação, Vila-Nova fez mestrado em política latino-americana no Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Londres, entre 2001 e 2002.
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