25/07/2005
-
21h06
O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, negou que o visto do brasileiro Jean Charles de Menezes, 27, morto na sexta-feira (22) pela polícia britânica, estivesse vencido. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa realizada em Londres nesta segunda-feira.
A informação de que o visto de Menezes estava vencido foi divulgada na manhã desta segunda-feira pela rede britânica BBC, que citava fontes não-identificadas do governo britânico. O ministro britânico das Relações Exteriores, Jack Straw, que participou da coletiva com Amorim, também desmentiu a informação sobre o visto.
Mais cedo, a comissão independente de investigações da polícia britânica já havia anunciado que o visto de Menezes estava válido.
O ministro britânico das Relações Exteriores, Jack Straw, que também participou da coletiva, prometeu atender de forma "rápida" e "compreensiva" o pedido de compensação financeira feito pela família ao governo britânico.
Apesar de mencionar o pagamento do benefício, Straw não esclareceu quando ou como o pagamento deve ser feito.
Straw também pediu desculpas pela morte do brasileiro, e informou que a liberação do corpo deve ocorrer "logo", apesar de estar vinculada à investigação da comissão independente.
Morte
O eletricista brasileiro, que morava em Londres, foi morto por policiais britânicos ao ser confundido com um terrorista na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres). Segundo as investigações da comissão da polícia britânica, o brasileiro foi morto com oito tiros --sete na cabeça, e um no ombro.
Testemunhas tinham dito previamente que Menezes fora atingido por cinco disparos na cabeça.
Menezes saiu de sua casa no bairro de Brixton na sexta-feira (22), e foi de ônibus até a estação de metrô Stockwell. Lá, ele foi abordado pela polícia britânica, que deu ordem de prisão ao eletricista.
Segundo testemunhas, o brasileiro teria corrido dos policiais, e chegou até mesmo a saltar as catracas do metrô durante a fuga, quando foi perseguido por cerca de 20 policiais à paisana.
Ainda de acordo com o depoimento de testemunhas, ele entrou assustado no vagão de metrô da linha Northern, onde foi imobilizado pela polícia, e morto.
Ação
A família de Menezes recebeu na noite deste domingo a visita da célebre advogada de direitos humanos Gareth Pierce, que defendeu recentemente britânicos que estão na prisão americana na baía de Guantánamo (Cuba). Ainda não está claro se ela vai representar a família de Menezes em uma eventual ação contra o Reino Unido.
Amorim afirmou que "algum tipo de compensação seria importante, porque a família [de Menezes] é humilde".
Alex Pereira, 28, primo de Menezes, afirmou nesta segunda-feira que a polícia "tem que pagar" pelo que fez.
"Eles têm que pagar por essa atitude, senão, vão matar mais gente, vão matar milhares de pessoas. Eles mataram a primeira pessoa que viram, isso é o que fizeram", afirmou Pereira, que mora em Londres. "Mataram meu primo, podem matar qualquer um", disse.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmou nesta segunda-feira que lamenta "desesperadamente" a morte, e afirmou que a polícia está trabalhando sob circunstâncias "muito difíceis".
Desde de os quatro atentados ocorridos no último dia 7 em Londres, que deixaram 52 mortos --além dos quatro suicidas autores da ação-- a polícia londrina teve permissão de "atirar para matar" em qualquer suspeito de atividades terroristas.
Polícia
O comissário-chefe da polícia britânica, Ian Blair, lamentou a morte do brasileiro em declaração à imprensa neste domingo, mas afirmou que a política de "atirar para matar" vai continuar a ser utilizada no combate ao terrorismo.
"A polícia metropolitana assume totalmente a responsabilidade por isso. À família, só posso expressar meus mais profundos sentimentos", acrescentou o chefe de polícia.
Blair defendeu a atitude dos agentes de "atirar para matar". "Não faz sentido atirar contra o peito de alguém neste caso, já que os explosivos poderiam estar escondidos justamente nesta parte do corpo e seriam detonados", disse ele, que também afirmou que nada muda na política da polícia.
Com agências internacionais
Leia mais
Polícia diz que mais uma bomba foi achada em Londres após ataques
Blair diz que "lamenta" morte de brasileiro em Londres
Especial
Leia cobertura completa sobre os ataques em Londres
Leia o que já foi publicado sobre atentados na Europa
Visto de brasileiro morto em Londres era válido, diz Amorim
Publicidade
da Folha OnlineO ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, negou que o visto do brasileiro Jean Charles de Menezes, 27, morto na sexta-feira (22) pela polícia britânica, estivesse vencido. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa realizada em Londres nesta segunda-feira.
A informação de que o visto de Menezes estava vencido foi divulgada na manhã desta segunda-feira pela rede britânica BBC, que citava fontes não-identificadas do governo britânico. O ministro britânico das Relações Exteriores, Jack Straw, que participou da coletiva com Amorim, também desmentiu a informação sobre o visto.
Mais cedo, a comissão independente de investigações da polícia britânica já havia anunciado que o visto de Menezes estava válido.
O ministro britânico das Relações Exteriores, Jack Straw, que também participou da coletiva, prometeu atender de forma "rápida" e "compreensiva" o pedido de compensação financeira feito pela família ao governo britânico.
Apesar de mencionar o pagamento do benefício, Straw não esclareceu quando ou como o pagamento deve ser feito.
Straw também pediu desculpas pela morte do brasileiro, e informou que a liberação do corpo deve ocorrer "logo", apesar de estar vinculada à investigação da comissão independente.
Morte
O eletricista brasileiro, que morava em Londres, foi morto por policiais britânicos ao ser confundido com um terrorista na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres). Segundo as investigações da comissão da polícia britânica, o brasileiro foi morto com oito tiros --sete na cabeça, e um no ombro.
Testemunhas tinham dito previamente que Menezes fora atingido por cinco disparos na cabeça.
| Acervo pessoal |
![]() |
| Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica |
Segundo testemunhas, o brasileiro teria corrido dos policiais, e chegou até mesmo a saltar as catracas do metrô durante a fuga, quando foi perseguido por cerca de 20 policiais à paisana.
Ainda de acordo com o depoimento de testemunhas, ele entrou assustado no vagão de metrô da linha Northern, onde foi imobilizado pela polícia, e morto.
Ação
A família de Menezes recebeu na noite deste domingo a visita da célebre advogada de direitos humanos Gareth Pierce, que defendeu recentemente britânicos que estão na prisão americana na baía de Guantánamo (Cuba). Ainda não está claro se ela vai representar a família de Menezes em uma eventual ação contra o Reino Unido.
Amorim afirmou que "algum tipo de compensação seria importante, porque a família [de Menezes] é humilde".
Alex Pereira, 28, primo de Menezes, afirmou nesta segunda-feira que a polícia "tem que pagar" pelo que fez.
"Eles têm que pagar por essa atitude, senão, vão matar mais gente, vão matar milhares de pessoas. Eles mataram a primeira pessoa que viram, isso é o que fizeram", afirmou Pereira, que mora em Londres. "Mataram meu primo, podem matar qualquer um", disse.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmou nesta segunda-feira que lamenta "desesperadamente" a morte, e afirmou que a polícia está trabalhando sob circunstâncias "muito difíceis".
Desde de os quatro atentados ocorridos no último dia 7 em Londres, que deixaram 52 mortos --além dos quatro suicidas autores da ação-- a polícia londrina teve permissão de "atirar para matar" em qualquer suspeito de atividades terroristas.
Polícia
O comissário-chefe da polícia britânica, Ian Blair, lamentou a morte do brasileiro em declaração à imprensa neste domingo, mas afirmou que a política de "atirar para matar" vai continuar a ser utilizada no combate ao terrorismo.
"A polícia metropolitana assume totalmente a responsabilidade por isso. À família, só posso expressar meus mais profundos sentimentos", acrescentou o chefe de polícia.
Blair defendeu a atitude dos agentes de "atirar para matar". "Não faz sentido atirar contra o peito de alguém neste caso, já que os explosivos poderiam estar escondidos justamente nesta parte do corpo e seriam detonados", disse ele, que também afirmou que nada muda na política da polícia.
Com agências internacionais
Leia mais
Especial



