Mundo
28/07/2005 - 20h25

Sharon diz que existe chance real de criação de Estado palestino

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da EFE

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, afirmou nesta quinta-feira na França que existe atualmente uma oportunidade real para a criação de um Estado palestino.

Sharon pediu ao governo francês que convença os palestinos a avançar nas negociações sobre o processo de paz e a lutar contra o terrorismo.

"Se o terrorismo continuar não haverá Estado palestino, e é uma pena porque agora verdadeiramente há uma chance" de implementar o "Mapa da Paz" --plano de paz elaborado pelo Quarteto (Estados Unidos, União Européia, ONU e Rússia)-- disse Sharon ao canal de televisão France 2.

Sharon-- que encerra na sexta a visita oficial de quatro dias à França para reforçar as relações bilaterais-- disse que Paris precisa "convencer os palestinos de que é preciso avançar nas negociações e lutar contra o terrorismo".

"São palavras claras que podemos esperar da parte dos franceses e que podem fazer avançar o processo de paz", afirmou Sharon em outra entrevista, ao canal TF1.

No entanto, se depois da retirada israelense da faixa de Gaza--que deve começar no dia 15 de agosto-- "o terrorismo continuar, o "Mapa da Paz" não será colocado na mesa de negociações e não será debatido", ressaltou Sharon. "O terrorismo deve parar totalmente".

"Estarei disposto a fazer compromissos e concessões dolorosas, mas no que diz respeito à segurança não haverá nenhuma concessão, nem hoje nem no futuro", declarou o premier israelense na entrevista ao canal France 2.

Ao TF1, Sharon assegurou que a retirada de Gaza, que "não é objetivo estratégico para Israel", será realizada nos prazos previstos, e disse estar "disposto a fazer concessões igualmente dolorosas no que diz respeito à Cisjordânia".

"É algo que poderemos discutir com os palestinos nos últimos estágios da negociação", afirmou. No entanto, Sharon foi taxativo ao dizer que "os lugares que têm importância histórica para os judeus continuarão nas mãos de Israel".

"O plano de retirada total é único e só há um": o da faixa de Gaza, disse o primeiro-ministro ao France 2.

Dificuldade

Sharon afirmou que a retirada da faixa de Gaza é "um plano muito duro" e possivelmente "a decisão mais dolorosa" que já deve que tomar.

Mas "tendo participado de todas as guerras de Israel", Sharon disse que chegara à "conclusão de que é preciso fazer um esforço para tentar mudar a situação".

Por isso, insistiu, em uma terceira entrevista, ao canal France 3, que depois da retirada de Gaza "não haverá nenhuma razão para que as organizações terroristas palestinas ajam contra Israel".

O primeiro-ministro israelense acusou a Síria de "continuar sendo o quartel-general das organizações terroristas mais perigosas: o Hamas e o Hizbollah".

"As ordens são dadas de lá, os treinamentos (desses grupos) são feitos em seu território e (os sírios) não desistiram de controlar o Líbano, onde ainda restam agentes da segurança síria e guardas da revolução iraniana", garantiu Sharon ao canal France 2.

O premiê afirmou que "o Hizbollah deve ser desarmado", pois "é impossível que o sistema democrático libanês tenha em seu seio uma organização armada que continua sendo emissária da Síria e do Irã".

Com relação ao Irã, Sharon se mostrou convencido de que os atuais esforços diplomáticos para tentar fazer com que Teerã abandone seus planos nucleares fracassarão e que o Conselho de Segurança da ONU terá que tomar as rédeas do assunto e adotar sanções contra o regime dos aiatolás.

"O armamento nuclear iraniano seria um perigo não apenas para Israel, mas também para o equilíbrio da região e da Europa", afirmou.

Com agências internacionais

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