Mundo
28/07/2005 - 21h12

Prima nega que brasileiro usasse casaco de frio no dia da morte

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da Folha Online

O brasileiro Jean Charles de Menezes, 27, morto por engano por policiais britânicos em uma estação de metrô de Londres após ser confundido com um terrorsiat, não usava casacos pesados de frio, que poderiam esconder uma bomba, no dia de sua morte, afirmou sua prima nesta quarta-feira.

Em uma conferência de imprensa após reunião com a polícia metropolitana, Vivian Figueiredo, 22, afirmou que os primeiros relatos das circunstâncias da morte de Menezes estavam errados.

"Ele não usava um casaco pesado de inverno, ele estava de jaqueta jeans", afirmou Vivian. "Mas mesmo que ele estivesse de casaco, isso não seria desculpa para matá-lo", acrescentou.

A prima do brasileiro condenou a política de "atirar para matar" que levou à morte de Menezes e fez um apelo para que o crime de sua morte não fique impune.

"Meu primo era honesto e trabalhador", afirmou Vivian, que dividia um apartamento com Menezes em Tulse Hill, no sul de Londres. "Embora nós estejamos sob circunstâncias similares a uma guerra, não deveríamos estar matando pessoas injustamente."

Outra prima, Patricia da Silva Armani, 21, afirmou que Menezes estava no Reino Unido legalmente para trabalhar e estudar, e que não tinha motivos para temer a polícia."Um homem inocente foi morto como se fosse um terrorista", afirmou. "Um erro incrivelmente grave foi cometido pela polícia britânica.

Morte

Menezes foi morto com sete tiros na cabeça e um no ombro na última sexta-feira, após ser seguido depois de deixar o edifício onde morava, em Tulse Hill.

Inicialmente, a Scotland Yard afirmou que ele usava casacos de inverno que poderiam camuflar explosivos. No mesmo dia, o comissário-chefe da polícia britânica, Ian Blair, afirmou que a morte estava "diretamente ligada" às investigações dos ataques frustrados contra o sistema de transportes de Londres, no último dia 21.

No dia seguinte, Blair pediu desculpas quando detetives afirmaram que o homem morto era um eletricista brasileiro a caminho do trabalho, que não tinha ligação com as tentativas de ataques terroristas.

A comissão de investigações independente da polícia britânica deu início a um inquérito para apurar as circunstâncias da morte, que pode durar meses.

Corpo

O corpo do brasileiro chegou por volta das 13h desta quinta-feira em Gonzaga (MG), onde será velado e enterrado. Muitas pessoas aguardavam a chegada do corpo.

Faixas nas cores da bandeira do Brasil e outras com mensagens de solidariedade estão espalhadas pela cidade. Muitos comerciantes devem permanecer com as portas fechadas, em sinal de luto, segundo informações da prefeitura.

O velório é realizado na Igreja Matriz de São Sebastião, e o enterro está previsto para amanhã, às 15h.

Policiais militares --alguns de Governador Valadares, cidade vizinha-- foram acionados para organizar a movimentação durante o velório, pois há a expectativa de que centenas de pessoas passem pelo local.

Com "The Guardian"

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