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30/09/2005 - 15h54

Schröder e Merkel encerram campanha eleitoral em Dresden

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da Efe, em Dresden

O chanceler Gerhard Schröder e a líder conservadora Angela Merkel encerraram nesta sexta-feira suas respectivas campanhas eleitorais para o distrito de Dresden, onde o chefe do governo defendeu o fortalecimento da social-democracia e sua adversária pediu a ele que aceite os resultados do pleito.

"Peço o voto de vocês para reforçar a social-democracia", disse Schröder, na presença dos 3.000 militantes que lotaram o campo junto ao rio Elba, nos arredores dessa cidade do leste da Alemanha, onde ocorre a última etapa das eleições legislativas, com 219 mil eleitores.

"O governo vermelho-verde perdeu (...), e é de se esperar que o chanceler aceite a derrota de uma vez no domingo", contra-atacava Merkel, no centro da capital saxã e diante de centenas de pessoas, incluindo os que passavam por acaso por ali porque iam fazer compras.

Fotomontagem/Reuters
Gerhard Schröder, chanceler alemão, e Angela Merkel, candidata da oposição
Enquanto Schröder pedia, à beira da afonia como em todos seus comícios, "o voto ofensivo" para "impedir o desmantelamento do Estado social", Merkel, muito mais fria --também segundo seu costume--, insistia que o bloco conservador tinha sido o mais votado.

A eleição em Dresden, que foi adiada para o próximo domingo (3) em razão da morte de uma candidata ao Bundestag, não pode modificar a correlação de forças emanada do pleito legislativo de 18 de setembro, mas, sim, dar um apoio simbólico a Schröder.

O Partido Social-Democrata (SPD) obteve 34,3% e 222 cadeiras, enquanto a União Democrata-Cristã e a União Social Cristã da Baviera (CDU-CSU) somaram 35,2%, o que lhes garante 225 cadeiras.

A configuração mais provável para o futuro Governo é a grande coalizão e a isso se encaminharam as duas reuniões de sondagem entre Schröder e Merkel, mas até agora ambos pleiteiam seu respectivo direito a liderar o Executivo.

O voto de Dresden pode implicar um mandato a mais para o SPD, enquanto a CDU-CSU poderia ganhar também um posto, mas também perder um devido ao paradoxo do sistema eleitoral alemão, combinatório entre mandatos diretos e os percentuais.

"A maioria dos alemães já deu seu voto. Nós respeitamos os resultados", disse Schröder. "Assim se fará, o que não impede que lutemos para defender também no próximo Governo as tarefas iniciadas por nós para a renovação social do país."

O objetivo é, segundo Schröder, impedir que se ponha a perder os progressos ambientais e sociais de seu Governo, e velar para que se siga no caminho das reformas sem "abandonar o país a sua sorte" nem deixar que a indústria e os consórcios ditem as regras.

A Alemanha deve seguir seu rumo, tanto nas reformas internas como em política internacional, continuar apostando na "resolução pacífica dos conflitos do mundo (...) sem deixar que os mais poderosos imponham suas regras".

Merkel se dirigiu aos seus e defendeu a ampliação das liberdades empresariais e um controle maior das liberdades individuais como medida de segurança.

O que o Estado deve fazer "é criar a base" para o desenvolvimento da atividades empresariais, não impor barreiras, disse Merkel, que prometeu mais liberdade para os estados federados.

O chanceler falou a uma militância que teve de se proteger do aguaceiro que caía no local do comício. Como sempre, falou em tom de lutador, mas foi menos agressivo em relação a sua adversária do que nos comícios anteriores a 18 de setembro. Não à toa estão sendo abertas negociações para uma grande coalizão.

Schröder não pediu o voto para ele, mas para seu partido, com o argumento de que "a democracia sofre problemas quando a social-democracia perde força".

A luta pela última cadeira de Dresden é simbólica, mas dela pode depender que suas cartas --ou as do partido-- sejam melhores para negociar uma grande coalizão.

Merkel, por sua vez, apareceu confiante, como se para ela tudo fosse só questão de tempo. A votação do domingo é o último ato de uma campanha em que Schröder cresceu, enquanto ela não conseguiu a esmagadora vantagem que se previa.

"Está claro que Angela Merkel será a nova chanceler", disse o primeiro-ministro saxão Georg Milbradt, mas, para isso, é preciso "o empurrão psicológico" do voto de Dresden.

Pelo menos aí há acordo: o voto de Dresden pode ser chamado de psicológico ou simbólico, mas isso não significa que seja irrelevante.

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