05/11/2005
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18h13
A explosão de violência que estremece a França há mais de uma semana, protagonizada por jovens que se sentem marginalizados, deve servir de advertência para toda a Europa, segundo especialistas de vários países europeus.
Para o líder da oposição de centro-esquerda italiana, Romano Prodi, uma explosão de violência urbana na Itália é só uma questão de tempo, já que os subúrbios da península "estão entre os piores de Europa".
"Temos as piores periferias da Europa. Não devemos pensar que somos tão diferentes de Paris, é só uma questão de tempo", afirmou o ex-presidente da Comissão Européia durante um debate em Bolonha (norte da Itália) sobre as cidades.
"O que vemos nestes dias na periferia de Paris pode acontecer na Itália em cinco ou dez anos. Com um fato agravante: na Itália há uma porcentagem superior de imigrantes ilegais, mais expostos à armadilha da criminalidade", afirmou o sociólogo italiano Mario Barbagli ao jornal "Il Sole-24 Ore".
Portugal e o resto da Europa devem tirar lições da violência que sacode a França, afirma a imprensa portuguesa.
Os Estados europeus não devem reproduzir os erros sofridos pelas primeiras gerações de imigrantes, afirma José Leite Pereira, diretor do "Jornal de Notícias".
O eurodeputado Miguel Portas, do Bloco de Esquerda (extrema esquerda) disse ao "Diário de Notícias" que a violência seja conseqüência da pobreza.
"Isso pode explicar a violência das megalópoles da América Latina, mas não em Paris, duvido muito."
"Os árabes ou os negros da periferia parisiense são simplesmente uma geração desencantada e consideram seus bairros como territórios que lhes pertencem, por isso vêem a polícia como um estrangeiro e um ministro idiota e reacionário como um general de tropas de ocupação", explicou.
"Que ninguém duvida, as tempestades do outono francês podem ser o prelúdio de um inverno europeu", alerta o jornal catalão "La Vanguardia" (liberal).
"Muitas das causas desse levante não são em nada diferentes das que existem em outros países europeus", enfatiza o diretor do jornal, em um editorial intitulado "Paris em chamas".
Para o "La Razón" (direita), a violência que atinge a periferia das cidades francesas "constitui uma advertência da enorme dificuldade de integrar os emigrantes muçulmanos na Europa".
" Espanha deveria aprender com as experiências de seus vizinhos para não cometer os mesmos erros", diz o jornal.
"França, o enfermo em chamas", afirma o conservador "ABC" insistindo no "mal estrutural" que afeta a sociedade francesa e os "valores que regem a vida cívica desse país".
A imprensa tcheca fala, por sua parte, de um "terceiro modelo de integração na Europa". "Em Londres, o modelo britânico 'viva como quiser" explodiu com as bombas dos atentados. Há um ano, um muçulmano fora de controle cortou a garganta do cineasta Teo Van Gogh, mesmo com o modelo holandês de "tolerância absoluta", afirma o jornal "Dnes".
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da France Presse, em Paris A explosão de violência que estremece a França há mais de uma semana, protagonizada por jovens que se sentem marginalizados, deve servir de advertência para toda a Europa, segundo especialistas de vários países europeus.
Para o líder da oposição de centro-esquerda italiana, Romano Prodi, uma explosão de violência urbana na Itália é só uma questão de tempo, já que os subúrbios da península "estão entre os piores de Europa".
"Temos as piores periferias da Europa. Não devemos pensar que somos tão diferentes de Paris, é só uma questão de tempo", afirmou o ex-presidente da Comissão Européia durante um debate em Bolonha (norte da Itália) sobre as cidades.
"O que vemos nestes dias na periferia de Paris pode acontecer na Itália em cinco ou dez anos. Com um fato agravante: na Itália há uma porcentagem superior de imigrantes ilegais, mais expostos à armadilha da criminalidade", afirmou o sociólogo italiano Mario Barbagli ao jornal "Il Sole-24 Ore".
Portugal e o resto da Europa devem tirar lições da violência que sacode a França, afirma a imprensa portuguesa.
Os Estados europeus não devem reproduzir os erros sofridos pelas primeiras gerações de imigrantes, afirma José Leite Pereira, diretor do "Jornal de Notícias".
O eurodeputado Miguel Portas, do Bloco de Esquerda (extrema esquerda) disse ao "Diário de Notícias" que a violência seja conseqüência da pobreza.
"Isso pode explicar a violência das megalópoles da América Latina, mas não em Paris, duvido muito."
"Os árabes ou os negros da periferia parisiense são simplesmente uma geração desencantada e consideram seus bairros como territórios que lhes pertencem, por isso vêem a polícia como um estrangeiro e um ministro idiota e reacionário como um general de tropas de ocupação", explicou.
"Que ninguém duvida, as tempestades do outono francês podem ser o prelúdio de um inverno europeu", alerta o jornal catalão "La Vanguardia" (liberal).
"Muitas das causas desse levante não são em nada diferentes das que existem em outros países europeus", enfatiza o diretor do jornal, em um editorial intitulado "Paris em chamas".
Para o "La Razón" (direita), a violência que atinge a periferia das cidades francesas "constitui uma advertência da enorme dificuldade de integrar os emigrantes muçulmanos na Europa".
" Espanha deveria aprender com as experiências de seus vizinhos para não cometer os mesmos erros", diz o jornal.
"França, o enfermo em chamas", afirma o conservador "ABC" insistindo no "mal estrutural" que afeta a sociedade francesa e os "valores que regem a vida cívica desse país".
A imprensa tcheca fala, por sua parte, de um "terceiro modelo de integração na Europa". "Em Londres, o modelo britânico 'viva como quiser" explodiu com as bombas dos atentados. Há um ano, um muçulmano fora de controle cortou a garganta do cineasta Teo Van Gogh, mesmo com o modelo holandês de "tolerância absoluta", afirma o jornal "Dnes".
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