07/11/2005
-
12h24
As cenas de violência registradas na França desde o dia 27 de outubro -- iniciadas por rebelados de bairros do subúrbio parisiense-- já ocorrem em cerca de 300 localidades do país [entre bairros, distritos e cidades]. Há 36 policiais feridos, um civil morto, 4.700 veículos incendiados e 1.200 detidos.
Segundo a polícia, um homem morreu em decorrência dos machucados sofridos, após ter sido espancado na noite de sexta-feira (4), em Seine-Saint-Denis.
Policiais disseram não ter muitas informações sobre o caso, mas o jornal "Le Parisien" afirma que o homem tinha 60 anos, e foi identificado pelo nome de Jean-Jacques Le Chenadec. Ele morreu nesta segunda-feira em no hospital Jean-Verdier de Bondy.
Ainda segundo o "Le Parisien", o ministro francês do Interior, Nicolas Sarkozy, teve um encontro com a mulher de Le Chenadec, Nicole, e com um amigo da vítima, que estava com ele no momento em que foi atacado. Ele foi espancado por um grupo e no hospital entrou em coma. O corpo ainda passará por uma necropsia, para determinar a causa exata da morte.
Um bebê de 13 meses teve que ser hospitalizado porque recebeu uma pedrada na cabeça. Ele estava no ônibus que foi atacado pelos manifestantes na quinta-feira (4). Uma outra mulher sofreu graves queimaduras depois que o ônibus em que viajava foi incendiado.
Países como Austrália, Áustria, Alemanha e Hungria pediram aos seus cidadãos para que "tomem cuidado" na França, assim como os Estados Unidos e a França alertaram seus turistas contra a violência.
Domingo
Michel Gaudin, diretor-geral da Polícia Nacional francesa, confirmou nesta segunda-feira que manifestantes incendiaram mais de 1.400 veículos, e confrontos registrados em várias localidades do país deixaram 36 policiais feridos. Ao menos 395 pessoas foram presas.
"Essa disseminação [da violência] é como uma onda de choque se espalhando pelo país", afirmou Gaudin. A noite deste domingo --11º consecutiva em que houve o registro de violência no país-- também foi marcada, segundo policiais, pela "procura deliberada" dos rebelados em confrontar-se diretamente com as forças de segurança.
Gaudin afirmou as cidades de Marseille, Saint-Etienne, Toulouse, Metz e Lile foram as mais afetadas na noite deste domingo pela ação dos grupos.
O sindicato francês que representa a polícia pediu nesta segunda-feira que o governo decrete a adoção de um horário para o toque de recolher nas áreas mais afetadas pelo conflito, e quer a ajuda do Exército para controlar os grupos de manifestantes.
"Nada parece parar a guerra civil que se espalha pouco a pouco por todo o país", informou a organização, em um comunicado. 'Os acontecimentos que estamos vivendo não têm precedentes desde a Segunda Guerra Mundial" (1939-1945).
"Nós temos pensado em várias resoluções para reforçar a ação da polícia e da Justiça. A prioridade absoluta é o restabelecimento da segurança e da ordem pública", disse neste domingo o presidente francês, Jacques Chirac, que tem sido bastante criticado na França devido ao seu silêncio frente à crescente onda de violência, segundo o jornal francês. Chirac, entretanto, não especificou quais seriam as novas ações.
O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, afirmou também neste domingo que os dispositivos de segurança serão reforçados "por todo o sul e se necessário pelo leste" da região onde têm acontecido as manifestações.
Início
Em 27 de outubro passado, dois adolescentes moradores da região de Clichy-sous-Bois (nordeste de Paris) morreram eletrocutados ao se esconderem dentro de um transformador de energia, após serem supostamente perseguidos por policiais, versão que é negada pelas autoridades francesas.
Desde então, moradores dos distritos do subúrbio de Paris e de outras regiões próximas à cidade têm realizado uma série de violentas manifestações, marcadas pela queima de centenas de veículos e confrontos com a polícia.
Os locais onde ocorrem as manifestações são ocupados em sua maioria por famílias de imigrantes árabes e africanos. Devido às suspeitas de que militantes extremistas islâmicos estejam por trás dos confrontos na França --realizados, como já afirmaram os próprios policiais, por "grupos móveis" de jovens-- uma organização islâmica francesa emitiu uma fatwa [lei] condenando a violência.
Em um comunicado, a União de Organizações Islâmicas da França (UOIF) condena a violência "com a maior firmeza" e pede "com insistência o retorno à calma o quanto antes".
A França abriga 5 milhões de muçulmanos, e tem a maior população islâmica da Europa Ocidental.
Com "Le Parisien" e Associated Press
Leia mais
Desemprego e racismo alimentam revolta em Paris
França detém blogueiros por incentivo à violência
Especial
Veja imagens da violência na capital francesa
Leia o que já foi publicado sobre distúrbios em Paris
Sites relacionados
Veja vídeo da BBC com imagens da última noite de violência em Paris
Confrontos já se espalharam por 300 localidades na França, diz polícia
Publicidade
da Folha OnlineAs cenas de violência registradas na França desde o dia 27 de outubro -- iniciadas por rebelados de bairros do subúrbio parisiense-- já ocorrem em cerca de 300 localidades do país [entre bairros, distritos e cidades]. Há 36 policiais feridos, um civil morto, 4.700 veículos incendiados e 1.200 detidos.
| Michel Spingler/AP |
![]() |
| Policial se aproxima de foco de incêndio provocado por manifestantes na cidade de Paris |
Policiais disseram não ter muitas informações sobre o caso, mas o jornal "Le Parisien" afirma que o homem tinha 60 anos, e foi identificado pelo nome de Jean-Jacques Le Chenadec. Ele morreu nesta segunda-feira em no hospital Jean-Verdier de Bondy.
Ainda segundo o "Le Parisien", o ministro francês do Interior, Nicolas Sarkozy, teve um encontro com a mulher de Le Chenadec, Nicole, e com um amigo da vítima, que estava com ele no momento em que foi atacado. Ele foi espancado por um grupo e no hospital entrou em coma. O corpo ainda passará por uma necropsia, para determinar a causa exata da morte.
Um bebê de 13 meses teve que ser hospitalizado porque recebeu uma pedrada na cabeça. Ele estava no ônibus que foi atacado pelos manifestantes na quinta-feira (4). Uma outra mulher sofreu graves queimaduras depois que o ônibus em que viajava foi incendiado.
Países como Austrália, Áustria, Alemanha e Hungria pediram aos seus cidadãos para que "tomem cuidado" na França, assim como os Estados Unidos e a França alertaram seus turistas contra a violência.
Domingo
Michel Gaudin, diretor-geral da Polícia Nacional francesa, confirmou nesta segunda-feira que manifestantes incendiaram mais de 1.400 veículos, e confrontos registrados em várias localidades do país deixaram 36 policiais feridos. Ao menos 395 pessoas foram presas.
"Essa disseminação [da violência] é como uma onda de choque se espalhando pelo país", afirmou Gaudin. A noite deste domingo --11º consecutiva em que houve o registro de violência no país-- também foi marcada, segundo policiais, pela "procura deliberada" dos rebelados em confrontar-se diretamente com as forças de segurança.
Gaudin afirmou as cidades de Marseille, Saint-Etienne, Toulouse, Metz e Lile foram as mais afetadas na noite deste domingo pela ação dos grupos.
| Efe |
![]() |
| Manifestantes atiram pedras contra a polícia em Paris; grupos procuram "confronto direto" |
"Nada parece parar a guerra civil que se espalha pouco a pouco por todo o país", informou a organização, em um comunicado. 'Os acontecimentos que estamos vivendo não têm precedentes desde a Segunda Guerra Mundial" (1939-1945).
"Nós temos pensado em várias resoluções para reforçar a ação da polícia e da Justiça. A prioridade absoluta é o restabelecimento da segurança e da ordem pública", disse neste domingo o presidente francês, Jacques Chirac, que tem sido bastante criticado na França devido ao seu silêncio frente à crescente onda de violência, segundo o jornal francês. Chirac, entretanto, não especificou quais seriam as novas ações.
O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, afirmou também neste domingo que os dispositivos de segurança serão reforçados "por todo o sul e se necessário pelo leste" da região onde têm acontecido as manifestações.
Início
Em 27 de outubro passado, dois adolescentes moradores da região de Clichy-sous-Bois (nordeste de Paris) morreram eletrocutados ao se esconderem dentro de um transformador de energia, após serem supostamente perseguidos por policiais, versão que é negada pelas autoridades francesas.
Desde então, moradores dos distritos do subúrbio de Paris e de outras regiões próximas à cidade têm realizado uma série de violentas manifestações, marcadas pela queima de centenas de veículos e confrontos com a polícia.
Os locais onde ocorrem as manifestações são ocupados em sua maioria por famílias de imigrantes árabes e africanos. Devido às suspeitas de que militantes extremistas islâmicos estejam por trás dos confrontos na França --realizados, como já afirmaram os próprios policiais, por "grupos móveis" de jovens-- uma organização islâmica francesa emitiu uma fatwa [lei] condenando a violência.
Em um comunicado, a União de Organizações Islâmicas da França (UOIF) condena a violência "com a maior firmeza" e pede "com insistência o retorno à calma o quanto antes".
A França abriga 5 milhões de muçulmanos, e tem a maior população islâmica da Europa Ocidental.
Com "Le Parisien" e Associated Press
Leia mais
Especial
Sites relacionados




