15/11/2005
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09h28
A onda de violência que há 19 dias toma conta das ruas da França se acalmou nos bairros conflituosos do país após quase três semanas de distúrbios, enquanto a prorrogação por três meses do estado de emergência inicia seu trâmite parlamentar na Câmara dos Deputados nesta terça-feira.
Se aprovada, a medida passa a valer a partir de 21 de novembro, data em que termina o período de emergência em vigor, decretado na semana passada por um prazo de 12 dias. "É uma medida de proteção e precaução", disse o porta-voz do governo francês, Jean-François Copé.
O estado de emergência permite que autoridades prendam pessoas envolvidas em atos de vandalismo, limitem o movimento de pessoas ou veículos, confisquem armas e fechem espaços públicos.
A oposição de esquerda se dispõe a votar contra a prorrogação, mas, como o partido conservador governante, UMP, tem a maioria absoluta na Câmara, acredita-se na adoção do projeto de lei apresentado pelo governo de Dominique de Villepin, apesar de a violência ter começado a diminuir.
Diminuição da violência
Segundo o balanço da noite passada divulgado nesta terça-feira pela polícia, houve 215 veículos queimados, contra 284 da véspera, o que eleva o total para 8.810 desde o início da crise no último dia 27. A agitação atingiu seu pico na madrugada de 7 para 8 de novembro, quando cerca de 1.400 carros foram queimados.
Trata-se da volta à "quase normalidade", disse a polícia, acrescentando que só em sete municípios, entre eles Paris e Lille (norte), houve mais de cinco veículos incendiados.
O nível de mobilização das forças da ordem continua "elevado", com 11.200 policiais deslocados, segundo a polícia, que apontou que houve 71 detenções na noite desta segunda-feira, o que eleva o total a 2.838 desde o começo da onda de distúrbios.
Oposição
o chefe do grupo socialista na Câmara dos Deputados, Jean-Marc Ayrault, anunciou que proporá nesta terça-feira aos representantes de sua formação que votem contra. "Não é o estado de emergência que vai resolver o problema (...) Não há necessidade de uma medida de exceção nem de uma que dê "plenos poderes ao "governo", disse Ayrault na rede France 2.
Já os comunistas denunciaram que o Executivo conservador "persiste em sua obsessão de utilizar esta lei de exceção cheia de perigos para a democracia, violenta e inútil, e afirmaram que a emergência é antes de tudo social".
Os legisladores comunistas confirmaram seu boicote à reunião convocada para a tarde desta terça-feira pelo primeiro-ministro com os líderes das duas câmaras do Parlamento e grupos parlamentares. O objetivo é o de tentar convencer da necessidade da aprovação da prorrogação do prazo para mais três meses.
Os Verdes expressaram igualmente sua rejeição à prorrogação: "a França não precisa deste estado de emergência que faz crer em uma guerra civil que não existe".
A extrema esquerdista Liga Comunista Revolucionária, que não está representada no Parlamento, chamou a opção de "repressão" por parte do governo e considerou "urgente" que seja formada "uma frente" de organizações de esquerda para convocar manifestações contra a medida.
Chirac
Nesta segunda-feira, o presidente Jaques Chirac convocou todos os franceses, independentemente de sua origem, a se envolverem "verdadeira e pessoalmente" na luta contra o "veneno da discriminação". Chirac falou em rede nacional por rádio e TV.
O presidente francês também disse que a prioridade do governo no momento é restaurar a ordem e aplicar as leis contra a imigração ilegal e o tráfico de pessoas.
Além disso, Chirac anunciou a criação de um "serviço civil voluntário" --de acompanhamento e formação--, que em 2007 deveria atender 50 mil jovens. A França abriga 5 milhões de muçulmanos, e tem a maior população islâmica da Europa Ocidental.
O estopim da revolta, iniciada por jovens filhos de imigrantes, em sua maioria do norte da África, foi a morte acidental de dois adolescentes, que se eletrocutaram ao entrar numa subestação de energia. Eles estariam tentando se esconder da polícia.
Mas o motivo real dos distúrbios, de acordo com analistas, é a revolta contra a exclusão social dos habitantes dos subúrbios das grandes cidades, só inflamada pela morte dos dois adolescentes.
Com agências internacionais
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da Folha OnlineA onda de violência que há 19 dias toma conta das ruas da França se acalmou nos bairros conflituosos do país após quase três semanas de distúrbios, enquanto a prorrogação por três meses do estado de emergência inicia seu trâmite parlamentar na Câmara dos Deputados nesta terça-feira.
Se aprovada, a medida passa a valer a partir de 21 de novembro, data em que termina o período de emergência em vigor, decretado na semana passada por um prazo de 12 dias. "É uma medida de proteção e precaução", disse o porta-voz do governo francês, Jean-François Copé.
O estado de emergência permite que autoridades prendam pessoas envolvidas em atos de vandalismo, limitem o movimento de pessoas ou veículos, confisquem armas e fechem espaços públicos.
A oposição de esquerda se dispõe a votar contra a prorrogação, mas, como o partido conservador governante, UMP, tem a maioria absoluta na Câmara, acredita-se na adoção do projeto de lei apresentado pelo governo de Dominique de Villepin, apesar de a violência ter começado a diminuir.
Diminuição da violência
Segundo o balanço da noite passada divulgado nesta terça-feira pela polícia, houve 215 veículos queimados, contra 284 da véspera, o que eleva o total para 8.810 desde o início da crise no último dia 27. A agitação atingiu seu pico na madrugada de 7 para 8 de novembro, quando cerca de 1.400 carros foram queimados.
Trata-se da volta à "quase normalidade", disse a polícia, acrescentando que só em sete municípios, entre eles Paris e Lille (norte), houve mais de cinco veículos incendiados.
O nível de mobilização das forças da ordem continua "elevado", com 11.200 policiais deslocados, segundo a polícia, que apontou que houve 71 detenções na noite desta segunda-feira, o que eleva o total a 2.838 desde o começo da onda de distúrbios.
Oposição
o chefe do grupo socialista na Câmara dos Deputados, Jean-Marc Ayrault, anunciou que proporá nesta terça-feira aos representantes de sua formação que votem contra. "Não é o estado de emergência que vai resolver o problema (...) Não há necessidade de uma medida de exceção nem de uma que dê "plenos poderes ao "governo", disse Ayrault na rede France 2.
Já os comunistas denunciaram que o Executivo conservador "persiste em sua obsessão de utilizar esta lei de exceção cheia de perigos para a democracia, violenta e inútil, e afirmaram que a emergência é antes de tudo social".
Os legisladores comunistas confirmaram seu boicote à reunião convocada para a tarde desta terça-feira pelo primeiro-ministro com os líderes das duas câmaras do Parlamento e grupos parlamentares. O objetivo é o de tentar convencer da necessidade da aprovação da prorrogação do prazo para mais três meses.
Os Verdes expressaram igualmente sua rejeição à prorrogação: "a França não precisa deste estado de emergência que faz crer em uma guerra civil que não existe".
A extrema esquerdista Liga Comunista Revolucionária, que não está representada no Parlamento, chamou a opção de "repressão" por parte do governo e considerou "urgente" que seja formada "uma frente" de organizações de esquerda para convocar manifestações contra a medida.
Chirac
Nesta segunda-feira, o presidente Jaques Chirac convocou todos os franceses, independentemente de sua origem, a se envolverem "verdadeira e pessoalmente" na luta contra o "veneno da discriminação". Chirac falou em rede nacional por rádio e TV.
O presidente francês também disse que a prioridade do governo no momento é restaurar a ordem e aplicar as leis contra a imigração ilegal e o tráfico de pessoas.
Além disso, Chirac anunciou a criação de um "serviço civil voluntário" --de acompanhamento e formação--, que em 2007 deveria atender 50 mil jovens. A França abriga 5 milhões de muçulmanos, e tem a maior população islâmica da Europa Ocidental.
O estopim da revolta, iniciada por jovens filhos de imigrantes, em sua maioria do norte da África, foi a morte acidental de dois adolescentes, que se eletrocutaram ao entrar numa subestação de energia. Eles estariam tentando se esconder da polícia.
Mas o motivo real dos distúrbios, de acordo com analistas, é a revolta contra a exclusão social dos habitantes dos subúrbios das grandes cidades, só inflamada pela morte dos dois adolescentes.
Com agências internacionais
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