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16/12/2005 - 11h05

EUA monitoram civis sem autorização legal, diz jornal

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da Folha Online

À procura de evidências de terrorismo, e sob recomendação do presidente George W. Bush, a Agência de Segurança Nacional americana monitora secretamente ligações e e-mails de civis residentes nos EUA que se comunicavam com pessoas no exterior, segundo texto publicado no site do jornal "The New York Times" desta sexta-feira.

O monitoramento, que passou a ser feito meses após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, não teve autorização da Justiça americana, geralmente necessária para realizar esse tipo de espionagem, informa o jornal.

De acordo com o "New York Times", sob uma ordem presidencial, assinada em 2002, a agência de inteligência americana começou a monitorar todos as ligações telefônicas internacionais e mensagens vindas de provedores de internet de outros países de milhares de pessoas que moram nos Estados Unidos, em um esforço de descobrir se a rede terrorista Al Qaeda "está infiltrada no país".

Muitos detalhes do programa são mantidos em sigilo, mas fontes consultadas pelo jornal disseram que a agência americana "vigia sem direitos mais de 500 pessoas simultaneamente nos Estados Unidos, a qualquer momento. A lista de pessoas vigiadas muda de tempos e tempos (...) e, sendo assim, o número de pessoas monitoradas no país pode chegar a milhares. No exterior, entre 5.000 e 7.000 pessoas, suspeitas de atividades terroristas, são vigiadas simultaneamente", diz o "New York Times".

O "New York Times" ainda diz que a Casa Branca chegou a pedir para o jornal não publicasse essa notícia, o que poderia afetar investigações que já estão em andamento.

Essa não é a primeira vez que o governo americano é acusado de espionar seus próprios cidadãos. Em 2000, o FBI [polícia federal americana] foi obrigada a revelar os documentos sobre o sistema Carnivore ou DCS1000, tecnologia que é instalada nos servidores dos provedores de internet, e permite o monitoramento do conteúdo dos e-mails e também o registro das páginas visitadas por internauta.

Logo depois dos ataques de 11 de Setembro surgiram na mídia americana relatos sobre a existência de um programa de vigilância denominado Echelon, que seria liderado pelos Estados Unidos, e teria ajuda dos governos de Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido. A existência desse programa, entretanto, é negada oficialmente.

Legalidade

Segundo o "New York Times", vários membros da Agência de Segurança Nacional e ex-funcionários que preferiram manter sua identidade em sigilo, se disseram "preocupados" com a legalidade da operação de monitoramento, desenvolvida desde 2002.

Os funcionários da agência americana revelaram que até mesmo o senador John D. Rockefeller, vice-diretor do Comitê da Inteligência no Senado, afirmou ter "reservas" quanto às questões legais do programa, e o poder cada vez crescente da Agência de Inteligência americana.

"A administração de Bush vê a operação [de monitoramento] como uma necessidade, e por isso dá liberdade para que a agência monitore comunicações que representam algum tipo de ameaça para os Estados Unidos", afirma o jornal.

Defensores do programa dizem que ele é uma "ferramenta crítica" para ajudar a prevenir ataques terroristas dentro do território americano.

Com "The New York Times"

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