Mundo
18/12/2005 - 00h49

Álvaro Uribe admite complô de exilados venezuelanos contra Chávez

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da Folha Online

O presidente colombiano Álvaro Uribe admitiu neste sábado que militares exilados venezuelanos em seu país se associaram a grupos paramilitares colombianos, e planejavam juntos um complô contra o governo de Hugo Chávez.

A declaração do presidente colombiano ocorreu em um encontro entre os chefes de-estado dos dois países, em Santa Marta, região litorânea da Colômbia (970 km ao norte de Bogotá). Os dois governantes afirmaram que as relações entre os dois países "atravessam seu melhor momento em muitas décadas", e discutiram também outros temas, como integração energética e comércio bilateral, no dia que marca o 175º aniversário da morte de Simón Bolívar.

Segundo Uribe, as autoridades colombianas avaliaram documentos entregues por Chavez que comprovavam o encontro de dois grupos militares dos dois países em um prédio que pertence à polícia colombiana. "Em lugar de desculpas, assumi a responsabilidade frente ao presidente Chávez e a assumo em público. O governo da Colômbia, que sofre com o terrorismo, não pode permitir que ninguém venha aqui armar conspirações, especialmente contra um país-irmão"., disse Uribe.

As provas de Chávez foram entregues em novembro durante uma reunião anterior entre os dois presidentes, em Paraguaná, na Venezuela. "Queremos que os grupos armados (na Colômbia)se pacifiquem. Esse precisa ser o caminho", disse o líder colombiano.

O presidente venezuelano disse apoiar toda fórmula pacífica para superar a crise de seu vizinho, e atacou mais uma vez seus próprios opositores, que o acusam de colaborar com movimentos rebeldes colombianos. "Rogo aos colombianos para que não acreditem em nada, pois é mentira. Apoiamos as instituições e a democracia colombianas, o presidente Uribe, as decisões do povo colombiano. Também queremos que os grupos armados se pacifiquem", disse Chávez.

Com a reunião deste sábado, os dois presidentes fecharam um ano especialmente conturbado de suas relações bilaterais. Setores do governo colombiano acusaram Chávez de apoiar as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Por outro lado, Caracas acusava Uribe de ser complacente com grupos paramilitares que planejam atacar seu governo.

Às 13h03 (16h03 de Brasília), hora em que morreu Bolívar, os líderes fizeram um minuto de silêncio.

O presidente da Venezuela voltou a criticar os Estados Unidos, principal aliado da Colômbia na luta contra as drogas e o terrorismo, e advertiu que a América do Sul deve se unir para superar o subdesenvolvimento ocasionado pelo "imperialismo do norte".

Colômbia e Venezuela partilham uma tumultuada fronteira de 2.219 km, violada com freqüência por guerrilheiros e grupos paramilitares colombianos, assim como narcotraficantes e criminosos dos dois países.

Com agências internacionais

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