05/04/2006
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20h54
da Ansa, em Assunção
Os governos do Brasil e do Paraguai negaram nesta quarta-feira ter conhecimento de operações de envio de recursos para grupos terroristas do Oriente Médio por intermédio de países da Tríplice Fronteira, conforme denúncia publicada ontem no tablóide americano "The New York Post".
Segundo o jornal, a Promotoria de Nova York desarticulou uma operação financeira na qual US$ 3 bilhões procedentes do Brasil e de outros países sul-americanos teriam sido transferidos à rede terrorista Al Qaeda e a outros grupos terroristas no Oriente Médio.
A assessoria de imprensa do Itamaraty disse que o governo brasileiro não faria comentários sobre a matéria, mas explicou que o Brasil acompanha com muita atenção as informações sobre o tema, apesar de as denúncias nunca terem sido comprovadas.
Na 4ª Reunião Plenária do Grupo 3+1 sobre a Segurança da Tríplice Fronteira, realizada em Brasília em dezembro último, os governos de Brasil, Argentina, Paraguai e Estados Unidos divulgaram um comunicado conjunto que tratava sobre o suposto envio de recursos para grupos terroristas.
"De acordo com a informação disponível até o presente momento, não foram detectadas atividades operativas de terrorismo na área da Tríplice Fronteira. No caso de serem detectadas quaisquer atividades que poderiam contribuir mesmo indiretamente para ações terroristas, inclusive no que se refere ao seu financiamento, as delegações se comprometeram a intercambiar prontamente informações, de forma a coibir eventuais ilícitos."
A chanceler paraguaia, Leila Rachid, negou que a Tríplice Fronteira tenha enviado remessas para financiar o terrorismo islâmico, como denunciou o promotor americano.
O promotor do distrito de Manhattan, Robert Morgenthau, afirmou ao "The New York Post" que impediu a transferência de US$ 3 bilhões da América do Sul para a rede terrorista Al Qaeda. De acordo com ele, parte dessa quantia saiu da Tríplice Fronteira e chegou ao Bank of América dos Estados Unidos através da empresa uruguaia Lespan S.A., de Montevidéu.
A chanceler paraguaia afirmou que a Tríplice Fronteira não financia grupos terroristas. "Nesses casos contundentes, nisso somos enfáticos, temos que enfatizar que a Tríplice Fronteira jamais formulou nenhum projeto de financiamento para terrorista", afirma.
Depois do atentado terrorista contra o World Trade Center, em setembro de 2001 em Nova York, ocorreram inúmeras operações policiais e prisões em Ciudad del Este. Um procurador disse, na época, que encontrou indícios da arrecadação de fundos para cidadãos de origem árabe residentes no país.
Casa de câmbio
Ao contrário do que foi publicado pela imprensa dos EUA, a empresa Lespan S.A. (Gales Casa de Câmbio), de Montevidéu, afirmou hoje que não participou de operações financeiras de envio de dinheiro para grupos terroristas.
"O que foi publicado nos meios de comunicação de Nova York é uma grande mentira, com uma mistura de dados e informações totalmente equivocadas", disse à agência Efe Waldemar Álvarez, diretor da Gales.
"A nossa empresa está há três décadas no setor, e todas as nossas atividades são do conhecimento do Banco Central do Uruguai, como define a lei", declarou Álvarez. "É inconcebível que esse valor em dinheiro possa ser transferido a partir de Montevidéu. Temos a obrigação legal de conhecer a origem e o destino do dinheiro que transferimos", afirmou.
Segundo Álvarez, uma matéria sobre a mesma investigação judicial foi publicada pelo "The Wall Street Journal" em dezembro de 2004, e naquela oportunidade, a Gales foi ligada "a operações de lavagem de dinheiro do narcotráfico, mas agora a notícia de terrorismo é muito mais vendável para os leitores", declarou.
O empresário disse, que após ficar sabendo da primeira reportagem, foi aos Estados Unidos em março de 2005 para se encontrar com o promotor Robert Morgenthau.
"Demos a ele as informações solicitadas, esclarecemos as coisas, ficamos à disposição para oferecer mais dados e não tivemos nenhuma dificuldade para voltar ao Uruguai", afirmou Álvarez.
O presidente do Banco Central do Uruguai, Walter Cancela, declarou à imprensa local que não tem informações sobre o caso.
"Por enquanto não temos nada, mas investigaremos se algum pedido dos EUA chegar a Montevidéu", disse Cancela.
Com Efe
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da Folha Onlineda Ansa, em Assunção
Os governos do Brasil e do Paraguai negaram nesta quarta-feira ter conhecimento de operações de envio de recursos para grupos terroristas do Oriente Médio por intermédio de países da Tríplice Fronteira, conforme denúncia publicada ontem no tablóide americano "The New York Post".
Segundo o jornal, a Promotoria de Nova York desarticulou uma operação financeira na qual US$ 3 bilhões procedentes do Brasil e de outros países sul-americanos teriam sido transferidos à rede terrorista Al Qaeda e a outros grupos terroristas no Oriente Médio.
A assessoria de imprensa do Itamaraty disse que o governo brasileiro não faria comentários sobre a matéria, mas explicou que o Brasil acompanha com muita atenção as informações sobre o tema, apesar de as denúncias nunca terem sido comprovadas.
Na 4ª Reunião Plenária do Grupo 3+1 sobre a Segurança da Tríplice Fronteira, realizada em Brasília em dezembro último, os governos de Brasil, Argentina, Paraguai e Estados Unidos divulgaram um comunicado conjunto que tratava sobre o suposto envio de recursos para grupos terroristas.
"De acordo com a informação disponível até o presente momento, não foram detectadas atividades operativas de terrorismo na área da Tríplice Fronteira. No caso de serem detectadas quaisquer atividades que poderiam contribuir mesmo indiretamente para ações terroristas, inclusive no que se refere ao seu financiamento, as delegações se comprometeram a intercambiar prontamente informações, de forma a coibir eventuais ilícitos."
A chanceler paraguaia, Leila Rachid, negou que a Tríplice Fronteira tenha enviado remessas para financiar o terrorismo islâmico, como denunciou o promotor americano.
O promotor do distrito de Manhattan, Robert Morgenthau, afirmou ao "The New York Post" que impediu a transferência de US$ 3 bilhões da América do Sul para a rede terrorista Al Qaeda. De acordo com ele, parte dessa quantia saiu da Tríplice Fronteira e chegou ao Bank of América dos Estados Unidos através da empresa uruguaia Lespan S.A., de Montevidéu.
A chanceler paraguaia afirmou que a Tríplice Fronteira não financia grupos terroristas. "Nesses casos contundentes, nisso somos enfáticos, temos que enfatizar que a Tríplice Fronteira jamais formulou nenhum projeto de financiamento para terrorista", afirma.
Depois do atentado terrorista contra o World Trade Center, em setembro de 2001 em Nova York, ocorreram inúmeras operações policiais e prisões em Ciudad del Este. Um procurador disse, na época, que encontrou indícios da arrecadação de fundos para cidadãos de origem árabe residentes no país.
Casa de câmbio
Ao contrário do que foi publicado pela imprensa dos EUA, a empresa Lespan S.A. (Gales Casa de Câmbio), de Montevidéu, afirmou hoje que não participou de operações financeiras de envio de dinheiro para grupos terroristas.
"O que foi publicado nos meios de comunicação de Nova York é uma grande mentira, com uma mistura de dados e informações totalmente equivocadas", disse à agência Efe Waldemar Álvarez, diretor da Gales.
"A nossa empresa está há três décadas no setor, e todas as nossas atividades são do conhecimento do Banco Central do Uruguai, como define a lei", declarou Álvarez. "É inconcebível que esse valor em dinheiro possa ser transferido a partir de Montevidéu. Temos a obrigação legal de conhecer a origem e o destino do dinheiro que transferimos", afirmou.
Segundo Álvarez, uma matéria sobre a mesma investigação judicial foi publicada pelo "The Wall Street Journal" em dezembro de 2004, e naquela oportunidade, a Gales foi ligada "a operações de lavagem de dinheiro do narcotráfico, mas agora a notícia de terrorismo é muito mais vendável para os leitores", declarou.
O empresário disse, que após ficar sabendo da primeira reportagem, foi aos Estados Unidos em março de 2005 para se encontrar com o promotor Robert Morgenthau.
"Demos a ele as informações solicitadas, esclarecemos as coisas, ficamos à disposição para oferecer mais dados e não tivemos nenhuma dificuldade para voltar ao Uruguai", afirmou Álvarez.
O presidente do Banco Central do Uruguai, Walter Cancela, declarou à imprensa local que não tem informações sobre o caso.
"Por enquanto não temos nada, mas investigaremos se algum pedido dos EUA chegar a Montevidéu", disse Cancela.
Com Efe
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