07/04/2006
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15h51
Um triplo ataque suicida contra uma mesquita xiita em Bagdá matou ao menos 71 pessoas e feriu ao menos 140 nesta sexta-feira. As explosões teriam sido causadas por homens-bomba disfarçados de mulheres.
O atentado ocorreu em Utaifyia, norte da capital iraquiana, na mesquita de Buratha, que é afiliada ao Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque --principal partido xiita do país. A explosão aconteceu no momento em que fiéis deixavam o local, após as orações das sextas-feiras [dia sagrado para os muçulmanos].
Os terroristas suicidas --que algumas fontes afirmam que eram três e não dois-- esperaram o fim das orações de sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos, no qual se reúnem grandes massas de fiéis.
Ao final das preces, por volta das 15h (8h de Brasília), os suicidas detonaram os explosivos que carregavam presos ao corpo com cintos. Ao menos um deles estava no interior da mesquita e outro estava entre os fiéis que deixavam o templo.
Disfarce
O líder político xiita Jalal Eddin al Sagheer, membro do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica, e que todas as sextas-feiras lê um sermão na mesquita, saiu ileso do ataque.
Al Sagheer declarou ao canal árabe Al Arabiya que, "segundo as primeiras investigações, uma mulher ou um homem disfarçado de mulher conseguiu se aproximar do posto de segurança da entrada reservada às mulheres". "Foi então que o suicida explodiu sua carga, provocando pânico entre as pessoas, o que permitiu que os outros dois suicidas entrassem na mesquita", acrescentou.
De acordo com o Ministério do Interior do Iraque, as vítimas e os corpos foram levados para hospitais como o Al Sadr e o Kadhimiya.
Salah Abdelrazaq, chefe do governo de Bagdá, pediu aos moradores da capital iraquiana que doem sangue aos hospitais em que as vítimas estão internadas, muitas em estado muito grave.
"Quem quer que esteja por trás deste atentado tenta levar o país a um conflito sectário", disse Abdelrazaq em referência à crescente tensão entre sunitas e xiitas no país.
Anteriormente, o Ministério do Interior havia avisado aos moradores de Bagdá que evitassem aglomerações perto de mesquitas ou mercados, devido à uma ameaça de bomba.
A violência sectária ganhou força no Iraque depois de um atentado contra um dos principais santuários xiitas em Samarra, em 22 de fevereiro.
Desde então, centenas de corpos foram encontrados nas ruas de Bagdá com marcas de tiros, olhos vendados e apresentando sinais de tortura.
O Ministério do Interior avisou também que puniria os policiais "que não tomassem as medidas necessárias para frustrar ataques terroristas em suas áreas", um reconhecimento implícito da infiltração de militantes extremistas em suas fileiras.
Contato com rebeldes
O atentado de hoje é um dos mais graves dos últimos meses. Antes do incidente, o embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Zalmay Khalilzad, afirmara que diminuíram os atentados da insurgência graças, em parte, aos "contatos" que seu governo realizou com grupos rebeldes.
Em declarações à BBC, Khalilzad disse que esses contatos surtiram efeito, já que o número de ataques contra as forças americanas no país teria caído.
O embaixador não especificou com quais grupos foram contatados, mas disse que seu governo não negociaria com terroristas.
O diplomata admitiu que existe um risco real de guerra civil no Iraque devido ao aumento da violência religiosa entre sunitas e xiitas.
Sem avanços na formação do novo governo do Iraque, o embaixador americano disse que a paciência da comunidade internacional com os líderes políticos iraquianos está se esgotando.
A eleição aconteceu em 15 de dezembro de 2005, mas os diferentes partidos não conseguem chegar a um acordo para formar um governo de unidade nacional.
Os xiitas confessionais da Aliança Unida Iraquiana propuseram o nome do atual primeiro-ministro, Ibrahim al Jaafari. Mas ele não teve sucesso em suas negociações para a formação do gabinete, uma vez que todos os demais grupos --xiitas laicos, sunitas e curdos-- se recusam a aceitá-lo como chefe do governo.
Najaf
O novo ataque acontece um dia depois que a explosão de um carro-bomba na cidade xiita de Najaf, 160 km ao sul de Bagdá, matou ao menos dez.
Os atentados são raros em Najaf, que é fortemente vigiada pelas forças de segurança locais por ser um dos principais locais sagrados xiitas.
A explosão aconteceu na rua Tosi, que leva ao principal cemitério da cidade. A rota é habitualmente utilizada para procissões de xiitas de todo o país, que vêm ao local para realizar funerais.
Soldados
Também nesta sexta-feira, dois soldados americanos morreram em ataques separados no Iraque, segundo um comunicado do Exército americano.
Um dos soldados morreu após sofrer ferimentos durante um ataque contra uma patrulha do Exército a oeste de Bagdá, segundo o comunicado
Em um anúncio separado, o comando do Exército informou sobre a morte de um segundo soldado após a explosão de uma bomba perto de Beiji, 250 quilômetros ao norte de Bagdá. As identidades das vítimas não foram divulgadas.
Com agências internacionais
Especial
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Ataque suicida mata ao menos 71 em mesquita em Bagdá
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da Folha OnlineUm triplo ataque suicida contra uma mesquita xiita em Bagdá matou ao menos 71 pessoas e feriu ao menos 140 nesta sexta-feira. As explosões teriam sido causadas por homens-bomba disfarçados de mulheres.
O atentado ocorreu em Utaifyia, norte da capital iraquiana, na mesquita de Buratha, que é afiliada ao Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque --principal partido xiita do país. A explosão aconteceu no momento em que fiéis deixavam o local, após as orações das sextas-feiras [dia sagrado para os muçulmanos].
| Reuters |
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| Iraquianos socorrem feridos após explosão em mesquita; ao menos 71 morreram no ataque |
Ao final das preces, por volta das 15h (8h de Brasília), os suicidas detonaram os explosivos que carregavam presos ao corpo com cintos. Ao menos um deles estava no interior da mesquita e outro estava entre os fiéis que deixavam o templo.
Disfarce
O líder político xiita Jalal Eddin al Sagheer, membro do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica, e que todas as sextas-feiras lê um sermão na mesquita, saiu ileso do ataque.
Al Sagheer declarou ao canal árabe Al Arabiya que, "segundo as primeiras investigações, uma mulher ou um homem disfarçado de mulher conseguiu se aproximar do posto de segurança da entrada reservada às mulheres". "Foi então que o suicida explodiu sua carga, provocando pânico entre as pessoas, o que permitiu que os outros dois suicidas entrassem na mesquita", acrescentou.
De acordo com o Ministério do Interior do Iraque, as vítimas e os corpos foram levados para hospitais como o Al Sadr e o Kadhimiya.
Salah Abdelrazaq, chefe do governo de Bagdá, pediu aos moradores da capital iraquiana que doem sangue aos hospitais em que as vítimas estão internadas, muitas em estado muito grave.
"Quem quer que esteja por trás deste atentado tenta levar o país a um conflito sectário", disse Abdelrazaq em referência à crescente tensão entre sunitas e xiitas no país.
Anteriormente, o Ministério do Interior havia avisado aos moradores de Bagdá que evitassem aglomerações perto de mesquitas ou mercados, devido à uma ameaça de bomba.
A violência sectária ganhou força no Iraque depois de um atentado contra um dos principais santuários xiitas em Samarra, em 22 de fevereiro.
Desde então, centenas de corpos foram encontrados nas ruas de Bagdá com marcas de tiros, olhos vendados e apresentando sinais de tortura.
O Ministério do Interior avisou também que puniria os policiais "que não tomassem as medidas necessárias para frustrar ataques terroristas em suas áreas", um reconhecimento implícito da infiltração de militantes extremistas em suas fileiras.
Contato com rebeldes
O atentado de hoje é um dos mais graves dos últimos meses. Antes do incidente, o embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Zalmay Khalilzad, afirmara que diminuíram os atentados da insurgência graças, em parte, aos "contatos" que seu governo realizou com grupos rebeldes.
Em declarações à BBC, Khalilzad disse que esses contatos surtiram efeito, já que o número de ataques contra as forças americanas no país teria caído.
O embaixador não especificou com quais grupos foram contatados, mas disse que seu governo não negociaria com terroristas.
O diplomata admitiu que existe um risco real de guerra civil no Iraque devido ao aumento da violência religiosa entre sunitas e xiitas.
Sem avanços na formação do novo governo do Iraque, o embaixador americano disse que a paciência da comunidade internacional com os líderes políticos iraquianos está se esgotando.
A eleição aconteceu em 15 de dezembro de 2005, mas os diferentes partidos não conseguem chegar a um acordo para formar um governo de unidade nacional.
Os xiitas confessionais da Aliança Unida Iraquiana propuseram o nome do atual primeiro-ministro, Ibrahim al Jaafari. Mas ele não teve sucesso em suas negociações para a formação do gabinete, uma vez que todos os demais grupos --xiitas laicos, sunitas e curdos-- se recusam a aceitá-lo como chefe do governo.
Najaf
O novo ataque acontece um dia depois que a explosão de um carro-bomba na cidade xiita de Najaf, 160 km ao sul de Bagdá, matou ao menos dez.
Os atentados são raros em Najaf, que é fortemente vigiada pelas forças de segurança locais por ser um dos principais locais sagrados xiitas.
A explosão aconteceu na rua Tosi, que leva ao principal cemitério da cidade. A rota é habitualmente utilizada para procissões de xiitas de todo o país, que vêm ao local para realizar funerais.
Soldados
Também nesta sexta-feira, dois soldados americanos morreram em ataques separados no Iraque, segundo um comunicado do Exército americano.
Um dos soldados morreu após sofrer ferimentos durante um ataque contra uma patrulha do Exército a oeste de Bagdá, segundo o comunicado
Em um anúncio separado, o comando do Exército informou sobre a morte de um segundo soldado após a explosão de uma bomba perto de Beiji, 250 quilômetros ao norte de Bagdá. As identidades das vítimas não foram divulgadas.
Com agências internacionais
Especial


