07/04/2006
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17h44
da Folha Online
O Iraque passa por um dos momentos "mais críticos e difíceis de sua história", e, se as tropas lideradas pelos Estados Unidos se retirarem agora, "o país entrará em colapso", disse Nesreen Barwari, 40, ministra de Municipalidades e Serviços Públicos do Iraque em entrevista exclusiva à Folha Online, por telefone.
"O momento é bastante crítico e estamos muito preocupados, mas também acreditamos que nossa história, cultura e sabedoria nos façam capazes de superar esse momento", disse Barwari.
A ministra, que visita os EUA apenas por alguns dias como professora-visitante da Universidade de Harvard, deu as declarações em um momento em que a violência sectária é crescente no Iraque, depois do atentado contra um santuário xiita em Samarra, em 22 de fevereiro. Desde então, confrontos entre as duas facções religiosas já deixaram cerca de mil mortos.
Nesta sexta-feira, um triplo ataque suicida matou ao menos 71 pessoas em uma mesquita xiita em Bagdá. Outras dez pessoas morreram ontem em um segundo ataque na cidade sagrada de Najaf, 160 km ao sul de Bagdá.
Para Barwari, a violência no país é causada "por elementos externos", mas também há "fatores internos que devem ser reconhecidos", entre eles, "a falta de confiança entre os diferentes grupos iraquianos".
Governo
De acordo com a ministra, há "um vácuo" na liderança do país devido à demora na formação de um governo de união nacional, o que ela considera muito grave.
"Essa situação dá oportunidade para que a insurgência e as forças que querem impedir o desenvolvimento político do país continuem a agir. A demora em formar um governo de união nacional e em tomar algumas decisões sérias, relativas, por exemplo, ao desarmamento dos grupos rebeldes, à elaboração de um plano de segurança nacional e ao controle da insurgência também agravam a situação. É preciso levar lei e ordem ao país."
Segundo ela, o atraso é natural devido ao processo democrático em curso. "O Iraque é composto por diferentes forças religiosas e políticas. É preciso formar um governo constitucional que envolva todos os grupos, esse é o único caminho para se alcançar a estabilidade no país", afirma.
"Confiança"
Entre as principais causas da demora na formação da nova liderança, Barwari cita a "falta de confiança" entre os diferentes grupos políticos.
"A política de exclusão que esteve vigente por 35 anos durante a era [do ex-ditador] Saddam Hussein dificulta a relação entre os diferentes grupos e causa muitos receios. A atividade insurgente também agrava a falta de confiança entre as diferentes facções",diz.
A ministra afirma, no entanto, que está "otimista" em relação à conquista rápida de um acordo, pois "a demora é muito prejudicial e faz crescer a violência e a divisão no país".
Guerra civil
Questionada se um conflito civil já estaria em curso no Iraque, a ministra diz que "alguns elementos", se não forem controlados, podem levar à escalada para uma guerra civil. No entanto, segundo Barwari, nem o povo iraquiano nem os grupos políticos no país querem ir por esse caminho.
"O grande perigo são os terroristas estrangeiros, que estão fazendo tudo o que podem para levar o Iraque a um conflito civil", diz. "Mas essa não é uma atividade iraquiana, por isso, precisamos formar o quanto antes um governo e uma identidade, para tomar o controle do país", acrescenta.
Tropas dos EUA
Em relação à permanência das tropas americanas no Iraque, a ministra se diz contrária à sua retirada imediata. "Eu acredito em nossa capacidade de controlar nossa própria segurança. No entanto, as forças iraquianas ainda não estão prontas para assumir sozinhas essa responsabilidade, sem a ajuda das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos".
Para Barwari, seu país precisa que as tropas internacionais permaneçam para auxiliar no controle da segurança "neste momento crítico". "Se as tropas saírem agora, o país entrará em colapso", diz.
Segundo a ministra, não é possível dizer ao certo por quanto tempo a permanência das tropas ainda será necessária, pois depende de quanto tempo as forças iraquianas levarão para conseguir assumir a responsabilidade total pela segurança no país. Isso também depende de um plano de segurança nacional", afirma.
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Iraque pode entrar em "colapso", diz ministra iraquiana
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DANIELA LORETOda Folha Online
O Iraque passa por um dos momentos "mais críticos e difíceis de sua história", e, se as tropas lideradas pelos Estados Unidos se retirarem agora, "o país entrará em colapso", disse Nesreen Barwari, 40, ministra de Municipalidades e Serviços Públicos do Iraque em entrevista exclusiva à Folha Online, por telefone.
"O momento é bastante crítico e estamos muito preocupados, mas também acreditamos que nossa história, cultura e sabedoria nos façam capazes de superar esse momento", disse Barwari.
A ministra, que visita os EUA apenas por alguns dias como professora-visitante da Universidade de Harvard, deu as declarações em um momento em que a violência sectária é crescente no Iraque, depois do atentado contra um santuário xiita em Samarra, em 22 de fevereiro. Desde então, confrontos entre as duas facções religiosas já deixaram cerca de mil mortos.
Nesta sexta-feira, um triplo ataque suicida matou ao menos 71 pessoas em uma mesquita xiita em Bagdá. Outras dez pessoas morreram ontem em um segundo ataque na cidade sagrada de Najaf, 160 km ao sul de Bagdá.
Para Barwari, a violência no país é causada "por elementos externos", mas também há "fatores internos que devem ser reconhecidos", entre eles, "a falta de confiança entre os diferentes grupos iraquianos".
Governo
De acordo com a ministra, há "um vácuo" na liderança do país devido à demora na formação de um governo de união nacional, o que ela considera muito grave.
"Essa situação dá oportunidade para que a insurgência e as forças que querem impedir o desenvolvimento político do país continuem a agir. A demora em formar um governo de união nacional e em tomar algumas decisões sérias, relativas, por exemplo, ao desarmamento dos grupos rebeldes, à elaboração de um plano de segurança nacional e ao controle da insurgência também agravam a situação. É preciso levar lei e ordem ao país."
Segundo ela, o atraso é natural devido ao processo democrático em curso. "O Iraque é composto por diferentes forças religiosas e políticas. É preciso formar um governo constitucional que envolva todos os grupos, esse é o único caminho para se alcançar a estabilidade no país", afirma.
"Confiança"
Entre as principais causas da demora na formação da nova liderança, Barwari cita a "falta de confiança" entre os diferentes grupos políticos.
"A política de exclusão que esteve vigente por 35 anos durante a era [do ex-ditador] Saddam Hussein dificulta a relação entre os diferentes grupos e causa muitos receios. A atividade insurgente também agrava a falta de confiança entre as diferentes facções",diz.
A ministra afirma, no entanto, que está "otimista" em relação à conquista rápida de um acordo, pois "a demora é muito prejudicial e faz crescer a violência e a divisão no país".
Guerra civil
Questionada se um conflito civil já estaria em curso no Iraque, a ministra diz que "alguns elementos", se não forem controlados, podem levar à escalada para uma guerra civil. No entanto, segundo Barwari, nem o povo iraquiano nem os grupos políticos no país querem ir por esse caminho.
"O grande perigo são os terroristas estrangeiros, que estão fazendo tudo o que podem para levar o Iraque a um conflito civil", diz. "Mas essa não é uma atividade iraquiana, por isso, precisamos formar o quanto antes um governo e uma identidade, para tomar o controle do país", acrescenta.
Tropas dos EUA
Em relação à permanência das tropas americanas no Iraque, a ministra se diz contrária à sua retirada imediata. "Eu acredito em nossa capacidade de controlar nossa própria segurança. No entanto, as forças iraquianas ainda não estão prontas para assumir sozinhas essa responsabilidade, sem a ajuda das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos".
Para Barwari, seu país precisa que as tropas internacionais permaneçam para auxiliar no controle da segurança "neste momento crítico". "Se as tropas saírem agora, o país entrará em colapso", diz.
Segundo a ministra, não é possível dizer ao certo por quanto tempo a permanência das tropas ainda será necessária, pois depende de quanto tempo as forças iraquianas levarão para conseguir assumir a responsabilidade total pela segurança no país. Isso também depende de um plano de segurança nacional", afirma.
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