Mundo
11/04/2006 - 20h01

ONU teme crise nos territórios palestinos após suspensão de ajuda

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da France Presse, em Gaza

As agências das Nações Unidas nos territórios palestinos temem uma grave crise humanitária, após a suspensão das ajudas diretas concedidas por União Européia (UE) e Estados Unidos ao governo do Hamas.

Estados Unidos e UE prometeram, no entanto, ajudar os palestinos no campo humanitário. A principal preocupação é com o atraso no pagamento dos salários de 140 mil trabalhadores, que sustentam 23% da população palestina, calculada em mais de 3,5 milhões de habitantes.

"É evidente que, se boa parte dos trabalhadores não receber seu salário, mais pessoas vão ficar abaixo do nível de pobreza e se tornar potenciais beneficiárias da ajuda humanitária", comentou o diretor do Programa Alimentar Mundial (PAM) nos territórios palestinos, Arnold Vercken.

"Esperamos apenas que isso não gere uma crise humanitária em larga escala", continuou, destacando que "sintomas indicam que a situação humanitária dos mais pobres se agrava".

John Ging, representante da agência das Nações Unidas para a ajuda aos refugiados da Palestina (UNRWA) na faixa de Gaza, lembrou que "a população de Gaza é extremamente dependente da ajuda dos doadores".

Ging chamou a atenção para as conseqüências envolvendo a segurança: "Se não pagarem as forças de segurança, como expressarão sua frustração? Quais serão as repercussões na segurança de Gaza?"

A Organização Mundial de Saúde (OMS) também chamou a atenção para uma eventual falência do sistema público de saúde palestino se faltarem recursos.

Estados Unidos e UE anunciaram que, para continuar ajudando, exigem que o governo do movimento islâmico radical Hamas renuncie à violência, reconheça o direito de Israel à existência e os acordos assinados pelos palestinos.

Ambas as potências disseram não ter a intenção de punir a população palestina por ter escolhido o Hamas e anunciaram que irão dirigir sua ajuda de outro modo, principalmente por meio das Nações Unidas.

As agências da ONU reclamam da falta crônica de fundos e do não-cumprimento das promessas feitas pelos doadores. Segundo John Ging, apenas US$ 14 milhões foram recebidos após um chamado de emergência da UNRWA para 2006. A agência precisa de US$ 95 milhões.

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