Mundo
10/05/2006 - 10h19

Rice elogia Lula e afirma que poderia ter nascido brasileira

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SÉRGIO DÁVILA,
da Folha de S.Paulo, em Washington

A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez pelo posto de líder latino-americano ganhou uma jogadora de peso. No esforço mais evidente até agora de mostrar sua opção pelo brasileiro sobre o venezuelano na queda-de-braço que se seguiu às nacionalizações na Bolívia, Condoleezza Rice elogiou o programa educacional do Brasil e chegou a dizer que seus ancestrais poderiam ter sido brasileiros.

"Eu sei que o presidente Lula, do Brasil, tem dado grande ênfase à educação", afirmou a chanceler norte-americana em discurso na sexta-feira, cujo íntegra só foi tornada pública anteontem à noite. Ela participava do encerramento do ciclo "Espaço EUA --Vanguarda Latina 2006", no Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington.

"Quando estive no Brasil, recentemente", continuou, "tive uma conversa muito interessante sobre afro-brasileiros porque, é claro, meus ancestrais poderiam muito bem ter acabado no Brasil, em vez de no Alabama. Fazia parte do comércio transatlântico de escravos. E, ao olhar como essas diferentes populações estão começando a afetar seus ambientes domésticos, enxergamos o que é melhor sobre a democracia, mas, mais importante, sobre a democracia multirracial".

A secretaria de Estado, que vem sendo questionada por ter sido surpreendida pelas decisões recentes do presidente boliviano, Evo Morales, e por fazer parte de uma administração que deixou a América Latina em segundo plano por conta da chamada Guerra ao Terror, fez um mea culpa: "Eu quero estar mais presente no continente, porque essa é a nossa vizinhança", disse, "um lugar com o qual dividimos fronteira".

Segundo Rice, o principal problema da região hoje em dia "é que os governos democráticos estão tendo dificuldade em cumprir o que prometeram à população, e a população está ficando impaciente". "Quando os cidadãos perguntam "o que a democracia está fazendo por meus filhos e por minha família e por meus anseios", nós temos de ter uma resposta para isso", declarou.

Como prova de sua preocupação, disse a secretária de Estado, a administração de George W. Bush teria "dobrado" a ajuda oficial para a América Latina, e essa ajuda, mais a expansão da zona de livre comércio e de oportunidades na região, "não levam em conta a posição dos governos no espectro político".

No domingo, analistas haviam criticado na Folha o órgão do governo norte-americano por sua falta de política para o continente.

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