11/07/2006
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11h29
da France Presse, em Seul
O lançamento do míssil de longo alcance de Pyongyang, apesar de não ter chegado muito longe, ao menos deu a Kim Jong-il [presidente norte-coreano] o gosto de ver o acirramento das divergências regionais e como a comunidade internacional parece incapaz de preparar uma resposta unida.
Enquanto Japão e Estados Unidos defendem uma posição firme para pedir sanções, China e Rússia demonstram reticências.
Na crise dos mísseis norte-coreanos, Pequim e Moscou propõem moderação e se conformariam com um comunicado que não vá alem da simples condenação verbal.
Sinal da divergência diplomática, a votação de um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) condenando a Coréia do Norte pelos testes foi adiado ontem.
Coréia do Sul, no meio do fogo cruzado --entre o aliado americano e o vizinho do norte com o qual iniciou um processo de reconciliação em 2000--, também parece pouco disposta a alinhar-se com o Japão, do qual guarda um forte ressentimento desde a ocupação nipônica da península entre 1910 e 1945.
Seul criticou a posição de Tóquio, que não descarta a possibilidade de ataques preventivos em caso de ameaça nuclear direta de Pyongyang.
"Esta eventualidade traduz uma evolução inquietante. Temos que manter nossa vigilância, pois deixa claro a natureza expansionista do Japão" disse Jung Tae-Ho, porta-voz do presidente Roh Moo-Hyun.
Seul, cidade para a qual apontam há vários anos os mísseis norte-coreanos, não parece mostrar muita preocupação.
No último dia 4, a Coréia do Norte lançou sete mísseis, um deles intercontinental, que caíram no mar, diante das costas japonesas e russas.
Para Robert Dujarric, especialista em Coréia do Norte que trabalha em Tóquio, esta provocação balística tinha como principal intenção dividir os vizinhos e levar a Coréia do Sul para seu lado. "Ao fazer declarações incendiárias esperam provocar declarações idênticas dos EUA, ou mais ainda do Japão, criando uma divisão de maneira que a resposta sul-coreana seja muito moderada, e até conciliadora", disse. "Poderiam dizer então: 'Vejam, tentamos participar nas negociações, mas EUA e Japão as tornam impossíveis'. Muitos sul-coreanos acreditarão", explica.
No entanto, o tom provocador da Coréia do Norte também pode resultar em uma volta atrás da Coréia do Sul, segundo alguns analistas.
"O Norte não joga muito bem a carta sul-coreana", afirma Peter Beck, especialista em nordeste asiático da organização independente International Crisis Group. "No momento, Seul se recusa a agir com rigor, mas no fim das contas, quanto menos maneável se tornar a posição do Norte, mais difícil se fará a situação para o governo", acrescenta.
Especial
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Análise: Crise dos mísseis norte-coreanos aprofunda divisões regionais
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SHAUN TANDONda France Presse, em Seul
O lançamento do míssil de longo alcance de Pyongyang, apesar de não ter chegado muito longe, ao menos deu a Kim Jong-il [presidente norte-coreano] o gosto de ver o acirramento das divergências regionais e como a comunidade internacional parece incapaz de preparar uma resposta unida.
Enquanto Japão e Estados Unidos defendem uma posição firme para pedir sanções, China e Rússia demonstram reticências.
Na crise dos mísseis norte-coreanos, Pequim e Moscou propõem moderação e se conformariam com um comunicado que não vá alem da simples condenação verbal.
Sinal da divergência diplomática, a votação de um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) condenando a Coréia do Norte pelos testes foi adiado ontem.
Coréia do Sul, no meio do fogo cruzado --entre o aliado americano e o vizinho do norte com o qual iniciou um processo de reconciliação em 2000--, também parece pouco disposta a alinhar-se com o Japão, do qual guarda um forte ressentimento desde a ocupação nipônica da península entre 1910 e 1945.
Seul criticou a posição de Tóquio, que não descarta a possibilidade de ataques preventivos em caso de ameaça nuclear direta de Pyongyang.
"Esta eventualidade traduz uma evolução inquietante. Temos que manter nossa vigilância, pois deixa claro a natureza expansionista do Japão" disse Jung Tae-Ho, porta-voz do presidente Roh Moo-Hyun.
Seul, cidade para a qual apontam há vários anos os mísseis norte-coreanos, não parece mostrar muita preocupação.
No último dia 4, a Coréia do Norte lançou sete mísseis, um deles intercontinental, que caíram no mar, diante das costas japonesas e russas.
Para Robert Dujarric, especialista em Coréia do Norte que trabalha em Tóquio, esta provocação balística tinha como principal intenção dividir os vizinhos e levar a Coréia do Sul para seu lado. "Ao fazer declarações incendiárias esperam provocar declarações idênticas dos EUA, ou mais ainda do Japão, criando uma divisão de maneira que a resposta sul-coreana seja muito moderada, e até conciliadora", disse. "Poderiam dizer então: 'Vejam, tentamos participar nas negociações, mas EUA e Japão as tornam impossíveis'. Muitos sul-coreanos acreditarão", explica.
No entanto, o tom provocador da Coréia do Norte também pode resultar em uma volta atrás da Coréia do Sul, segundo alguns analistas.
"O Norte não joga muito bem a carta sul-coreana", afirma Peter Beck, especialista em nordeste asiático da organização independente International Crisis Group. "No momento, Seul se recusa a agir com rigor, mas no fim das contas, quanto menos maneável se tornar a posição do Norte, mais difícil se fará a situação para o governo", acrescenta.
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