Mundo
12/07/2006 - 09h05

Hizbollah seqüestra 2 soldados israelenses; tropas invadem Líbano

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da Folha Online

Tropas terrestres do Exército israelense entraram em território libanês nesta quarta-feira depois que o Hizbollah [grupo terrorista libanês que recebe apoio sírio e iraniano] anunciou o seqüestro de dois soldados israelenses, informou a TV libanesa. Três soldados israelenses morreram durante a ação do Hizbollah.

Segundo a rede de TV, soldados israelenses entraram em território libanês com apoio de tanques. Aviões militares e a artilharia israelense também realizam ataques contra o Líbano.

O Hizbollah é considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos. No Líbano, não é visto como uma entidade terrorista, mas como um grupo de resistência contra a invasão israelense ao país, em 1982. O grupo também é um dos principais partidos libaneses, realiza ações humanitárias e possui uma rede de escolas e hospitais.

O novo seqüestro acontece após a crise iniciada pela captura do soldado israelense Gilad Shalit, 19, mantido em cativeiro por extremistas palestinos desde 25 de junho. Após a ação, Israel lançou uma ampla ofensiva na faixa de Gaza, que já matou cerca de 80 palestinos.

O Hizbollah anunciou o seqüestro na manhã de hoje. O Exército israelense confirmou que dois soldados desapareceram na fronteira com o Líbano.

Na ação, membros do grupo extremista atacaram dois veículos militares que patrulhavam a área da fronteira usando armas de fogo e explosivos. Em seguida, seqüestraram dois soldados e feriram outros que estavam nos veículos Hummer.

Logo após a ação, a rede de TV libanesa Al Manar divulgou imagens de membros do Hizbollah exigindo que Israel liberte prisioneiros libaneses detidos em território israelense --principalmente o extremista Samir al Kuntar.

"Cumprindo sua promessa para libertar os prisioneiros [libaneses], a resistência islâmica capturou dois soldados israelenses na fronteira com os territórios palestinos ocupados", diz o grupo extremista libanês em um comunicado.

O anúncio afirma ainda que os reféns foram transferidos para "um local seguro", sem revelar o paradeiro e as condições dos dois soldados.

Ataques

Tropas de Israel responderam aos ataques com artilharia pesada e tanques. Soldados bloquearam ruas e pontes na região. Operações aéreas visam impedir que membros do Hizbollah deixem a área levando os reféns israelenses.

Segundo fontes da segurança do Líbano, dois civis morreram e um soldado ficou ferido em um ataque aéreo israelense contra uma ponte no sul do país na região costeira de Qasmiyeh.

Os confrontos tiveram início depois que dois foguetes foram lançados do sul do Líbano e caíram perto de Shlomi, 15 quilômetros ao leste da costa Mediterrânea. Membros do Hizbollah também atacaram postos militares na região das fazendas de Chebaa, segundo fontes da segurança.

"Preço"

Em resposta à violência, o premiê israelense Ehud Olmert afirmou que inimigos estão "testando" Israel, mas irão falhar em seus esforços e pagarão um "alto preço" por suas ações.

Olmert convocou uma reunião extraordiária de seu gabinete para esta quarta-feira, para discutir o incidente. "São dias difíceis para Israel e para seus cidadãos", afirmou o premiê.

"Há pessoas, no norte e no sul, que ameaçam a nossa estabilidade e tentam testar nossa determinação. Eles falharão e pagarão um alto preço por suas ações".

Segundo a mídia israelense, antes da reunião de gabinete, Olmert iria se reunir com autoridades militares e de segurança para estudar uma resposta à ação na fronteira com o Líbano.

O ministro israelense da Defesa, Amir Peretz, exigiu que o governo libanês aja imediatamente para resolver a crise e que o Líbano tem "responsabilidade direta" pelo destino dos soldados.

"O governo do Líbano é responsável pelo destino dos soldados israelenses e deve agir imediatamente para fazer com que eles retornem a Israel a salvo", disse o Ministério em um comunicado.

União Européia

A União Européia (UE) pediu a libertação imediata dos dois soldados e disse que a fronteira entre Israel e o Líbano deve ser respeitada. "Estamos muito preocupados com este grave incidente e com suas conseqüências", afirmou a porta-voz da Comissão Européia, Emma Udwin.

"Nós condenamos fortemente o seqüestro dos soldados israelenses e pedimos que ele seja libertado imediatamente".

Segundo Udwin, a fronteira entre Israel e o Líbano deve ser respeitada por ambas as partes. "Pedimos que todos se esforcem para dar fim à violência".

Com agências internacionais

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