12/07/2006
-
19h09
Oito soldados israelenses foram mortos e outros dois seqüestrados nesta quarta-feira pelo Hizbollah [grupo terrorista libanês que recebe apoio sírio e iraniano]. Em resposta, tropas israelenses invadiram e atacaram o sul do Líbano após a ação, causando a morte de dois civis.
O Exército de Israel anunciou ter perdido oito soldados nesta quarta-feira no Líbano: três num ataque do Hizbollah, quatro na explosão de um tanque que entrou no Líbano para resgatar os dois militares capturados e um oitavo que participava da operação para recuperar esses corpos.
Ataques de Israel deixaram ao menos 23 palestinos mortos na faixa de Gaza nesta quarta-feira, incluindo nove membros da família de um terrorista do grupo Hamas, em meio à escalada que se intensifica no território, informaram testemunhas e autoridades palestinas. Israel definiu o alvo com base em dados da inteligência que informaram que o local abrigava líderes do braço armado do Hamas.
O saldo de mortos de hoje é o maior em um único dia desde que Israel lançou uma ofensiva na faixa de Gaza, em 28 de junho, para resgatar um soldado seqüestrado e suspender os ataques com foguetes caseiros contra o território israelense. Esta quarta-feira também teve o maior número de palestinos mortos em um dia desde setembro de 2004.
O Hizbollah é considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos. No Líbano, não é visto como uma entidade terrorista, mas como um grupo de resistência contra a invasão israelense ao país, em 1982. O grupo também é um dos principais partidos libaneses, realiza ações humanitárias e possui uma rede de escolas e hospitais.
Na ação, membros do grupo extremista atacaram dois veículos militares que patrulhavam a área da fronteira usando armas de fogo e explosivos. Em seguida, seqüestraram dois soldados e feriram outros que estavam nos veículos Hummer.
A rede de TV libanesa Al Manar divulgou imagens de membros do Hizbollah exigindo que Israel liberte libaneses detidos em território israelense --principalmente o extremista Samir al Quntar.
Ele cumpre 542 anos de prisão e é acusado de um seqüestro ocorrido em 1979, no qual o israelense Danny Haran, 28, e sua filha de quatro anos foram mortos.
"Cumprindo sua promessa para libertar os prisioneiros [libaneses], a resistência islâmica capturou dois soldados israelenses na fronteira com os territórios palestinos ocupados", diz o grupo extremista libanês em um comunicado.
O anúncio afirma ainda que os reféns foram transferidos para "um local seguro", sem revelar o paradeiro e as condições dos dois soldados.
Resposta
O Exército israelense respondeu aos ataques com artilharia pesada e tanques. Soldados bloquearam ruas e pontes na região. Operações aéreas visam impedir que membros do Hizbollah deixem a área levando os reféns israelenses.
Segundo o Hizbollah, membros do grupo destruíram um tanque israelense que tentava atravessar a fronteira com o Líbano. Membros do Hizbollah também atacaram postos militares na região das fazendas de Chebaa, segundo fontes da segurança.
De acordo com fontes da segurança do Líbano, dois civis morreram e um soldado ficou ferido em um ataque aéreo israelense contra uma ponte na região costeira de Qasmiyeh.
Os confrontos tiveram início depois que dois foguetes foram lançados do sul do Líbano e caíram perto de Shlomi, 15 quilômetros ao leste da costa mediterrânea.
O Exército também ordenou que as tropas destacadas na fronteira com o Líbano e com Gaza fiquem em alerta máximo devido ao risco de lançamento de foguetes Katyusha e Qassam.
Gaza
Aviões israelenses bombardearam a casa de uma importante autoridade do grupo terrorista e partido político Hamas na Cidade de Gaza. Morreram na explosão --que provocou o desmoronamento do prédio de três andares-- o extremista Nabil Abu Salmiyeh, a mulher dele, cinco filhos do casal e mais dois parentes.
Equipes de resgate informaram que outras quatro pessoas ficaram soterradas no desabamento e que ao menos 24 ficaram feridas. As idades dos filhos do membro do Hamas morto variavam entre quatro e 18 anos, segundo fontes médicas.
Autoridades da segurança palestina afirmaram que sete ou oito líderes do Hamas estavam presentes no prédio.
Um dos chefes do Hamas que lidera a lista de terroristas procurados pelo governo israelense estava entre os feridos. Mohammed Deif foi socorrido com ferimentos graves e submetido a uma cirurgia na espinha, segundo fontes da segurança palestina.
Esta foi a quarta tentativa de Israel de matar Deif, acusado de ser o mentor de vários ataques terroristas contra alvos israelenses. Em 2002, em um ataque com míssil, o chefe do Hamas foi ferido na vista e e perdeu um olho.
Mais tarde, dois mísseis israelenses mataram ao menos outros cinco palestinos, com idades entre 15 e 20 anos, na região central de Gaza.
Outros nove palestinos foram mortos em ofensivas com tanques e bombardeios em várias partes da faixa de Gaza nesta quarta-feira, segundo autoridades palestinas.
Além de extremistas e civis, um policial estava entre os 23 palestinos mortos hoje por forças israelenses, informaram fontes médicas.
"Preço"
Em resposta à violência, o premiê israelense, Ehud Olmert, afirmou que inimigos estão "testando" Israel, mas irão falhar em seus esforços e pagarão um "alto preço" por suas ações.
Olmert convocou uma reunião extraordinária de seu gabinete para esta quarta-feira, para discutir o incidente. "São dias difíceis para Israel e para seus cidadãos", afirmou o premiê.
O governo israelense autorizou as ações militares no Líbano durante uma reunião de emergência na noite desta quarta-feira.
Anteriormente, 6.000 reservistas já haviam sido mobilizados e estavam prontos para serem deslocados para a fronteira.
Depois do ataque do Hizbollah, o Exército israelense lançou uma operação sem precedentes desde sua retirada do sul do Líbano em 2000.
"Há pessoas, no norte e no sul, que ameaçam a nossa estabilidade e tentam testar nossa determinação. Eles falharão e pagarão um alto preço por suas ações."
O ministro israelense da Defesa, Amir Peretz, exigiu que o governo libanês aja imediatamente para resolver a crise e que o Líbano tem "responsabilidade direta" pelo destino dos soldados.
"O governo do Líbano é responsável pelo destino dos soldados israelenses e deve agir imediatamente para fazer com que eles retornem a Israel a salvo", disse o ministério em um comunicado.
Síria
Nesta quarta-feira, o vice-presidente sírio, Farouk al Shara, disse que a ocupação israelense de diferentes áreas de outros países é a principal razão da atual crise na região e da escalada de violência nos territórios palestinos e no Líbano.
As palavras de Shara parecem uma resposta implícita ao primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que declarou hoje que a "Síria demonstra a si mesma que é um Estado terrorista em sua natureza", horas depois do seqüestro de dois soldados israelenses realizado por membros do Hizbollah em ataque na fronteira do sul do Líbano.
O Hizbollah exigiu de Israel a libertação de todos os árabes detidos em prisões israelenses em troca da libertação dos militares capturados hoje.
EUA
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, condenou o seqüestro, dizendo que a ação "prejudica a estabilidade da região".
Ela pediu que a Síria "use sua influência para dar apoio a um desfecho positivo" e pediu que os dois lados repudiem o que qualificou de "ato de guerra" cometido pelo Líbano.
"A ação do Hizbollah mina a estabilidade da região e vai contra os interesses do povo israelense e libanês", afirmou Rice em um comunicado divulgado na França.
Apesar de condenar a ação, Rice alertou Israel --o principal aliado dos EUA no Oriente Médio-- para que não tenha uma reação exagerada. "Todos os lados devem agir para resolver este incidente pacificamente e proteger vidas inocentes de civis", disse Rice em um comunicado.
Com agências internacionais
Leia mais
Ação do Hizbollah representa derrota para Israel, diz professor
Síria culpa ocupação israelense por crise
Especial
Leia o que já publicado sobre o Hizbollah
Leia cobertura completa sobre a crise no Oriente Médio
Hizbollah mata 8 e faz reféns 2 soldados israelenses; Israel reage
Publicidade
da Folha OnlineOito soldados israelenses foram mortos e outros dois seqüestrados nesta quarta-feira pelo Hizbollah [grupo terrorista libanês que recebe apoio sírio e iraniano]. Em resposta, tropas israelenses invadiram e atacaram o sul do Líbano após a ação, causando a morte de dois civis.
O Exército de Israel anunciou ter perdido oito soldados nesta quarta-feira no Líbano: três num ataque do Hizbollah, quatro na explosão de um tanque que entrou no Líbano para resgatar os dois militares capturados e um oitavo que participava da operação para recuperar esses corpos.
Ataques de Israel deixaram ao menos 23 palestinos mortos na faixa de Gaza nesta quarta-feira, incluindo nove membros da família de um terrorista do grupo Hamas, em meio à escalada que se intensifica no território, informaram testemunhas e autoridades palestinas. Israel definiu o alvo com base em dados da inteligência que informaram que o local abrigava líderes do braço armado do Hamas.
O saldo de mortos de hoje é o maior em um único dia desde que Israel lançou uma ofensiva na faixa de Gaza, em 28 de junho, para resgatar um soldado seqüestrado e suspender os ataques com foguetes caseiros contra o território israelense. Esta quarta-feira também teve o maior número de palestinos mortos em um dia desde setembro de 2004.
O Hizbollah é considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos. No Líbano, não é visto como uma entidade terrorista, mas como um grupo de resistência contra a invasão israelense ao país, em 1982. O grupo também é um dos principais partidos libaneses, realiza ações humanitárias e possui uma rede de escolas e hospitais.
Na ação, membros do grupo extremista atacaram dois veículos militares que patrulhavam a área da fronteira usando armas de fogo e explosivos. Em seguida, seqüestraram dois soldados e feriram outros que estavam nos veículos Hummer.
A rede de TV libanesa Al Manar divulgou imagens de membros do Hizbollah exigindo que Israel liberte libaneses detidos em território israelense --principalmente o extremista Samir al Quntar.
Ele cumpre 542 anos de prisão e é acusado de um seqüestro ocorrido em 1979, no qual o israelense Danny Haran, 28, e sua filha de quatro anos foram mortos.
"Cumprindo sua promessa para libertar os prisioneiros [libaneses], a resistência islâmica capturou dois soldados israelenses na fronteira com os territórios palestinos ocupados", diz o grupo extremista libanês em um comunicado.
O anúncio afirma ainda que os reféns foram transferidos para "um local seguro", sem revelar o paradeiro e as condições dos dois soldados.
Resposta
O Exército israelense respondeu aos ataques com artilharia pesada e tanques. Soldados bloquearam ruas e pontes na região. Operações aéreas visam impedir que membros do Hizbollah deixem a área levando os reféns israelenses.
Segundo o Hizbollah, membros do grupo destruíram um tanque israelense que tentava atravessar a fronteira com o Líbano. Membros do Hizbollah também atacaram postos militares na região das fazendas de Chebaa, segundo fontes da segurança.
De acordo com fontes da segurança do Líbano, dois civis morreram e um soldado ficou ferido em um ataque aéreo israelense contra uma ponte na região costeira de Qasmiyeh.
Os confrontos tiveram início depois que dois foguetes foram lançados do sul do Líbano e caíram perto de Shlomi, 15 quilômetros ao leste da costa mediterrânea.
O Exército também ordenou que as tropas destacadas na fronteira com o Líbano e com Gaza fiquem em alerta máximo devido ao risco de lançamento de foguetes Katyusha e Qassam.
Gaza
Aviões israelenses bombardearam a casa de uma importante autoridade do grupo terrorista e partido político Hamas na Cidade de Gaza. Morreram na explosão --que provocou o desmoronamento do prédio de três andares-- o extremista Nabil Abu Salmiyeh, a mulher dele, cinco filhos do casal e mais dois parentes.
Equipes de resgate informaram que outras quatro pessoas ficaram soterradas no desabamento e que ao menos 24 ficaram feridas. As idades dos filhos do membro do Hamas morto variavam entre quatro e 18 anos, segundo fontes médicas.
Autoridades da segurança palestina afirmaram que sete ou oito líderes do Hamas estavam presentes no prédio.
Um dos chefes do Hamas que lidera a lista de terroristas procurados pelo governo israelense estava entre os feridos. Mohammed Deif foi socorrido com ferimentos graves e submetido a uma cirurgia na espinha, segundo fontes da segurança palestina.
Esta foi a quarta tentativa de Israel de matar Deif, acusado de ser o mentor de vários ataques terroristas contra alvos israelenses. Em 2002, em um ataque com míssil, o chefe do Hamas foi ferido na vista e e perdeu um olho.
Mais tarde, dois mísseis israelenses mataram ao menos outros cinco palestinos, com idades entre 15 e 20 anos, na região central de Gaza.
Outros nove palestinos foram mortos em ofensivas com tanques e bombardeios em várias partes da faixa de Gaza nesta quarta-feira, segundo autoridades palestinas.
Além de extremistas e civis, um policial estava entre os 23 palestinos mortos hoje por forças israelenses, informaram fontes médicas.
"Preço"
Em resposta à violência, o premiê israelense, Ehud Olmert, afirmou que inimigos estão "testando" Israel, mas irão falhar em seus esforços e pagarão um "alto preço" por suas ações.
Olmert convocou uma reunião extraordinária de seu gabinete para esta quarta-feira, para discutir o incidente. "São dias difíceis para Israel e para seus cidadãos", afirmou o premiê.
O governo israelense autorizou as ações militares no Líbano durante uma reunião de emergência na noite desta quarta-feira.
Anteriormente, 6.000 reservistas já haviam sido mobilizados e estavam prontos para serem deslocados para a fronteira.
Depois do ataque do Hizbollah, o Exército israelense lançou uma operação sem precedentes desde sua retirada do sul do Líbano em 2000.
"Há pessoas, no norte e no sul, que ameaçam a nossa estabilidade e tentam testar nossa determinação. Eles falharão e pagarão um alto preço por suas ações."
O ministro israelense da Defesa, Amir Peretz, exigiu que o governo libanês aja imediatamente para resolver a crise e que o Líbano tem "responsabilidade direta" pelo destino dos soldados.
"O governo do Líbano é responsável pelo destino dos soldados israelenses e deve agir imediatamente para fazer com que eles retornem a Israel a salvo", disse o ministério em um comunicado.
Síria
Nesta quarta-feira, o vice-presidente sírio, Farouk al Shara, disse que a ocupação israelense de diferentes áreas de outros países é a principal razão da atual crise na região e da escalada de violência nos territórios palestinos e no Líbano.
As palavras de Shara parecem uma resposta implícita ao primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que declarou hoje que a "Síria demonstra a si mesma que é um Estado terrorista em sua natureza", horas depois do seqüestro de dois soldados israelenses realizado por membros do Hizbollah em ataque na fronteira do sul do Líbano.
O Hizbollah exigiu de Israel a libertação de todos os árabes detidos em prisões israelenses em troca da libertação dos militares capturados hoje.
EUA
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, condenou o seqüestro, dizendo que a ação "prejudica a estabilidade da região".
Ela pediu que a Síria "use sua influência para dar apoio a um desfecho positivo" e pediu que os dois lados repudiem o que qualificou de "ato de guerra" cometido pelo Líbano.
"A ação do Hizbollah mina a estabilidade da região e vai contra os interesses do povo israelense e libanês", afirmou Rice em um comunicado divulgado na França.
Apesar de condenar a ação, Rice alertou Israel --o principal aliado dos EUA no Oriente Médio-- para que não tenha uma reação exagerada. "Todos os lados devem agir para resolver este incidente pacificamente e proteger vidas inocentes de civis", disse Rice em um comunicado.
Com agências internacionais
Leia mais
Especial

