Mundo
13/07/2006 - 23h10

Israel ataca quartel-general do Hizbollah no subúrbio de Beirute

Publicidade
da France Presse, em Beirute
da Folha Online

A aviação israelense atacou na madrugada desta sexta-feira (noite de quinta-feira no Brasil) o bairro onde fica a sede do comando do grupo terrorista libanês Hizbollah, na periferia sul de Beirute, assim como várias pontes neste setor.

Os caças-bombardeiros lançaram mísseis sobre o bairro do subúrbio sul de Beirute onde fica o quartel-general do grupo. Um fotógrafo da France Presse foi impedido de se aproximar do setor por um cordão de isolamento estabelecido por militantes do Hizbollah.

Na mesma região, os ataques também se voltaram contra uma ponte que leva à antiga estrada do Aeroporto Internacional de Beirute e destruíram outra ponte, em Bir el Abed. A praça de Ghbayré também foi destruída nos bombardeios.

Os ataques continuam sobre a área, e a defesa antiaérea está em ação. Ainda não há informação de vítimas.

A central elétrica de Jiyé, no litoral ao sul de Beirute, também foi atingida na madrugada desta sexta-feira pelos bombardeios israelenses, anunciou a polícia.

Parte da usina elétrica de Jiyé, cerca de 25 km ao sul de Beirute, se incendiou, relatou um oficial de polícia.

A recente onda de violência entre Israel e Líbano, iniciada após a morte de oito soldados israelenses e o seqüestro de outros dois ontem, pelo grupo terrorista libanês Hizbollah, já deixou várias vítimas de ambos os lados: um morto e cem feridos em Israel contra 53 mortos e 103 feridos no Líbano [incluindo quatro brasileiros da mesma família].

A mais recente onda de violência envolvendo Israel e Líbano desencadeou uma fuga em massa de brasileiros e outros estrangeiros que vivem no sul do território libanês em direção à Síria.

Israel intensificou a ofensiva na região nesta quinta-feira. Um bloqueio naval foi imposto e uma rede de TV ligada ao Hizbollah [grupo extremista islâmico libanês que recebe apoio sírio e iraniano] foi bombardeada.

Mísseis israelenses foram lançados contra o aeroporto internacional de Beirute, forçando seu fechamento e o desvio dos vôos para Chipre.

Foi a primeira vez desde a invasão israelense do Líbano, em 1982, que o aeroporto foi atingido por Israel. Em 1968, Israel explodiu 13 aviões de passageiros em Beirute, em retaliação ao ataque de militantes libaneses contra um avião israelense em Atenas.

Moderação

Os Estados Unidos estão preocupados com a escalada da violência no Líbano e pediram nesta quinta-feira que Israel dê provas de moderação.

"Continuamos pedindo aos israelenses que tenham moderação, que se preocupem com as vítimas civis, com as infra-estruturas civis", disse a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice.

"Não ajuda especular sobre roteiros apocalípticos", afirmou Rice durante a visita do presidente George W. Bush à Alemanha. "Devemos trabalhar dia a dia, hora após hora" para solucionar a crise, ressaltou.

Rice e o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, insistiram em que Israel "compreenda" a necessidade de moderar sua ofensiva militar, deflagrada pela captura de dois soldados e pelo disparo de foguetes contra seu território por parte do movimento xiita libanês Hizbollah.

Crítica indireta

A Arábia Saudita criticou indiretamente as práticas do grupo terrorista libanês Hizbollah, classificando-as de "aventureirismo", depois que o movimento xiita libanês capturou dois soldados israelenses, provocando uma sangrenta ofensiva de Israel no Líbano, de acordo com nota divulgada nesta quinta-feira à noite pela agência oficial SPA.

Segundo a agência, que cita uma fonte oficial, o reino saudita acompanha com profunda preocupação os acontecimentos dolorosos e assassinatos no Líbano e nos territórios palestinos.

"A Arábia Saudita julga necessário fazer uma distinção entre a resistência legítima e o aventureirismo irresponsável adotado por alguns elementos no Estado e sem seu conhecimento, sem se referir à autoridade legítima e sem coordenação e consulta com os países árabes (...)", completou o texto.

O Hizbollah é representado por ministros no governo libanês, que rejeitou qualquer responsabilidade na captura dos dois militares israelenses, afirmando não ter sido comunicado da operação lançada na quarta-feira, na fronteira com Israel.

Leia mais
  • Governo do Líbano pede cessar-fogo e fim de ataques de Israel
  • Ataque de Israel mata família brasileira no sul do Líbano
  • Foguetes atingem região israelense de Haifa; Hizbollah nega ação
  • Ação do Hizbollah representa derrota para Israel, diz professor

    Especial
  • Veja fotos da atual onda de violência entre Israel e Líbano
  •  

    FolhaShop

    Digite produto
    ou marca