Mundo
18/07/2006 - 20h40

Médica é acusada de aplicar injeções letais em vítimas do Katrina

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da Efe, em Washington

Uma médica e duas enfermeiras foram acusadas nesta terça-feira de assassinato em segundo grau por supostamente terem aplicado injeções letais em quatro pacientes em um hospital de Nova Orleans (EUA), depois da passagem do furacão Katrina no ano passado.

A oncologista Anna Pou e as enfermeiras Lori Budo e Cheri Landry foram acusadas de injetar "doses letais de morfina e do sedativo Midazolam", segundo explicou o promotor-geral do Estado da Louisiana, Charles Foti, em entrevista coletiva.

As acusações são resultado das 73 investigações abertas contra vários funcionários do Memorial Hospital de Nova Orleans, depois da descoberta de 34 corpos após a passagem do furacão.

O número de cadáveres levantou suspeitas de que vítimas do fenômeno natural podem ter sido submetidas a uma eutanásia passiva para atenuar a dor que sofriam pelos danos causados pelo Katrina.

"Estamos falando de pessoas que acharam que talvez fossem Deus e tomaram essa decisão", declarou Foti, que acrescentou que médicos e enfermeiras sabiam das "condições horrendas existentes na região após o Katrina, que deixou muitos sem comida, água, energia elétrica e necessidades básicas, mas que não há desculpas suficientes para justificar a morte intencional de outro ser humano".

Em declaração jurada em poder do Departamento de Justiça da Louisiana, Pou afirmou à uma enfermeira-chefe que administraria "dose letais" aos pacientes que não pudessem ser retirados.

Familiares e advogados reiteraram a inocência de Pou.

Mais de 200 pacientes de 13 albergues e seis hospitais da região morreram após a passagem do Katrina, em 29 de agosto de 2005, o que levou à abertura de várias investigações criminais.

Após o furacão, o Memorial Hospital de Nova Orleans ficou sem energia elétrica e as temperaturas eram superiores a 38 graus centígrados. O local pertence à companhia Tenet Healthcare Corp, empresa que hoje anunciou ter chegado a um acordo para vender três centros hospitalares, entre eles o de Nova Orleans.

Em comunicado, a Tenet Healthcare Corp acrescenta que a prática da eutanásia é "repugnante", e que as três pessoas detidas adotaram a decisão sem o conhecimento de seus superiores.

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