20/07/2006
-
13h29
da Folha Online, em Brasília
O ministro da Defesa, Waldir Pires, disse nesta quinta-feira que o segundo avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que retirará brasileiros do Líbano parte amanhã, da base aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.
O Boeing 707 da FAB [capacidade para 160 passageiros], que deve partir às 9h, aterrissará em Adana, na Turquia.
Ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, já havia dito que a segunda operação para retirada de brasileiros estava sendo montada. Cerca de 700 brasileiros estão esperando para sair do Líbano por causa da violência entre Israel e o grupo terrorista Hizbollah. Deles, 500 já entraram em contato com o consulado de Beirute, outros cem com a embaixada de Amã, na Jordânia e o mesmo número com a embaixada de Damasco, na Síria.
Questionado sobre as críticas de familiares de brasileiros que estão encontrando dificuldade em deixar a região de conflito e voltar para o Brasil, Pires disse que o resgate envolve questões logísticas, e que o governo está fazendo o que pode na medida de suas forças.
Pires também afirmou que a orientação do governo é a de dar apoio aos brasileiros na região o mais rápido possível, retirando-os das áreas de maior perigo e elaborando um programa para trazê-los ao Brasil.
Desde o início dos conflitos no último dia 12, sete brasileiros morreram vítimas de ataques israelenses ao Líbano. A crise teve início com o seqüestro de dois soldados israelenses pelo Hizbollah, que também deixou outros oito soldados mortos. Em nove dias de ataques, o saldo de 300 mortos no Líbano e 29 em Israel.
Itamaraty
Segundo nota do Itamaraty, o ministro Amorim conversou ontem por telefone com o Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e, na manhã desta quinta-feira, com a Secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, para tratar da crise no Líbano e da situação dos brasileiros. Amorim pediu aos dois um cessar-fogo imediato.
O ministro também enfatizou o caráter desproporcional da reação militar de Israel. Especificamente em relação à situação de brasileiros, solicitou a Israel que contenha os ataques a fim de diminuir o risco na retirada dos brasileiros.
Outras retiradas
Membros da corporação dos marines chegaram nesta quinta-feira ao Líbano para ajudar na retirada de cidadãos americanos no país. O atual conflito entre Israel e o Hizbollah, cujo estopim foi o seqüestro de dois soldados israelenses, no último dia 12, já matou mais de 300 pessoas no Líbano e 29 em Israel. Cerca de 700 mil libaneses e estrangeiros deixaram a região após o início dos confrontos.
Foi o primeiro retorno de tropas americanas ao Líbano desde a retirada de 1984, meses depois que um ataque suicida destruiu uma sede dos marines, matando 241 membros da corporação.
Cerca de 40 marines desembarcaram em uma praia na região cristã ao norte de Beirute no início da manhã, para levarem cerca de 1.200 americanos até o Chipre, em mais esforço dos EUA para retirar seus cidadãos da zona de conflito.
Não há registro de ataques israelenses contra o Líbano durante a ação dos EUA para retirar seus cidadão daquele país.
O Hizbollah --cuja ligação com o Irã e a Síria fez crescer os temores de que o conflito pudesse se espalhar pela região-- não impediu a saída de milhares de estrangeiros detidos no Líbano após o bombardeio de aeroportos, portos e estradas em ataques de Israel.
"Estamos muito felizes por ir embora", afirmou a americana de origem libanesa Fadia Semaan, que deixava o país ao lado do marido e de três filhos. "Estamos acostumados com a guerra de 30 anos atrás, mas as crianças não estão", disse seu marido, George.
Ataques
Depois de uma noite relativamente calma no Líbano, a aviação de Israel voltou a lançar ataques contra o território libanês nesta quinta-feira. O grupo terrorista Hizbollah também lançou cerca de 20 foguetes contra o norte de Israel, sem deixar nenhuma vítima.
Militares israelenses dizem ter feito 80 novos ataques aéreos contra o Líbano nas primeiras horas desta quinta-feira. Além dos bombardeios, agora estão ocorrendo combates entre soldados israelenses e membros dos Hizbollah ao longo da fronteira entre os dois países, em território libanês.
Na fronteira da cidade israelense de Avivim, membros do Hizbollah lançaram um míssil antitanque contra um blindado israelense enviado para destruir a infra-estrutura do grupo. Um soldado que estava no tanque ficou gravemente ferido. Um segundo sofreu ferimentos leves.
Nesta quarta-feira --o dia mais violento dos confrontos até agora-- ataques aéreos de Israel mataram 65 civis libaneses. Foguetes do Hizbollah mataram duas crianças israelenses na cidade de Nazaré, ao norte de Israel.
Com agências internacionais
Leia mais
Fuga do Líbano inclui perigo, oração e propina, diz brasileira
Opinião: Estratégia do conflito pode gerar revés a Israel e Líbano
Ataque de Israel abala enterro de brasileiro no Líbano
Especial
Enquete: que governo ou órgão pode barrar ou ajudar a minimizar os conflitos?
Veja fotos da atual onda de violência entre Israel e Líbano
FAB envia amanhã segundo avião para buscar brasileiros no Líbano
PATRÍCIA ZIMMERMANNda Folha Online, em Brasília
O ministro da Defesa, Waldir Pires, disse nesta quinta-feira que o segundo avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que retirará brasileiros do Líbano parte amanhã, da base aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.
O Boeing 707 da FAB [capacidade para 160 passageiros], que deve partir às 9h, aterrissará em Adana, na Turquia.
Ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, já havia dito que a segunda operação para retirada de brasileiros estava sendo montada. Cerca de 700 brasileiros estão esperando para sair do Líbano por causa da violência entre Israel e o grupo terrorista Hizbollah. Deles, 500 já entraram em contato com o consulado de Beirute, outros cem com a embaixada de Amã, na Jordânia e o mesmo número com a embaixada de Damasco, na Síria.
Questionado sobre as críticas de familiares de brasileiros que estão encontrando dificuldade em deixar a região de conflito e voltar para o Brasil, Pires disse que o resgate envolve questões logísticas, e que o governo está fazendo o que pode na medida de suas forças.
Pires também afirmou que a orientação do governo é a de dar apoio aos brasileiros na região o mais rápido possível, retirando-os das áreas de maior perigo e elaborando um programa para trazê-los ao Brasil.
Desde o início dos conflitos no último dia 12, sete brasileiros morreram vítimas de ataques israelenses ao Líbano. A crise teve início com o seqüestro de dois soldados israelenses pelo Hizbollah, que também deixou outros oito soldados mortos. Em nove dias de ataques, o saldo de 300 mortos no Líbano e 29 em Israel.
Itamaraty
Segundo nota do Itamaraty, o ministro Amorim conversou ontem por telefone com o Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e, na manhã desta quinta-feira, com a Secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, para tratar da crise no Líbano e da situação dos brasileiros. Amorim pediu aos dois um cessar-fogo imediato.
O ministro também enfatizou o caráter desproporcional da reação militar de Israel. Especificamente em relação à situação de brasileiros, solicitou a Israel que contenha os ataques a fim de diminuir o risco na retirada dos brasileiros.
Outras retiradas
Membros da corporação dos marines chegaram nesta quinta-feira ao Líbano para ajudar na retirada de cidadãos americanos no país. O atual conflito entre Israel e o Hizbollah, cujo estopim foi o seqüestro de dois soldados israelenses, no último dia 12, já matou mais de 300 pessoas no Líbano e 29 em Israel. Cerca de 700 mil libaneses e estrangeiros deixaram a região após o início dos confrontos.
| AP |
![]() |
| Família libanesa foge de seu país, em carro, para escapar dos ataques aéreos de Israel |
Cerca de 40 marines desembarcaram em uma praia na região cristã ao norte de Beirute no início da manhã, para levarem cerca de 1.200 americanos até o Chipre, em mais esforço dos EUA para retirar seus cidadãos da zona de conflito.
Não há registro de ataques israelenses contra o Líbano durante a ação dos EUA para retirar seus cidadão daquele país.
O Hizbollah --cuja ligação com o Irã e a Síria fez crescer os temores de que o conflito pudesse se espalhar pela região-- não impediu a saída de milhares de estrangeiros detidos no Líbano após o bombardeio de aeroportos, portos e estradas em ataques de Israel.
"Estamos muito felizes por ir embora", afirmou a americana de origem libanesa Fadia Semaan, que deixava o país ao lado do marido e de três filhos. "Estamos acostumados com a guerra de 30 anos atrás, mas as crianças não estão", disse seu marido, George.
Ataques
Depois de uma noite relativamente calma no Líbano, a aviação de Israel voltou a lançar ataques contra o território libanês nesta quinta-feira. O grupo terrorista Hizbollah também lançou cerca de 20 foguetes contra o norte de Israel, sem deixar nenhuma vítima.
Militares israelenses dizem ter feito 80 novos ataques aéreos contra o Líbano nas primeiras horas desta quinta-feira. Além dos bombardeios, agora estão ocorrendo combates entre soldados israelenses e membros dos Hizbollah ao longo da fronteira entre os dois países, em território libanês.
| AP |
![]() |
| Centenas esperam em fila para embarcar em navio indiano que retira estrangeiros do Líbano |
Na fronteira da cidade israelense de Avivim, membros do Hizbollah lançaram um míssil antitanque contra um blindado israelense enviado para destruir a infra-estrutura do grupo. Um soldado que estava no tanque ficou gravemente ferido. Um segundo sofreu ferimentos leves.
Nesta quarta-feira --o dia mais violento dos confrontos até agora-- ataques aéreos de Israel mataram 65 civis libaneses. Foguetes do Hizbollah mataram duas crianças israelenses na cidade de Nazaré, ao norte de Israel.
Com agências internacionais
Leia mais
Especial



