Mundo
24/07/2006 - 08h24

Rice faz visita ao Líbano; confrontos diminuem

da Folha Online

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, chegou nesta segunda-feira ao Líbano, em visita que visa lançar esforços diplomáticos para dar fim aos confrontos entre Israel e o Hizbollah, que já duram 13 dias no sul do Líbano.

Ao menos 384 pessoas morreram no Líbano [a maioria civis vítimas de ataques israelenses]. Ao menos 600 mil libaneses tiveram que deixar suas casas. O número de vítimas em Israel é de 36 -- das quais 19 são soldados e 17 são civis mortos por foguetes do Hizbollah.

Reuters
A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, ao lado do premiê Fuad Saniora
Logo após a chegada, Rice se reuniu com o primeiro-ministro libanês, Fuad Saniora. Sua viagem ao Oriente Médio é o primeiro esforço americano para tentar dar fim à crise, que teve início em 12 de julho, depois que o Hizbollah seqüestrou dois soldados israelenses e matou outros oito.

O presidente americano, George W. Bush, se opôs a um cessar-fogo imediato, dizendo que a origem do conflito --a dominação do Hizbollah no sul do Líbano-- precisa ser resolvida. Segundo o governo americano, a intervenção de tropas de paz internacionais pode ser necessária.

Os confrontos na região aparentemente se acalmaram, com um total de seis civis mortos neste domingo. Mísseis de Israel atingiram um comboio de libaneses que deixavam a região, matando quatro pessoas. Em Israel, dois civis morreram em ataques do Hizbollah em Haifa.

Durante a madrugada, nenhum foguete foi lançado contra o norte de Israel e houve relato de poucos ataques aéreos de Israel no Líbano. Pela manhã, os ataques foram intensificados e mais dois foguetes do Hizbollah foram lançados na cidade de Kiryat Shmona. Não houve relato de danos ou vítimas.

Reuters
Libanês recolhe seus pertences em meio a escombros em Beirute; ataques diminuíram
O ministro da Defesa israelense, Amir Peretz, afirmou que o Exército não irá lançar uma ampla ofensiva, mas irá manter uma série de pequenas incursões no sul do país. Segundo ele, depois que membros do Hizbollah forem afastados da fronteira, forças internacionais podem ser enviadas para a região para auxiliar o Exército libanês.

O líder do Hizbollah, Hassan Nasrallah, afirmou nesta segunda-feira que uma invasão terrestre não irá proteger Israel dos foguetes lançados pelo grupo. Ele disse ainda que a prioridade é um acordo de cessar-fogo, e disse estar aberto a discussões para dar fim à crise.

Cerco

Soldados israelenses cercaram a cidade de Bint Jbeil, a cerca de 4 km da fronteira, nesta segunda-feira, mas Israel negou que o Exército tenha tomado o controle da cidade. Dez soldados ficaram feridos na ação.

Bint Jbeil é considerada um bastião do Hizbollah. Um dia depois que Israel deu fim à ocupação do sul do Líbano, e 2000, Nasrallah realizou a primeira celebração em Bint Jbeil.

Grande parte dos cerca de 200 mil moradores da cidade deixaram a região. Segundo a Cruz Vermelha, os poucos que permaneceram estão abrigados em escolas ou mesquitas.

Helicóptero

Um helicóptero israelense caiu ao norte de Israel nesta segunda-feira, ferindo ao menos seis soldados, segundo o Exército. A queda produziu uma forte explosão e bombeiros tentavam conter as chamas para permitir o acesso das equipes de resgate.

Reuters
Tropas israelenses carregam soldado ferido por Hizbollah perto da fronteira com o Líbano
O incêndio formou uma coluna de fumaça sobre a cidade de Rehaniya, a 4 km da fronteira com o Líbano. Soldados israelenses se confrontavam com o Hizbollah nesta região, mas não ficou claro se a queda foi conseqüência de um ataque do grupo.

Na semana passada, dois helicópteros Apache colidiram no norte de Israel, perto da fronteira com o Líbano, matando um membro da força aérea e ferindo outros três.

O Hizbollah afirmou ter feito vítimas israelenses em um ataque contra cinco tanques que seguiam por uma estrada em Bint Jbeil e na região de Maroun al Ras.

Segundo a rádio militar, o Exército israelense capturou dois membros do Hizbollah, que teriam sido levados para Israel para interrogatório.

Estrangeiros

Milhares de estrangeiros continuam a deixar o Líbano por meio do porto de Beirute. A União Européia (UE) enviou uma navio para o porto de Tiro nesta segunda-feira. O Canadá também enviou um segundo navio para retirar estrangeiros detidos na região.

Grande parte das estradas e pontes do sul do Líbano foram destruídas por ataques de Israel.

Cerca de 4.500 britânicos e 12 mil americanos já deixaram a região por via marítima. Segundo autoridades britânicas, todos os cidadãos do Reino Unido já foram retirados do Líbano.

Dois comboios levando geradores de energia elétrica, alimentos e outros itens de necessidade básica foram enviados de Beirute a Tiro nesta segunda-feira, segundo o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha). Um navio italiano chegou trazendo remédios, barracas, cobertores, água e geradores. Uma embarcação de ajuda da França também chegou à região.

Brasileiros

Um Boeing 707 da FAB (Força Aérea Brasileira) trazendo 150 brasileiros partiu do aeroporto de Adana, na Turquia, às 16h de Brasília deste domingo e deveria chegar ao Recife nesta manhã.

É o segundo vôo da FAB transportando brasileiros do Líbano que chega ao Brasil. O primeiro --trazendo 98 brasileiros-- chegou ao país na terça-feira (18).

Nesta segunda-feira, um segundo vôo da FAB deve trazer outros 70 brasileiros que estão em Adana. Na quarta-feira (26), um outro avião da trará mais 150 passageiros. Na quinta-feira (27), mais 70 brasileiros embarcam em um vôo da FAB com destino ao Brasil.

De acordo com o Itamaraty, desde o início das operações de retirada, um total de 330 brasileiros deixaram Adana por terra, em comboios de ônibus. Outros 73 brasileiros seguiram hoje de barco para a Turquia, enquanto 142 deixaram Damasco com destino a Adana.

Um airbus da companhia aérea TAM irá retirar 225 brasileiros que estavam no Líbano e agora se encontram em Damasco, na Síria, nesta quarta-feira (26). A decolagem está prevista para as 14h (8h de Brasília). O avião deve chegar ao aeroporto internacional de Guarulhos às 22h.

Com agências internacionais

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