Mundo
27/07/2006 - 01h36

EUA impedem conselho de condenar Israel por ataque à ONU

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da Folha Online

O Conselho de Segurança das Nações Unidas não chegou a um acordo a respeito de um pronunciamento que condenaria Israel pelas mortes de quatro observadores da ONU em um ataque no sul do Líbano.

Segundo fontes diplomáticas, o impasse surgiu principalmente do posicionamento dos Estados Unidos, tradicional aliado de Israel.

O representante norte-americano no conselho se opôs a considerar o ataque "deliberado" e a utilizar o termo "condenação" para as ações militares israelenses. Já a China, país de origem de um dos observadores mortos, pediu um pronunciamento condenando Israel pelo ataque.

Os 15 Estados membros do conselho não conseguiram chegar a um acordo mesmo após um dia inteiro de deliberações. Os representantes "foram unânimes em dizer que a segurança do pessoal de manutenção de paz da ONU por todo o mundo" é responsabilidade do Conselho, mas o órgão "não obteve consenso sobre a maneira de qualificar o incidente".

O conselho vai realizar outra reunião sobre o caso nesta quinta-feira para tentar chegar a um acordo, segundo o embaixador da França nas Nações Unidas, Jean-Marc de La Sablière, que preside atualmente o órgão.

"Os membros do conselho estão conscientes da responsabilidade do órgão de garantir a segurança dos observadores da Unifil, que trabalham em condições difíceis", declarou.

Como representante de seu país, De la Sablière opinou que "um ataque às forças pacificadoras da ONU é um ataque à comunidade internacional", e que deve ser condenado, numa crítica à postura contrária dos EUA.

Já o embaixador da China, Wang Guangya, que queria a adoção da declaração ainda hoje, considerou que a unidade do conselho é muito importante. Por isso, argumentou vale a pena esperar para continuar as discussões.

"A morte dos observadores é uma grande preocupação para o conselho, que autoriza a sua convocação. Devemos assumir a sua proteção", disse.

Após defender a unidade do conselho, ele avaliou que o bloqueio dos EUA pode afetar outros assuntos em discussão, em referência ao caso do Irã. "Se queremos unidade nesta questão, também vamos querer em outras", declarou.

A China foi o primeiro país a pedir um pronunciamento condenando Israel pelo ataque. O governo de Pequim também exigiu uma desculpa formal de Israel e um cessar-fogo imediato no Líbano. Os outros três observadores mortos tinham nacionalidades canadense, finlandesa e austríaca.

Os observadores da ONU mortos no ataque --que lançou mais de 14 bombas na região onde ficava o posto da organização-- pertenciam à Força Internacional das Nações Unidas no Líbano (Unifil, na sigla em inglês).

Antes dos ataques, eles enviaram dez avisos sobre sua localização e pedidos de cuidado ao Exército israelense seis horas antes de serem atingidos por um míssil certeiro, segundo oficial das Nações Unidas citado pela CNN.

O prédio da Unifil ficou destruído e três dos quatro corpos das vítimas foram retirados dos escombros na manhã desta quarta-feira.

A crise de violência entre Israel e Líbano teve início no último dia 12, após o grupo terrorista libanês Hizbollah seqüestrar dois soldados israelenses. A violência já deixou 400 mortos no Líbano, a maioria civis, e cerca de 40 mortos em Israel. Entre os mortos no Líbano, há sete brasileiros, sendo três crianças.

Com agências internacionais

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