Mundo
08/08/2006 - 10h58

Combates entre Israel e Hizbollah ameaçam proposta do Líbano

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da Folha Online

O grupo terrorista libanês Hizbollah lançou nesta terça-feira cerca de 90 foguetes contra cidades e vilarejos do norte de Israel, ferindo duas pessoas, segundo fontes de segurança israelenses. Ao mesmo tempo, Israel lançou bombardeios contra bairros de Beirute e travou pesados confrontos no sul do Líbano.

A violência desta terça-feira ocorre após o governo libanês propor o envio de 15 mil soldados ao sul do país a fim de garantir a segurança e evitar que membros do Hizbollah lancem foguetes contra o norte israelense. A proposta também exige a retirada imediata de cerca de 10 mil soldados israelenses que invadiram o Líbano.

Dos 90 foguetes que atingiram Israel, dez chegaram a áreas habitadas, informou o porta-voz da polícia Micky Rosenfeld. O grupo lançou mais de 3.000 foguetes contra Israel desde o início dos últimos conflitos, matando 48 pessoas. Israel também desfere pesados bombardeios contra o Líbano, e já destruiu cidades inteiras no sul do país.

Nesta terça-feira, ao menos três soldados israelenses e 15 membros do Hizbollah morreram em combates na região de Bint Jbeil.

Um ataque aéreo israelense ao vilarejo de Ghaziyeh (sul do Líbano) matou uma pessoa e feriu outras três nesta terça-feira. Todos assistiam ao funeral de 15 vítimas de ataques israelenses realizados ontem.

Militares israelenses também lançaram panfletos sobre o sul do Líbano avisando a população que seu Exército bombardeará qualquer veículo que circule ao sul do rio Litani, que engloba a zona onde está a cidade de Tiro (sul).

"Bombardearemos qualquer veículo que circule ao sul do Litani, pois será suspeito de transportar foguetes e armas para os terroristas", informam em árabe os panfletos dirigidos à população.

Acordo

Nesta terça-feira, Israel disse ter achado interessante a proposta libanesa de enviar 15 mil soldados ao sul país, e prometeu estudá-la. O Hizbollah também sinalizou positivamente. É a primeira vez que uma oferta para pôr fim ao conflito iniciado há quase um mês --e que já deixou mil mortos [900 deles civis libaneses]-- parece agradar os dois lados.

O plano libanês para chegar a uma solução ao conflito foi aprovado, inclusive, por ministros xiitas que representam o Hizbollah no Parlamento.

"É uma proposta interessante que devemos estudar para ver se é praticável e se teria efeito imediato para um cessar-fogo", disse o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, cujo gabinete está prestes a ordenar uma campanha militar em massa contra o Hizbollah --a votação ocorre amanhã.

Apesar das indicações de um possível acordo, Israel sempre pôs em dúvida a capacidade do Exército libanês, que enviará reservistas para assumir o controle do sul do Líbano. Olmert disse também que o envio dos soldados libaneses à fronteira deve ser acompanhado por tropas de paz internacionais, além do desarmamento do Hizbollah.

O governo libanês disse ontem que o Hizbollah aprovava o plano do premiê Fouad Siniora, que contará com a cooperação de 2.000 soldados da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil).

A força multinacional que substituiria a Unifil, desde 1978 no sul do Líbano, é parte de uma proposta dos Estados Unidos e da França para obter um cessar-fogo. O plano está sendo debatido no Conselho de Segurança da ONU.

Com agências internacionais

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