Mundo
11/08/2006 - 13h32

Israel libera ampliação de ofensiva terrestre no Líbano

da Folha Online

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o Ministro da Defesa, Amir Peretz, ordenaram ao Exército que se prepare para lançar uma ofensiva terrestre ampliada no Líbano, segundo uma autoridade citada nesta sexta-feira pelo jornal israelense "Haaretz".

A ampliação, aprovada na última quarta-feira (9), autorizou o avanço das tropas israelenses, que devem ir além do rio Litani [principal provedor de água à região], de onde são lançados a maioria dos foguetes contra seu território. O objetivo é avançar 30 km além da fronteira, com 40 mil soldados [30 mil a mais que o número atual]. A incursão levaria cerca de uma semana.

A decisão de ordenar a ampliação da ofensiva, segundo a autoridade, que não foi identificada, teria partido da decisão libanesa de não aceitar pontos da resolução considerados importantes por Israel, sem especificá-los.

Apesar disso, o embaixador de Israel na ONU, Dan Gillerman, afirmou que seu país continua envolvido nas negociações de uma resolução sobre o conflito entre as forças israelenses e o grupo terrorista Hizbollah.

Ontem, a Rússia apresentou ao Conselho de Segurança (CS) da ONU um projeto de resolução que pede trégua de 72 horas e ação urgente para as questões humanitárias.

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, afirmou que a resolução franco-americana para pôr fim ao conflito poderia ser votada nesta sexta-feira. "Nós encerramos alguns pontos de divergência com a França", disse. EUA e a França têm buscado resolver diferenças sobre o prazo para a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano e alcançar um entendimento sobre a resolução.

O documento russo também manifestou horror frente ao número de mortos do conflito. Desde o último dia 12, quando o Hizbollah seqüestrou dois soldados israelenses, em ação que deixou ainda oito soldados israelenses e dois membros do Hizbollah mortos, forças israelenses atacam o Líbano por terra, ar e mar, deixando inúmeras cidades libanesas destruídas, sem luz, água e telefone. Em resposta, o Hizbollah lança foguetes: mais de 3.000 já atingiram o norte de Israel.

Ao menos 1.024 pessoas morreram no Líbano, a maioria civis --sendo 30% deles crianças com menos de 12 anos. No lado israelense, as baixas somam 123-- entre soldados e civis, que também inclui mulheres e crianças.

União Européia

O primeiro-ministro finlandês, Matti Vanhanen, cujo país está na Presidência da União Européia, pediu hoje que os membros do Conselho de Segurança da ONU e os governos israelense e libanês façam "juntos o esforço necessário" para definir o mais rápido possível uma resolução que coloque fim "ao desastre humanitário" no Líbano.

Em carta dirigida ao primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, o presidente rotativo do Conselho Europeu faz uma chamada pessoal a favor de uma "solução rápida e viável", sob a autoridade do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Direitos humanos

O Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu que seja criada uma comissão de investigação dos ataques israelenses contra civis no Líbano, depois de condená-los em uma resolução adotada nesta sexta-feira.

Vinte e sete países, de um total de 47 que compõem o recém-criado Conselho de Direitos Humanos, apoiaram uma resolução apresentada por vários estados islâmicos na qual condenam as violações de direitos humanos por parte de Israel no Líbano. Onze países votaram contra e oito se abstiveram.

Violência

Israel atacou 130 alvos no Líbano e anunciou a morte de 20 membros do Hizbollah nas últimas 24 horas, nas quais dois soldados israelenses também morreram. O Hizbollah também laçou 15 foguetes contra Haifa, norte de Israel, ferindo três.

Nesta sexta-feira, três civis ficaram feridos pelo lançamento foguetes do Hizbollah contra a cidade israelense de Haifa.

Um dos projéteis era um míssil terra-terra sírio do tipo Khaibar, carregado com cerca de 90 quilos de explosivos, que caiu em um edifício residencial, causando graves danos, mas sem deixar vítimas. Os moradores do prédio tinham fugido anteriormente para outra região do país.

Fontes policiais disseram acreditar que um dos três mísseis que caíram no distrito de Haifa e em seus arredores também era do tipo Khaibar. Os projéteis causaram vários incêndios.

Além dos danos gerados pelos foguetes em edifícios, veículos estacionados na rua se incendiaram. O Comando da Defesa Civil reiterou hoje o pedido à população israelense para que se mantenha alerta.

Os bombardeios de Israel desta sexta-feira mataram ao menos 12 pessoas no norte do Líbano, segundo fontes hospitalares. Uma das bombas lançadas contra uma ponte na fronteira com a Síria deixou 18 pessoas feridas.

Tropas israelenses também mantiveram os violentos combates por terra no sul do Líbano, que causaram a morte de dois soldados de Israel.

Ontem, Israel assumiu o controle da cidade estratégica de Marjayoun --predominantemente cristã, e que fica a 8 km da fronteira--, que foi usada como base militar de Israel durante os 18 anos de ocupação do território libanês. Durante a operação, houve intensos ataques de artilharia, com apoio aéreo, contra a cidade de Khiam e redondezas, onde haveria bases do Hizbollah. Além de Marjayoun, os israelenses também tomaram Qlaiah, e impuseram toque de recolher às duas cidades.

Com agências internacionais

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