Mundo
15/08/2006 - 19h05

Aparição de Fidel Castro acalma Cuba, mas dúvidas ainda persistem

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da France Presse, em Havana

As imagens e mensagens de Fidel Castro divulgadas por ocasião de seu 80º aniversário trouxeram calma a Cuba nesta terça-feira, mas não conseguiram pôr fim às dúvidas sobre sua volta ao poder a curto prazo ou à esperança de Washington e Miami de uma mudança política na ilha.

Os cubanos retomaram sua rotina, matizada nesta terça-feira com comentários sobre o semblante de Fidel no vídeo e nas fotografias divulgadas ontem, em que, pela primeira vez, ele aparece prostrado em uma cama.

A imprensa, controlada pelo Estado, reproduziu o impacto internacional da aparição de Fidel. O jornal "Juventud Rebelde" publicou uma resenha sob o título "Fidel: notícia nos jornais mundiais".
Na ilha, os comentários foram variados. "Em breve, ele estará de volta", afirmou uma jornaleira de 64 anos. "Sua mensagem me soou como uma despedida", comentou uma mulher de 41 anos, que trabalha em Havana Velha.

Após a divulgação das fotos e do vídeo, os membros do Partido Comunista de Cuba (PCC, único) se uniram em torno do presidente. "Restabeleça-se, comandante! Nosso povo é garantia --e o senhor sabe disso-- de que a revolução chegou para ficar", disse hoje o chefe do Departamento de Orientação Revolucionária (DOR, Ideológico) do PCC, Rolando Alfonso.

"Defenderemos a revolução com o sangue e as unhas, se necessário, sob a direção do partido que o senhor criou, com a condução segura de Raúl e com quem, majoritariamente em nosso povo, levamos a revolução nas entranhas", afirmou Alfonso no jornal "Granma".

Na primeira reação de Washington, Sergio Aguirre, porta-voz do Departamento de Estado, indicou ontem que "os irmãos Castro tentam impor uma sucessão dinástica, com Raúl como regente e herdeiro".

Em Miami, capital do exílio cubano, opositores de Fidel comentaram que o presidente está muito mal para retornar ao poder, e disseram ter esperança de que Raúl não ficará por muito tempo à frente do governo. "Ele está muito mal, acho que não irá retornar", comentou Lázaro Segundo, 77. "Faço um cálculo de seis meses para Raúl", apostou outro exilado, de 78 anos.

Camila Ruiz, porta-voz da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), maior grupo do exílio cubano, disse acreditar que Fidel não voltará a governar como antes. Para Ramón Saúl Sánchez, do grupo Movimento Democracia --que anunciou a mobilização de uma flotilha para ir a Cuba se houvesse protestos ou uma campanha de repressão--, não importa se Fidel irá se recuperar, pois, segundo ele, a sorte foi lançada na ilha.

As imagens de Fidel conversando, até sorrindo, mostraram a realidade a setores do exílio segundo os quais o presidente estava morto, e que retornaram à rotina em silêncio, à espera de que algum evento provoque uma mudança política em Cuba.

Na ilha, os cubanos, 70% dos quais nasceram após o triunfo da revolução de 1959, se questionam sobre o que acontecerá após a morte do líder.

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