Mundo
20/08/2006 - 08h55

Israel prosseguirá ataques contra o Hizbollah apesar da trégua

da France Presse, em Jerusalém
da Folha Online

Israel anunciou neste domingo que prosseguirá com as operações militares em território libanês para impedir o fornecimento de armas ao grupo terrorista Hizbollah, um dia depois do ataque de um comando israelense no leste do Líbano classificado pela ONU como uma violação da trégua.

Em vigor há apenas uma semana, o cessar-fogo entre Israel e Hizbollah parece cada vez mais frágil, sobretudo depois que o governo do Líbano ameaçou neste sábado suspender o deslocamento de seu Exército ao sul do país após o ataque israelense, que o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, considerou uma "flagrante violação" do fim das hostilidades.

"Enquanto o Exército libanês ou a força internacional não estiverem presentes, o Exército israelense prosseguirá com os vôos na região para impedir o fornecimento de armas procedentes da Síria", declarou Gideon Ezra, ministro do Meio Ambiente e ligado ao primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.

Um porta-voz militar de Israel disse que, na ausência de um sistema de controle na fronteira entre Síria e Líbano, o país vai agir para impedir a entrega de armas ao Hizbollah.

O Exército israelense já havia destacado que a incursão de sábado de um grupo de comandos contra um reduto do Hizbollah perto de Baalbeck (leste do Líbano) --durante a qual um tenente-coronel morreu e outros dois oficiais israelenses ficaram feridos-- teve como objetivo impedir as entregas de armas ao Hizbollah por parte de Irã e Síria.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse neste sábado que está "profundamente preocupado" com a violação, por parte de Israel, do cessar-fogo no Líbano.

Annan já havia recebido um telefonema de Ehud Olmert, que defendeu a incursão dos comandos israelenses contra um bastião do Hizbollah.

"O secretário-geral está profundamente preocupado com uma violação pelo israelenses do cessar-fogo tal como estabelecido pela resolução 1.701 do Conselho de Segurança", disse o porta-voz de Annan em um comunicado.

Olmert tentou explicar a Annan que o objetivo era evitar que o Hizbollah fosse reabastecido com armas e munição. Segundo ele, é necessário reforçar a supervisão na fronteira do Líbano com a Síria, de onde supostamente estariam entrando armas para o grupo terrorista.

O líder da ONU não ficou satisfeito com as explicações. "Todas estas violações da resolução 1.701 do Conselho de Segurança ameaçam a frágil calma alcançada depois de muitas negociações e minam a autoridade do governo do Líbano", acrescentou o comunicado.

"O incidente envolveu um ataque israelense no leste do Líbano neste sábado. De acordo com a Unifil [Força Interina das Nações Unidas no Líbano], também houve várias violações aéreas por um avião militar israelense", acrescentou o comunicado.

Para Israel, a operação foi apenas uma resposta à violação da resolução 1.701 da ONU, que além do fim das hostilidades no Líbano prevê o embargo do fornecimento de armas ao movimento xiita.

No entanto, a rádio pública israelense mencionou a hipótese da missão do comando ter sido, na realidade, uma tentativa de libertar os dois soldados israelenses seqüestrados em 12 de julho pelo Hizbollah, o que provocou a ofensiva de Israel no Líbano, que terminou com a morte de cerca de 1.300 libaneses e mais de 150 israelenses.

Severidade

O ministro libanês da Defesa, Elias Murr, afirmou que qualquer violação do cessar-fogo no sul do Líbano será considerada um ato de traição.

"Qualquer disparo de foguetes que sirva de pretexto para Israel atacar o Líbano será tratado com a maior severidade", afirmou o ministro.

Neste domingo, quase 150 soldados franceses partiram do porto de Toulon para o território libanês, com a missão de reforçar a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil, na sigla em inglês).

Neste sábado, 50 militares franceses do corpo de engenheiros, primeiros oficiais da força da ONU ampliada que tem como objetivo consolidar a trégua entre Israel e o Hizbollah, desembarcaram em Naqoura, sul do Líbano.

A missão dos 200 homens será retirar minas e limpar as vias de comunicação para facilitar os deslocamentos da Unifil e do Exército libanês, assim como da população libanesa, destacou o Estado-Maior francês.

A ONU pretende enviar inicialmente 3.500 homens desta força, que deve aumentar dos 2.000 atuais para 15 mil de acordo com a resolução 1.701 das Nações Unidas, que no dia 11 de agosto acabou com mais de um mês de combates entre Israel e o Hizbollah.

O ministro das Relações Exteriores francês, Philippe Douste-Blazy, pediu aos países europeus mais solidariedade e defendeu a celebração, durante a semana, de uma reunião para esclarecer a contribuição de cada Estado à nova Unifil.

"Pedimos a solidariedade européia no que diz respeito à Unifil", declarou o chanceler. A França prossegue as consultas aos países europeus a respeito das contribuições para a força.

Com agências internacionais

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