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21/08/2006 - 18h45

Pior acidente ferroviário do Egito desde 2002 deixa 58 mortos

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da Folha Online

Uma colisão entre dois trens no norte do Cairo na madrugada desta segunda-feira deixou ao menos 58 pessoas mortas e 143 feridas, na pior tragédia ferroviária no Egito desde 2002, informou o ministério egípcio da Saúde.

O acidente ocorreu às 7h locais (1h em Brasília) envolvendo um trem procedente da cidade de Lardo (norte do Egito) e outro que estava parado na estação Qalyoub, 20 km ao norte da capital, Cairo.

O responsável pela administração de ferrovias do Egito, Hanafi Abdel Qaoui, disse que um erro humano foi o responsável pelo choque. "Foi um erro humano, e não um problema técnico, que causou hoje a colisão de dois trens na estação de Qalyoub", disse Qaoui, acrescentando que foi formada uma comissão de investigação para esclarecer as razões exatas do acidente.

Khaled El Fiqi/Efe
Equipes de resgate levantam vagão de trem na estação da cidade de Qalyoub após acidente
"Ouvimos um assobio e as pessoas gritando que um trem vinha em nossa direção; alguns passageiros começaram a saltar do vagão. Eu estava sentado e, quando tentei me levantar, senti um impacto fortíssimo", afirmou Saad Ibrahim, 35, que viajava no último vagão do trem.

O governador de Qalyoubiya, Adeli Hussein, disse que a atuação das equipes de resgate e dos bombeiros foi muito rápida. Algumas testemunhas, no entanto, afirmaram o contrário.

"Fui despertado pelo assobio do trem e o grande estrondo que se seguiu", disse Mohamad Sawi, 28, que vive em um dos edifícios próximos ao local do acidente. "Quando fui à janela, vi uma imagem impressionante: havia gente morta e mutilada por todos os lados e a locomotiva do segundo trem estava em chamas. Chamei a polícia, mas eles não acreditavam no que eu contei. Os bombeiros demoraram muito tempo para chegar", disse a testemunha.

Segundo o diretor do Hospital Al Yadid, Lutfi Wali, o transporte dos feridos foi muito rápido. "Os doentes começaram a chegar às sete da manhã, e às oito horas já tínhamos recebido os últimos", afirmou.

De acordo com uma fonte dos serviços de segurança que viu o choque, o acidente foi provocado por uma falha da pessoa responsável pelo semáforo de sinalização situado antes de Qalyoub, porque esta não deteve a tempo o trem de Lardo, cujo condutor morreu.

O maquinista do outro trem prestou depoimento à polícia. Mais de 45 ambulâncias foram enviadas ao local do acidente para socorrer as vítimas.

A atividade ferroviária foi retomada regularmente graças a um desvio no itinerário dos trens, embora a rede não esteja funcionando na estação de Qalyoub.

No Hospital Al Yadid estão internadas 58 pessoas, cujo estado de saúde é "estável". Os casos mais graves foram encaminhados para outro centro médico, segundo Wali.

O governador de Qalyoubiya, que chegou ao local ao meio-dia (hora local), ao lado dos ministros de Saúde, Transporte e Solidariedade Social, afirmou que as famílias dos que morreram vão receber uma ajuda de 5.000 libras egípcias (US$ 870). As famílias dos feridos receberão mil libras (US$ 174).

Nos quartos do Hospital Al Yadid, os sobreviventes, todos homens, relatavam suas histórias.

Os que não perderam a consciência, como Adel Abdo, 50, lembram com horror os gritos e as imagens dos mortos e feridos.

Esse é um dos piores acidentes ferroviários da história do país desde 2002, quando incêndio em trem de passageiros, que cobria o trajeto Cairo-Luxor (sul), matou 376 pessoas.

Medo

"Estava no trem de Benha, que se encontrava parado há cinco minutos quando, de repente, sentimos algo como um terremoto. Saltamos pelas janelas e vimos fogo na parte traseira do trem", contou Mamdouh Amer, 29.

Segundo Amer, a maioria dos viajantes era de operários, funcionários públicos e policiais que seguiam para os locais de trabalho no Cairo.

"Acabara de acordar, quando ouvi um barulho espantoso. Corri para a varanda e vi a fumaça e os corpos que caíam dos vagões virados", relata Suad Abdallah, 53.

Os filhos de Abdallah e os moradores dos edifícios próximos saltaram o muro que separa as casas das ferrovias para ajudar a retirar os mortos e feridos dos ferros retorcidos.

Duas horas depois da tragédia, as equipes de resgate prosseguiam o transporte dos corpos despedaçados dos vagões para as ambulâncias, por meio de um buraco aberto no muro.

Algumas pessoas criticaram a demora dos policiais e bombeiros para chegar ao local do acidente. No entanto, um cordão de isolamento impedia a aproximação dos mais exaltados.

De acordo com testemunhas, as equipes de resgate demoraram uma hora para chegar à região.

"Ligamos para os bombeiros, mas no início eles não queriam acreditar no que contamos", disse Chaimaa Samir, 23.

Dos dois lados da ferrovia, que corta a região agrícola, os socorristas recolhiam sapatos, tênis e garrafas de água.

No chão, aos pés de uma grua que tentava retirar a sucata, era possível observar uma página do Alcorão (livro sagrado do islamismo) ensangüentada e uma sola de sapato queimada, também manchada de sangue. Pedaços de corpos carbonizados também estavam espalhados na grama.

"O que vamos fazer agora? Continuar indo para o trabalho de trem?", questionou um homem apoiado no muro. "Nunca mais neste país", respondeu um amigo.

Os acidentes ferroviários são relativamente freqüentes no Egito. Este é o terceiro acidente deste tipo no delta do Nilo desde 28 de fevereiro último, quando cerca de 20 pessoas ficaram feridas em um choque entre dois trens em Beheira, 150 km ao norte do Cairo.

No dia 1º de maio, mais de 40 pessoas ficaram feridas em um acidente similar na Província de Al Sharquiya, cerca de 100 km ao norte da capital.

Com agências internacionais

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