Mundo
25/08/2006 - 22h31

Líbano recebe positivamente oferta da Europa para Unifil

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da Folha Online

O Líbano recebeu positivamente a proposta da Europa de aceitar uma "participação efetiva" na força de paz das Nações Unidas no Líbano e afirmou que a decisão poderá ajudar o governo a reafirmar sua autoridade no sul do país e restaurar a estabilidade no pós-guerra.

Segundo uma fonte do governo libanês citado sob a condição de anonimato pela agência Associated Press, a decisão da União Européia (UE) de participar intensamente vai apoiar os esforços do Líbano para impor sua autoridade no sul do país, consolidar a estabilidade e auxiliar na implementação da resolução 1.701, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.

Os países da União Européia (UE) ofereceram nesta sexta-feira entre 5.600 e 6.900 novos soldados para a ampliação da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), anunciou a presidência da UE.

Uma autoridade do grupo terrorista Hizbollah --que pediu anonimato porque não estava autorizada a conversar com a imprensa-- se recusou a comentar a decisão européia, alegando que o movimento xiita iria "estudar cuidadosamente" a proposta para uma zona de exclusão de armas defendida pela ONU.

Os ministros da UE concluíram hoje uma reunião extraordinária para discutir as contribuições nacionais e nesse encontro os países mostraram sua disposição em comprometer "um número substancial de tropas", disse o ministro de Relações Exteriores finlandês, Erkki Tuomioja, que ocupa a presidência rotativa do bloco europeu.

"A reunião confirmou que a União Européia estará à altura das expectativas", disse Tuomioja na entrevista coletiva final, após o final do Conselho de Ministros.

"Já temos, apenas com o que há sobre a mesa, entre 6.500 e 7.000 soldados, o que quer dizer que a coluna vertebral da Unifil será européia", declarou, por sua vez, o ministro das Relações Exteriores francês, Philippe Douste-Blazy, durante uma coletiva de imprensa à margem da reunião realizada em Bruxelas.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que assistiu à reunião, se mostrou "muito satisfeito", e disse que "confiava em que a Europa assumiria sua responsabilidade e sua solidariedade com o povo libanês".

Tuomioja disse que as tropas européias começarão a chegar ao Líbano na próxima semana, mas a mobilização só estará concluída em vários meses.

Apesar da aprovação da proposta, o Líbano rechaçou a intenção de mobilizar tropas da Unifil na fronteira com a Síria, segundo o ministro libanês da Informação, Jazi Aridi.

"Só o Exército libanês está encarregado do controle da fronteira com a Síria, e não serão mobilizados efetivos da Unifil na zona. Essas são as intenções de Israel e dos Estados Unidos, mas o Líbano não recebe ordens de ninguém, nem dos Estados Unidos, nem de Israel, nem da Síria, nem do Irã", afirmou Aridi.

"O governo libanês só pediu uma ajuda técnica para controlar sua fronteira com a Síria, e a Alemanha prometeu que colocará recursos à nossa disposição", acrescentou Aridi sem mais detalhes.

A Síria ameaçou nesta quarta-feira fechar sua fronteira com o Líbano se a Unifil assumir posições na região. O presidente sírio, Bashar al Assad, disse que considerará essa mobilização um "ato hostil" a seu país.

A necessidade de forças de paz no sul do Líbano torna-se cada vez mais urgente 11 dias após o cessar-fogo entre o grupo terrorista libanês Hizbollah e Israel.

O posicionamento das tropas internacionais na fronteira entre o Líbano e a Síria, além da definição das funções a serem exercidas na região, são os principais problemas enfrentados pela versão ampliada da Unifil.

Israel e o Hizbollah travaram uma batalha que durou 34 dias e deixou 1.183 mortos no Líbano e cerca de 160 em Israel, segundo relatório da ONU.

O estopim do conflito --que começou no dia 12 de julho e durou até o cessar-fogo iniciado no último dia 14-- foi o seqüestro de dois soldados israelenses pelo Hizbollah, em ação que deixou oito soldados israelenses e dois membros do Hizbollah mortos.

Ataques aéreos israelenses deixaram cidades inteiras no Líbano sob escombros e forçaram quase um milhão a pessoas sair de suas casas. O Hizbollah, em ação sem precedente, também lançou cerca de 4.000 foguetes contra a região norte de Israel, fazendo com que aproximadamente 300 mil pessoas se deslocassem para abrigos antiaéreos ou outras cidades.

Com agências internacionais

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