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Novo ombudsman começa no dia 22

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Carlos Eduardo Lins da Silva
Carlos Eduardo Lins da Silva O jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, 55, será o novo ombudsman da Folha. Ele passa a atender os leitores na próxima terça-feira, dia 22 de abril. Sua coluna dominical estréia no dia 27.

"Eu sempre fui um entusiasta da função de ombudsman de jornais e me considero um dos responsáveis por sua implantação no Brasil. Por isso fico muito feliz de exercê-la", afirma.

Lins da Silva diz que pretende utilizar a opinião dos leitores para ajudar o jornal a ser cada dia melhor. "Mas não acho que minha função seja apenas de receptor e transmissor do que pensa o leitor. Espero também apontar direções e mostrar aos leitores problemas e benefícios que eles têm, na relação com o jornal, e muitas vezes nem percebem."

Natural de Santos, Lins da Silva começou na profissão como repórter, aos 18 anos, nos jornais "Diário da Noite" e "Diário de S.Paulo".

Passou por outros jornais e revistas até ser contratado pela Folha, em 1984. No jornal, foi repórter, redator, editor, secretário de Redação, diretor-adjunto de Redação e correspondente em Washington.

Saiu para ajudar a fundar o jornal "Valor Econômico" (parceria entre a Folha e as Organizações Globo), do qual foi diretor-adjunto de 1999 a 2004.

Foi também diretor de relações institucionais da Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas. Atualmente, é apresentador do "Roda Viva", da TV Cultura, posto que abandona na próxima segunda.

Ao lado da atividade jornalística, manteve intensa vida acadêmica. É mestre em comunicação pela Michigan State University e doutor e livre-docente em comunicação pela Universidade de São Paulo.

Lecionou em universidades no Brasil e nos EUA e é autor de dez livros, entre eles "Muito Além do Jardim Botânico", sobre a audiência do "Jornal Nacional" entre trabalhadores, "Mil Dias: os Bastidores da Revolução de um Grande Jornal" e "O Adiantado da Hora: A Influência Americana Sobre o Jornalismo Brasileiro".

Crítica interna

Lins da Silva será o nono profissional a ocupar o cargo de ombudsman na Folha. O jornal foi o primeiro a adotar tal função no Brasil, em 1989. Antes dele, Caio Túlio Costa, Mario Vitor Santos, Junia Nogueira de Sá, Marcelo Leite, Renata Lo Prete, Bernardo Ajzenberg, Marcelo Beraba e Mário Magalhães atuaram como representantes dos leitores.

Magalhães exerceu a função por um ano, e seu mandato terminou no dia 4. Ele divergiu da decisão da direção da Folha de não mais divulgar na internet a crítica interna diária que o ombudsman produz sobre o jornal. Por causa do impasse, seu mandato não foi renovado.

Para a Direção, a crítica interna vinha sendo utilizada pela concorrência e instrumentalizada por jornalistas ligados ao governo federal.

Segundo Otavio Frias Filho, diretor de Redação, "era incongruente que a crítica interna fosse de acesso irrestrito, quando as próprias edições da Folha são acessíveis na internet apenas para assinantes".

"Respeito a opinião do ombudsman, que ele expressou amplamente em sua coluna dominical. Cabe ao ombudsman criticar. E à Direção tomar as decisões que considera mais adequadas", diz Frias.

Além de redigir a crítica interna diária, compete ao ombudsman encaminhar à Redação as reclamações dos leitores e criticar o jornal e os demais meios de comunicação na coluna dominical, publicada no caderno Brasil.

Para preservar sua isenção, as sugestões do ombudsman não têm caráter deliberativo. O mandato é de um ano, renovável por mais dois, e o profissional não pode ser demitido por seis meses após deixar o cargo.

A palavra ombudsman surgiu na Suécia, em 1809, para designar o defensor dos cidadãos ameaçados pelo Parlamento. O primeiro ombudsman da imprensa foi instituído em 1967 por um jornal do Estado de Kentucky (EUA).

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