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São
Paulo, 13 de junho de 2000
RENATA
LO PRETE
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Horas
de terror
1. Segundo a Folha, a refém Geísa Firmo Gonçalves,
morta no desfecho do sequestro do ônibus no Rio, era empregada doméstica.
O "Jornal do Brasil" a descreve como recreadora e artesã. No relato
da rádio CBN esta manhã, seria professora. Quem está certo?
2. Também há versões diferentes sobre o número de tiros que
Geísa levou (três na Folha e no "Estado", cinco no "Globo"
e no "JB"), mas neste caso a divergência parece se dever ao fato de
os jornais do Rio terem contado dois tiros de raspão.
3. "A refém Antônia Cardoso contou que teve de dar seu dinheiro
para que o sequestrador não a matasse" (pág. C3). O trecho contradiz
afirmação feita na página anterior, segundo a qual "o criminoso não
chegou a assaltar os passageiros".
4. No último parágrafo do texto da capa de Cotidiano
está escrito que o sequestrador "ainda saiu vivo do local". A descrição
é um tanto imprecisa. Sem esquecer que imagens podem enganar, noto
que ele parecia BEM vivo quando foi levado para o camburão. Isso não
passou despercebido no relato de outros jornais.
5. Esse tipo de cobertura evidencia o quanto o espelho de
Cotidiano, na edição São Paulo, dificulta o aproveitamento
de fotos. Não faltavam imagens de impacto, mas elas pouco aparecem
no caderno. Em alguns casos, nem são as melhores daquele momento da
história (a de Geísa sendo carregada pelo policial, na pág. C 4, é
inferior à que aparece na capa do "Globo").
6. Recebi mensagens de leitores questionando o uso da palavra
sequestro para descrever o episódio de ontem. Não vejo razão no protesto.
7. Mas concordo com a leitora que criticou a Folha
por ter destacado na Primeira Página que Garotinho considerou
a solução "a melhor possível", sem explicar que o governador, quando
fez a declaração, não sabia da morte da refém. O esclarecimento, que
me parece essencial, só aparece no miolo da pág. C 4.
8. Ainda sobre o governador, carece de sentido o título "Garotinho
não sabe quem matou refém", no alto da pág. C 4. Não me parece lógico
esperar que ele, àquela altura, soubesse.
9. O texto de memória "PM teve 2 ações precipitadas" (pág.
C 4) não chega a errar de maneira explícita mas, por omissão, leva
a um entendimento equivocado do que foi o caso Adriana Caringi. Até
onde me lembro, investigação concluiu que partiu da polícia o tiro
que matou a professora de 23 anos. O texto não diz isso, e ainda deixa
dúvidas quanto à participação do assaltante.
10. Há muita gordura no texto "Especialistas divergem sobre
operação" (pág. C 4). Até o secretário da Segurança Pública de Goiás
foi chamado a se manifestar, contribuindo com análise que não exigia
nenhuma especialização para ser formulada ("O momento para agir nessas
situações é difícil de ser identificado"). Em compensação, embora
alguns dos entrevistados mirem na questão, o texto não reflete bem
a principal divisão nas opiniões sobre o que aconteceu ontem: alguns
(FHC à frente) acham que a polícia errou por ter demorado a agir;
outros consideram que errou por ter se precipitado.
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