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Crítica diária
São Paulo, 14 de junho de 2000

RENATA LO PRETE


O dia seguinte
1. De acordo com o quadro no pé da pág. C 6, "ainda não se sabe de onde partiram os tiros que mataram Geísa". O trecho contradiz as demais referências ao assunto na cobertura, nas quais se lê que o primeiro tiro, de raspão, partiu da arma do policial, e os outros três (entre eles os dois letais) de Sandro do Nascimento.

2. Título na pág. C 6: " Coronel diz que atirador não será punido". A afirmação simplesmente não consta da matéria. Não me lembro de tê-lo ouvido dizer isso na entrevista coletiva.

3. Outro caso, embora menos grave, de enunciado que não fica em pé:
"Assaltante teria pensado em se render" (pág. C 11). Aqui pelo menos o lide segue a mesma linha ("A estudante Janaína Lopes disse que o assaltante pensou em se render duas vezes antes de sair"). O problema é que a frase da moça ("Ele estava muito nervoso, não queria roubar ninguém, apenas escapar do cerco policial") está longe de sustentar a conclusão. De todo modo, é caso de perguntar se o jornal deveria dar título para algo tão hipotético.

4. Detalhe de acabamento. Como ontem, a edição traz mapa localizando a rua Jardim Botânico e vizinhança (pág. C 6). Ao lado, mostra-se em um mapa do Brasil onde fica o Rio de Janeiro. É pouco provável que algum leitor não saiba. Mas é possível que muitos ignorem em que ponto da cidade fica a rua do sequestro. Era isso que o mapa de referência deveria ter esclarecido.

5. Redundância: informações sobre as armas do policial e do sequestrador se repetem em quadros nas págs. C 6 e C 10.

6. Até na Folha, mais econômica do que outros jornais no uso de adjetivos, parece que a palavra "desastrado" foi liberada para surgir nas reportagens ao lado de "trabalho da polícia", "episódio" etc. Ela consta do texto principal de hoje (pág. C 6). Seria melhor se ater aos fatos, deixando os adjetivos para os textos de opinião, mesmo porque "desastrado" é termo leve demais para qualificar o que foi feito.

7. É boa a história da mulher que diz ser mãe de Sandro (pág. C11). Até onde pude conferir, só foi dada pela Folha. Em compensação, senti falta de alguns itens que encontrei no "Globo", como informações sobre o depoimento dos policiais do Bope (pág. 19) e o relato de que PMs teriam ameaçado os médicos do Souza Aguiar que prepararam o boletim sobre a morte de Sandro (pág. 17).

Jason lives

1. Se o "prefeito não acreditava em retorno", como diz título na pág. C3, é preciso reconhecer que a imprensa também não. Mesmo na Folha, que chamava Régis de Oliveira de prefeito interino, a cobertura recente transmitia a impressão de que Pitta era história. Talvez não tenha sido feito nada de errado, mas o fato é que nessa novela os jornais foram tomados de surpresa mais de uma vez.

2. Parece haver engano na transcrição da seguinte frase do vereador oposicionista José Eduardo Cardozo (pág. C 4) sobre a votação do impeachment na Câmara: "Com a volta do Pitta, o voto fechado torna-se ainda mais importante. Sem ele, Pitta nunca vai ser cassado". Não é o contrário?

3. "A Folha apurou que Pinotti deve colocar o cargo (de secretário da Saúde) à disposição porque não lhe interessa trabalhar com Pitta." Não é preciso apurar muito para chegar a tal conclusão. Segundo o título dessa matéria (pág. C 5), os secretários de Regis "não sabem se ficam em seus cargos". Como não sabem? Por que Pitta iria querê-los?

Carta anunciada

Era mais do que esperado o protesto de Ruth Cardoso que abre o "Painel do Leitor", seja pelo estilo da primeira-dama, seja pela dubiedade da declaração a partir da qual a Folha concluiu que ela está "entre Marta e Erundina" na eleição municipal.
O curioso é que, ao retomar o assunto hoje, o jornal vai além. Segundo texto na pág. A 4, "a declaração de voto de FHC (para Geraldo Alckmin) foi dada um dia depois de Ruth Cardoso ter afirmado (grifo meu), em entrevista à Folha, que esperaria a campanha para decidir se votaria em Luiza Erundina ou em Marta Suplicy". Isso está ainda mais distante das aspas da entrevistada do que o título de segunda-feira. Quem conta um conto etc.

Mais eleição municipal

"Erundina agora quer apoio do presidente", afirma título na pág. A 4. O texto não esclarece se ela:
a) mencionou FHC por iniciativa própria;
b) mencionou FHC a partir de pergunta do repórter;
c) não mencionou FHC, dizendo apenas que "sobretudo no segundo turno, você não pode rejeitar votos de ninguém".
São coisas bem diferentes.


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