São
Paulo, 15 de junho de 2000
RENATA
LO PRETE
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Notícia na madrugada
1. Reconheço: o horário em que o Conselho de Ética do Senado aprovou o pedido de cassação de Luiz Estevão foi totalmente desfavorável. Mas o fato é que a versão final da pág. A 5 está atrapalhada a ponto de merecer "erramos". Três parágrafos da reportagem principal aparecem repetidos na retranca "Advogado ameaça recorrer ao STF", que por sua vez não traz advogado nenhum, só senadores. O advogado de Estevão surge no outro texto, mas não diz nada sobre STF.
2. Não encontrei na Folha a curiosidade, relatada em outros jornais, de que Estevão se comparou a Maximus, protagonista do filme "O Gladiador".
Outras palavras
Segundo a reportagem "Rossi sai na frente para ser vice de Maluf" (pág. A 7), o ex-prefeito de Osasco "tem dito a interlocutores que, apesar de sua vocação para o Executivo, poderia vir a considerar essa possibilidade". A função de vice não pertence a outro Poder. Imagino qual era a intenção da frase, mas as palavras foram mal escolhidas.
Máfia em Wall Street
1. Segundo chamada na Primeira Página, o FBI prendeu 120 pessoas de alguma forma ligadas a operações de mafiosos na Bolsa de Nova York. Na reportagem interna os números são outros: 98 presos e 120 indiciados.
2. Lide da capa de Dinheiro: "A Máfia chegou a Wall Street". Tem apelo cinematográfico, mas carece de significado. A Máfia chegou a Wall Street há muito tempo. A novidade é que o FBI parece ter dissolvido um esquema grande.
3. De acordo com a reportagem , o golpe consistia em comprar ações na baixa, inflá-las por meio de falsos relatórios de desempenho e depois vendê-las na alta (nada original). "Corretores de Wall Street ajudavam a empurrar os papéis podres." A expressão foi mal empregada. Papel podre é outra coisa.
Depois do ônibus
1. A Primeira Página fez o certo ao registrar, ao lado da informação de que 54% dos paulistanos reprovam a conduta dos policiais do Rio que mataram o sequestrador do ônibus por asfixia, o contraponto de que parcela expressiva dos entrevistados (41%) aprovam a ação. A capa de Cotidiano errou ao destacar o primeiro percentual no sobretítulo e nem ao menos incluir o segundo na reportagem. Ele aparece apenas no meio da arte. Podemos não gostar do resultado, mas não é caso de escondê-lo.
2. Na mesma linha, vários dados menos significativos são apresentados na matéria antes do registro, no último parágrafo, do apoio majoritário (67%) à proposta de usar o Exército no combate à violência urbana.
3. A reportagem "Assaltantes ameaçam queimar idosa" (pág. C 6) informa, no segundo parágrafo, que Elvira Sutton "foi agredida com coronhadas e tapas na cabeça". Adiante está escrito que ela "saiu ilesa" do episódio. O que vale?
A partir do nada
1. Para afirmar que alguma coisa cresce ou diminui, o jornal precisa de informação, por mínima que seja, em que possa se apoiar. Não há, na reportagem "Lixo no capricho", um único dado que sustente o título da chamada da Primeira Página ("Cresce coleta seletiva de lixo").
2. Depois do Folhateen (05/06), é a vez do caderno Equilíbrio embarcar na promessa da prefeitura de que, até o final do ano, a coleta seletiva será tremendamente ampliada em São Paulo (pág. 10). "Depende somente do término do processo de licitação para a contratação das empresas."
Leia
críticas anteriores:
14/06/2000
13/06/2000
12/06/2000
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