São
Paulo, 16 de junho de 2000
RENATA LO PRETE
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Sem surpresa
Três quartos do texto da Primeira Página sobre o aniversário
do Maracanã são usados para dizer que se trata do "estádio mais
importante do país, palco de jogos e lances memoráveis e da derrota
na Copa de 50, maior tragédia do futebol brasileiro". Em termos
proporcionais, é muito espaço para o que todos sabem.
Eleição municipal
1. Na quarta-feira o jornal trouxe os resultados de
novo levantamento de intenção de voto para a prefeitura paulistana.
Ontem publicou subproduto desse material, informando que os eleitores
apostam em um segundo turno entre Marta e Maluf. Hoje há mais pesquisa
(pág. A 4), desta vez para aferir quem ganha e quem perde, na opinião
dos entrevistados, com a volta de Pitta ao cargo. Não é pesquisa
demais?
2. Trecho da reportagem "Para PPB, Faria de Sá não é mais
filiado" (pág. A4): "Lideranças pepebistas avaliam que uma eventual
punição ao deputado valorizaria ainda mais um episódio, dizem, de
repercussão já bastante negativa para a campanha malufista". O "dizem"
salva o texto do jornal, mas é bom ter cuidado para não levar excessivamente
a sério a zanga de Maluf (vide notas no "Painel") e a idéia de que
seus eleitores (os já definidos e os que ainda virão a apoiá-lo)
mudariam o voto porque Arnaldo Faria de Sá virou secretário de Pitta.
3. Trecho da reportagem "Pepebista diz que usará 'imposto
dos ricos' em 'obras para os pobres'": Maluf disse ainda que vai
reativar o PAS, extinto no atual governo por suspeita de corrupção".
É questão de sintonia fina. "Suspeita" é termo suave demais para
descrever o que já se descobriu sobre o PAS.
4. A Folha se pauta por pesquisas eleitorais do Datafolha,
e apenas dele. Quando registra resultados de outros institutos,
geralmente no "Painel", costuma nomeá-los. Assim, não entendo por
que são tão frequentes, nas reportagens do jornal, menções como
a de hoje no abre da pág. A 5: "Alckmin aparece nas pesquisas eleitorais
com apenas 4% das intenções de voto". O trecho se refere ao dado
mais recente do Datafolha. Por que ser vago?
Cerco a Luiz Estevão
1.
Não custava ter mencionado, na reportagem "Senado vai apressar a
cassação de Estevão" (pág. A 14), que o relator do processo, Romeu
Tuma, é candidato nas eleições de outubro.
2. Redação ruim na matéria "Senador diz que não vai alterar
estratégia": "os advogados de Estevão disseram que a representação
contra o senador não representava a vontade dos partidos".
Leia
críticas anteriores:
15/06/2000
14/06/2000
13/06/2000
12/06/2000
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