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São
Paulo, 21 de junho de 2000
RENATA LO PRETE
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O
plano de FHC
1. Ontem a Folha informou, na nota de abertura do "Painel",
que o contorno final do plano de segurança era "uma vitória do Gabinete
de Segurança Institucional" (de Alberto Cardoso portanto) "sobre a
PF e José Gregori". A segunda nota ressalvava que, apesar disso, o
general não ampliaria seu poder sobre a Polícia Federal, como gostaria.
Hoje a interpretação é outra. O jornal afirma que "o plano tira poder
do general Alberto Cardoso". O leitor fica perdido.
2. Trecho da reportagem de capa de Cotidiano: "Na prática,
a medida (provisória) inviabiliza a venda, já que as armas só podem
sair das lojas depois de registradas". Teria sido mais realista escrever
que "em tese, a medida inviabiliza" etc.
3. Título do segundo abre de página (C 3) da cobertura: "Plano
prevê multa para emissoras de TV". O texto conta história da carochinha:
"Além de ser multada, a emissora que descumprir a norma de classificação
(por horários) poderá ser obrigada a exibir programas educativos,
cuja realização seria financiada por um fundo formado pelas multas".
O destaque dado a esse aspecto do plano indica, além de má escolha
da edição, a dificuldade em arrancar notícia das promessas anunciadas
ontem.
4. Mais história da carochinha: "Apesar de não serem obrigados
a cumprir nenhum percentual, os governadores terão de provar com números
que reduziram o índice de criminalidade e aumentaram o de apuração
de crimes" (pág. C 4).
5. Segundo a reportagem que abre a pág. C 4, "um dos maiores
obstáculos ao anúncio do plano _a falta de dinheiro para bancar gastos
extras de R$ 512,5 milhões neste ano_ foi vencido porque a equipe
econômica descobriu na última hora uma folga nas metas do ajuste fiscal
negociado com o FMI". Descobriu na última hora ou diz que descobriu
na última hora? Que segurança o jornal tem para assumir que se tratou
de uma grata surpresa? O correto teria sido deixar a história na boca
do governo.
O rolo no PPS
Na crítica de sexta-feira,
depois de reconhecer o interesse do caso das filiações em massa/suspeitas
ao PPS, escrevi que tinha dúvidas sobre a necessidade de dedicar página
inteira ao assunto, como a Folha havia feito. Independentemente
do tamanho da reportagem, seus desdobramentos deixam claro que ela
foi um gol do jornal.
Faltou lembrar
Detalhe de didatismo. O diretor de Política Monetária do BC aparece
na reportagem de capa de Dinheiro, sobre o anúncio de redução
dos juros, dizendo que "os resultados recentes da inflação mudaram
significativamente as expectativas do Copom". Adiante, a matéria registra
que "desde a adoção do regime de câmbio flutuante, o controle da inflação
passou a ser o principal objetivo da política de juros do governo",
e diz qual é a meta para este ano. Apesar dessas referências, o texto
vai até o fim sem lembrar quais são os "resultados recentes da inflação".
Fogo na creche
A história das crianças mortas no incêndio da creche em Uruguaiana
merecia mais do que o pé de página recebido em Cotidiano na
edição São Paulo (C6). Além da pouca visibilidade, a leitura comparada
mostra que tanto o "Estado" quanto o "JB" trazem relatos mais detalhados
do que aconteceu.
Leia
críticas anteriores:
19/06/2000
16/06/2000
15/06/2000
14/06/2000
13/06/2000
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