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São
Paulo, 26 de junho de 2000
RENATA LO PRETE
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Cerco a Luiz Estevão
1. Um dos textos de apoio ao material sobre o bilhete de Fábio Monteiro de Barros para Luiz Estevão (pág. A 4) informa que "senadores do PMDB consultados pela Folha admitem que a situação de Estevão fica prejudicada com a divulgação" do papel. Não duvido. O problema é que, além do próprio Estevão, o único entrevistado é Pedro Simon, que certamente não precisou esperar por esta novidade para ser a favor da cassação.
2. A mesma matéria fala no "suposto bilhete" de Fábio Monteiro de Barros.
De novo a confusão com a palavra, usada a três por quatro nos textos do jornal. O bilhete não é "suposto". O que não se sabe é se Estevão chegou a recebê-lo. Ele diz que não.
3. No "outro lado", ao tentar desqualificar o "Correio Braziliense" (que revelou ontem o bilhete), Estevão lembra que "intermediou reuniões do editor-executivo" do jornal "com Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência". Essa bola não pára de quicar. Marcará um ponto quem conseguir trazer o nome do ex-colaborador de FHC para o noticiário sobre o quase-ex-senador em apuros.
Kuerten em Wimbledon
Lide da reportagem "Rivais de Kuerten em 99 continuam no ostracismo" (pág. D 2): "Se ensaiasse amparar suas expectativas em Wimbledon a partir do poderio dos quatro jogadores que superou na última edição, Gustavo Kuerten acabaria frustrado", porque os rivais "eram e permanecem medíocres". Pergunto: por que Kuerten "ampararia suas expectativas" nisso, se os adversários deste ano serão outros e se ele próprio vive momento diferente de sua carreira?
Edição de domingo, 25 de junho
Pesquisa, pesquisa, pesquisa
Intenção de voto para presidente, avaliação de FHC e dos governadores, opinião dos brasileiros sobre a polícia: não havia muita coisa além de pesquisa na edição de ontem. Para completar, os resultados não chegaram a surpreender. Os relativos à polícia eram particularmente previsíveis.
Regis e Pinotti 2
1.Como na edição de sábado, o jornal deixou passar batido, na reportagem da pág. A 4, o seguinte aspecto da história contada por Regis de Oliveira e José Aristodemo Pinotti: ambos afirmam que não denunciaram antes as supostas tentativas de suborno porque não tinham provas; como parecem continuar não tendo, por que falaram agora? Porque Pinotti escreveu o artigo para a Folha, certo. Mas isso não chega a ser resposta. Também não há, na reportagem, indício de que o jornal tenha cobrado da dupla que dê nome aos bois: qual "assessor" de Regis foi procurado por "um homem que se apresentou como empresário"? E esse homem, quem era? De quem a ex-chefe de gabinete de Pinotti recebeu a proposta de R$ 1,5 milhão/mês para manter o PAS funcionando? A observação não tem o sentido de desconsiderar o que dizem o vice-prefeito e o ex-secretário da Saúde. Mas não é bom que o jornal transmita a impressão de deixá-los falar o que bem entendem sem passar pelo devido questionamento.
2. Detalhe de redação: há dois "por cada" no quadro "Como funciona o PAS".
Básico
1. A reportagem "Propaganda na Internet causa processo" (pág. A 5) fala de "representações contra candidatos que teriam cometido abuso" e identifica, em quadro, irregularidades cometidas por Paulo Maluf, Marta Suplicy e Marcos Cintra em seus respectivos sites. Em nenhum momento, no entanto, o texto esclarece o que a legislação eleitoral diz sobre o assunto.
2. Dúvida: diante do que afirma o promotor ("se alguma emissora entrevistar algum candidato neste final de semana, entro com ação contra o candidato e a emissora"), como fica a aparição de Geraldo Alckmin, ontem, no "Passando a Limpo" de Boris Casoy?
Blá, blá, blá
Observações sobre a reportagem "Sucessão indefinida eleva custo do crédito", capa de Dinheiro:
1. Segundo o texto, o preço do crédito no exterior para empresas e bancos do país "passou a incluir o prêmio cobrado por não se saber quem será o próximo presidente do Brasil". Estranho seria se soubéssemos, a mais de dois anos da eleição.
2. A matéria está repleta de obviedades, como "quanto pior a popularidade de FHC, mais alto será o prêmio de risco cobrado pelos investidores estrangeiros", ou "se a aceitacão pública do governo estiver muito baixa, mais difícil será para o presidente eleger seu sucessor".
3. Por fim, cabe registrar que a pauta "investidores estrangeiros temem Lula" (e Ciro também, pelo que diz a matéria) é tudo menos nova. Como Lula já perdeu três vezes e a próxima eleição será em 2002, talvez seja o caso de deixar essa conversa para mais tarde.
Temperatura
1. Os dois eventos esportivos de maior destaque no sábado (São Paulo x Palmeiras e a luta de Mike Tyson) foram bem contemplados na edição de ontem (capa e pág. D 5, respectivamente). Mas ficaram subestimadas tanto a vitória de Alexandre Barros no GP da Holanda, a primeira do motociclista brasileiro em sete anos (pág. D 4), quanto a classificação de Portugal para as semifinais da Eurocopa (uma única frase na pág. D3). A reportagem especial sobre Indy (pág. D 5) não registra o resultado do treino de sábado em Portland.
2. Um leitor pede que eu compare os relatos do "Estado" e da Folha sobre o momento em que o juiz marcou pênalti a favor do Palmeiras no jogo de sábado contra o São Paulo. Segundo o concorrente, "Euller fez boa jogada e foi derrubado por Edmílson e Belletti dentro da área". Para a Folha, Euller "foi tocado" pelos dois jogadores. Detalhe de redação, sem dúvida, mas do tipo que leva tantos palmeirenses a me procurar para dizer que a Folha persegue o time.
Rumo à Olimpíada
O problema do especial "Sydney 2000", encartado na Revista da Folha, é que ele parece ser exclusivamente pretexto para abrigar os anúncios do Banco do Brasil. Não há idéia conduzindo o caderno. A única mencionada na capa (atletas brasileiros "motivam crianças em todo o país") remete para uma matéria fraca quase no final do especial. No mais, os perfis misturam, sem indicação de hierarquia, atletas importantes e/ou promissores com nomes sem nenhuma relevância.
Leia
críticas anteriores:
23/06/2000
21/06/2000
19/06/2000
16/06/2000
15/06/2000
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