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São
Paulo, 30 de junho de 2000
RENATA LO PRETE
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Trocando as bolas
Pessoas com conhecimento do assunto me dizem que a Folha confundiu estações nas notas de abertura do "Painel". De acordo com o jornal, é frequente que caças da FAB decolem para tentar deter aviões suspeitos na rota Paraguai-Brasil, mas "voltam desmoralizados para a base" porque "a atual legislação os inibe de combater esse crime".
Entrevistado, o presidente do Superior Tribunal Militar atribuiu o problema à "mudança feita em 96 no Código Penal Militar, que passou para a Justiça comum o julgamento de crime doloso contra civil". Muito bem. Pelo que me explicam, a situação descrita nas notas (avião militar que detém e/ou abate aeronave civil) não está coberta por essa legislação, e sim por outra, específica, já aprovada pelo Congresso mas ainda não regulamentada.
Obviamente, o presidente do STM tem todo o interesse em dizer que a mudança de 96 não presta
Corrupção no PAS
As notícias de hoje (identificação do suposto autor de proposta de suborno + documentos resgatados no lixo + transcrição da conversa em que funcionária da Secretaria da Saúde fala de pagamento recebido por fora) dão alimento ao caso da nova leva de denúncias de corrupção no PAS, que vinha definhando. Observações pontuais sobre a cobertura:
1. O quadro que faz a cronologia desse noticiário (pág. A 4) diz que Regis de Oliveira e José Aristodemo Pinotti "devem ser chamados para prestar esclarecimentos ao Ministério Público", mas não lembra que o segundo já falou aos promotores e, pelo que foi divulgado, não esclareceu muita coisa.
2. O jornal não se decide quanto às palavras a usar para descrever a situação do PAS. Em momentos diferentes, o mesmo texto na pág. A 4 fala em "suposto esquema de corrupção", "esquema" propriamente dito e "eventuais irregularidades".
3. Seria oportuno ter ouvido César Castanho (chefe de gabinete do secretário Jorge Pagura), repetidamente mencionado na conversa entre a denunciante Maria Lúcia Tojal e a funcionária que receberia pagamento por fora de Castanho (pág. A 5). Ou, se ele não quis falar, informar isso ao leitor.
4. No "outro lado" que acompanha o pingue-pongue com Pinotti (pág. A 6), Jorge Pagura "contesta afirmações feitas pelo ex-secretário", entre elas a de crescimento da mortalidade infantil nos bolsões de pobreza de São Paulo. O jornal não deixa claro que Pagura desvia a questão, respondendo com um outro número (o geral de mortalidade infantil). De acordo com o que a própria Folha já publicou, a afirmação de Pinotti está correta.
Faltou explicar
A reportagem "Covas libera R$ 337 mi para 539 cidades" (pág. A 8) sugere que a distribuição privilegiou prefeituras administradas pelo PSDB (39,15% dos municípios que receberão recursos). Para confirmar (ou refutar) a tese, teria sido bom conferir se esse percentual tem alguma correspondência com o de prefeituras tucanas no Estado.
A parte e o todo
A matéria "Governo vai conceder reajuste a servidores" (pág. A 8) informa que 44 mil serão beneficiados, mas não registra o total de funcionários federais, o que impede o leitor de avaliar o alcance da medida provisória.
Discurso único
Título do abre da página B 3: "Consultoria sugere acabar com os bancos federais". Sobretítulo: "Empresa contratada pelo BNDES projeta futuro negro". O texto informa que, "com o objetivo de debater o assunto, o Ministério da Fazenda (...) colocou em sua página na Internet o relatório completo" preparado pela Booz Allen & Hamilton. Sem entrar no mérito da conveniência ou não de acabar com os bancos federais, cabe registrar que todos sabemos muito bem o que o Ministério da Fazenda gostaria de fazer com eles. Portanto, não seria demais pedir que o jornal abordasse o assunto de forma mais pluralista.
Leia
críticas anteriores:
29/06/2000
28/06/2000
27/06/2000
26/06/2000
23/06/2000
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