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São
Paulo, 18 de julho de 2000
RENATA LO PRETE
EJ
1. Embora eu ainda tenha leitura para colocar em dia, o "intensivão" sobre caso EJ que tive de fazer nos últimos dois dias me leva a concluir que, do noticiário de hoje, destaca-se a reportagem do "Globo" (José Carlos Dias afirma ter recebido, quando ministro da Justiça, pressões de Eduardo Jorge em favor de empresa contratada sem licitação pelo Denatran). O interessante é que, corroborando a acusação do ex-ministro, aparece na matéria o secretário-geral do Ministério, que atira no governo enquanto seu chefe, José Gregori, segue dando as declarações mais apatetadas da operação-abafa (pág. A 5 da Folha).
2. Um leitor pede que a Folha não deixe de noticiar desdobramento apresentado ontem pelo "Correio Braziliense", segundo o qual procuradores investigam ligação entre EJ e José Carlos Monteiro, tesoureiro da campanha de Covas.
3. Arnaldo Jabor ataca "a imprensa", segundo ele interessada em "achar um crime no Planalto de qualquer jeito" (pág. E 12). Para o colunista, "na imprensa está cheio" de "canalhas do bem". Nada de nomes, mas o alvo não poderia ser mais claro.
Sujeito errado
"Hillary refuta frase polêmica", diz o título da seção "Multimídia" (pág. A 12). Talvez tenha refutado, mas, no texto em questão, a primeira-dama e candidata a senadora não refuta nem fala coisa nenhuma. É Bill Clinton quem aparece negando que ela tenha chamado um assessor de campanha, em 1974, de "fucking Jewish bastard".
Óleo no rio Iguaçu
1. Apesar de se repetir em alguns trechos, a análise de Fernando Gabeira (pág. C 2) é um diferencial positivo na cobertura da Folha sobre o vazamento no Paraná. O texto toca em vários pontos (diferença entre os tipos de óleo que vazaram no rio Iguaçu e na baía de Guanabara, problemas com as barreiras de contenção que estão sendo usadas, possíveis desdobramentos da contaminação etc.) que podem ser explorados pela reportagem na suíte do caso.
2. Folha, "Estado" e "Globo" ouvem a mesma ambientalista na repercussão. No texto da Folha (pág. C 4), a primeira avaliação atribuída a ela é a de que "o atraso na descoberta do vazamento e na colocação da primeira barreira no rio Iguaçu aumentou a extensão dos danos ambientais do acidente". Para chegar a essa conclusão o leitor não precisa de especialista.
3. Salvo engano, os relatos dos jornais não trazem previsão do prejuízo em dinheiro. É lógico que o estrago não se limita a essa esfera, mas seria interessante levantar o cálculo, ainda que aproximado, para comparar a cifra ao valor da multa imposta à Petrobras. Por falar em multa, a da baía de Guanabara já foi paga?
4. Folha e "Globo" lembram dos principais casos de vazamento registrados no país. O "Estado" (pág. A17) enumera também uma série de acidentes recentes, menores, em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Maranhão. O concorrente local está certo ao afirmar que "vazamentos de óleo têm sido uma constante este ano"?
Vem aí o divã
Teria sido interessante não ouvir apenas psicanalistas no material que apresenta a exposição sobre Freud, com chegada ao Brasil marcada para setembro (págs. E 8 e E 9). O comentário pode parecer tolo, já que Freud é o pai da etc. Mas não é bem assim.
Se tivesse diversificado o espectro de entrevistados, a reportagem teria refletido melhor a grande discussão que essa mostra provocou nos EUA. Segundo Renato Mezan, "o barulho foi causado por um poderoso lobby antipsicanalítico". Pode ser. De todo modo, não é caso de a Folha fazer o lobby contrário.
Leia
críticas anteriores:
30/06/2000
29/06/2000
28/06/2000
27/06/2000
26/06/2000
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