São
Paulo, 27 de julho de 2000
RENATA LO PRETE
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História reescrita
1. Segundo chamada na Primeira Página, a vitória sobre a Argentina "foi a melhor atuação brasileira" nas eliminatórias da Copa, "após cinco partidas com desempenho, no máximo, razoável". Na mesma linha, o texto da capa de Esporte afirma que o 3 a 1 se deu "depois de cinco atuações que oscilaram entre o sofrível e o razoável". Como "razoável"? Até ontem, essa palavra não existia nos relatos e análises da campanha da seleção, considerada ruim, a pior etc. Se houve algo "razoável" nos jogos anteriores, pode-se acusar a Folha (e os concorrentes da mesma maneira) de catastrofismo. Se não houve, conclui-se que o jornal reescreveu a história em razão do resultado de ontem.
2. Início do box sobre a visita de Ronaldo à seleção (pág. D 2): "Mesmo sofrendo com uma séria contusão no joelho e sendo, talvez, o maior símbolo da péssima atuação do Brasil na final da Copa do Mundo de 98, o atacante" etc. Por que o "talvez"?
EJ
1. A Folha marca um ponto com a reportagem "Fita mostra influência de EJ em fundos" (pág. A6), complementada por outra boa matéria ("Indicados por EJ sofreram investigação", pág. A 7). Nenhuma das duas faz o caso mudar de patamar, mas ambas ajudam a mostrar como Eduardo Jorge operava no (e para o) governo.
2. É ruim que a Folha, ontem o único jornal a destacar o ataque de Ciro Gomes a FHC ("não rouba, mas deixa roubar"), hoje esconda o "outro lado" do governo (ao contrário do que ocorreu com a acusação, não está na capa e não é abre de página; ficou em pequeno texto no pé da A 8).
3. Até certo ponto inevitável, a fragmentação do caso EJ traz o risco de que só os jornalistas entendam o significado de algumas matérias. Um exemplo é a que abre a pág. A 4 ("Tribunal pagava Incal com dinheiro da manutenção"). O texto descreve em detalhes o caminho e a mudança de nome do dinheiro até chegar à empresa, mas não explica ao leitor em que essa revelação altera o que já se sabia sobre os pagamentos feitos à Incal.
4. Por falar em Incal, sei que a Folha já explicou a diferença entre esta e a Ikal, mas leitores não param de me apresentar a dúvida. Talvez fosse o caso de repetir o esclarecimento. Hoje, na pág. A 4, a primeira matéria trata da Incal e a segunda menciona a Ikal entre os multados pela Receita.
5. A Folha não se decide quanto à maneira correta de descrever a fita da "Isto É". Às vezes, trata tudo que diz respeito àquele material como "suposto". Em outras, como na matéria "Depoimento de EJ na PF será na 4ª feira" (pág. A 5), assume que as declarações são mesmo do juiz Nicolau.
Os sem-terra
A Primeira Página destaca que "família de sem-terra assassinado culpa MST". Vai na mesma linha o título que abre a pág. A 12, baseado no que disse uma irmã de José Marlúcio da Silva. Três parágrafos adiante, a mulher de Silva nega a acusação, mas isso não consta do sobretítulo nem da chamada de capa. Por algum motivo, o jornal decidiu que declaração de irmã vale mais que da mulher do morto.
Leia
críticas anteriores:
26/07/2000
25/07/2000
21/07/2000
20/07/2000
19/07/2000
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