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Crítica diária
São Paulo, 28 de julho de 2000

RENATA LO PRETE

EJ
Observações sobre o noticiário da pág. A 5, aberto com a reportagem "Ministro nega haver possibilidade de renúncia de FHC" e complementado pela retranca "Porta-voz não responde a jornalistas":

1. O primeiro texto lembra que "o deputado democrata por Nova York Gary Ackerman questionou o Congresso norte-americano sobre a possibilidade de renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso". A descrição não bate com a que li ontem nas matérias de Folha e "Gazeta Mercantil". Segundo elas, o deputado questionou uma representante do Departamento de Estado que estava no Congresso. Presente, o embaixador Rubens Barbosa também foi alvo de perguntas.

2. De acordo com a sub, o porta-voz do Planalto se recusou a responder às perguntas da entrevista diária enviadas ao presidente. O leitor tem curiosidade em saber quais eram as perguntas, nas quais o porta-voz viu "impertinência e impropriedade", mas o texto não esclarece.

3. Quase metade do texto da sub redunda com informações do abre.

Remédios
Três dias de noticiário sobre o acordo dos remédios levam a concluir que:
a) a Folha fez o certo ao tomar com reserva a versão de que o acerto entre governo e indústria vai mesmo segurar os preços, o que parece mais improvável a cada declaração de representante de laboratório;
b) o anúncio não significou muito além de uma tentativa de desviar a atenção do caso EJ. Qualquer morte De novo a seção "Mortes" (pág. C 4) destaca personagem situado a anos-luz de distância do leitor da Folha. Desta vez é o arcebispo alemão Johannes Dyba. Para completar, morto há quase uma semana.

Qualquer frase
Não raro, o recurso gráfico de destacar frases na página é usado de maneira impensada, desperdiçando com obviedades espaço privilegiado. Declaração do novo treinador do Palmeiras escolhida para ilustrar a D 2: "Felipão marcou o Palmeiras, mas ele não é mais o técnico do time". Não diga.

Sintonia fina
Título que abre a pág. D 4: "Redenção mantém intacta soberba de Luxemburgo". É questão de tom, mas tendo a achar que o enunciado invade a fronteira do juízo de valor.

Lugar-comum
É primário o texto que abre a página de televisão ("People + Arts lembra Jacqueline Kennedy", E 8). Só faria sentido destacar o assunto se fosse para dizer, ainda que em linhas gerais, o que o programa mostra. Não há NADA a esse respeito. O jornal se limita a despejar sobre o leitor as informações mais surradas sobre JKO.

Pesos e medidas
Já perguntei uma vez, mas não me lembro de ter obtido resposta: por que as resenhas de restaurantes do Guia não trazem a avaliação da casa (ótimo, bom, regular ou ruim), ao contrário das que são publicadas na Ilustrada?

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