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São
Paulo, 31 de julho de 2000
RENATA LO PRETE
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Enfim em 1º
1. Vendido na capa do jornal como destaque da cobertura
da Folha sobre a vitória de Rubens Barrichello, Emerson
Fittipaldi também assina texto (outro, é verdade, mas isso tem
pouca importância) no caderno de esportes do "Estado".
2. Se a repercussão teve Emerson de sobra, o mesmo não
pode ser dito sobre Nelson Piquet. À diferença do "Jornal do
Brasil", que o entrevistou, a Folha registra apenas uma
frase do piloto a respeito do resultado de ontem, escondida
no "Painel F.C." No "Estado", a coluna semanal de Piquet tem
como tema principal o tricampeonato de kart conquistado por
seu filho...
3. Boa a idéia de calcular quantos GPs foram disputados
por Barrichello até sua primeira vitória (contracapa). Não vi
a informação em nenhum outro jornal.
Outras palavras
Sublide da reportagem "Mãe de Caetano vira conselheira política"
(pág. A 10): "Com 60 mil habitantes, localizada no recôncavo
baiano, ela é considerada mais influente até do que seus dois
filhos ilustres, Caetano Veloso e Maria Bethânia". A construção
da frase é absurda. "Ela", no caso, é dona Canô, e não Santo
Amaro da Purificação.
Detalhe de texto: OK chamar a personagem de "matriarca", mas
não era preciso repetir a palavra SETE vezes na reportagem.
Velhinho
1. Manchete do Folhainvest: "Salve seu velhinho da
penúria do INSS". Não é nenhum exagero politicamente correto
observar que "velhinho" não é termo adequado para o noticiário
da Folha.
2. Trecho da reportagem de capa: "O cálculo feito pelas
seguradoras segue a lógica de que, quanto mais velha é uma pessoa,
maior é sua expectativa de vida". Basta seguir no texto para
perceber que não é exatamente isso o que diz o representante
da seguradora, e sim que, se uma pessoa ultrapassa a fase em
que determinadas doenças costumam ocorrer, ela tem uma chance
maior de viver além da média.
3. Outro trecho: "A tabela de expectativa de vida do
IBGE mostra que uma pessoa de 80 anos pode viver mais 6 anos,
ou seja, até os 86". A pessoa pode viver até muito mais do que
isso. O que se quis dizer é que ela vive, EM MÉDIA, mais seis
anos.
Caminho das armas
1. "Arma legal passa para o crime após 4 anos", afirma o
título principal da pág. C 4. Segundo o texto, "é o que aconteceu
com cinco pistolas pesquisadas pela Folha a partir de
ocorrências de assaltos, sequestros e tráfico de drogas em São
Paulo". A pauta é interessante, mas o número do enunciado não
tem consistência. Pode ser mais, pode ser menos. Não dá para
calcular com base em universo tão restrito.
2. No mapa que acompanha a reportagem, Maringá (PR) aparece
dentro de Santa Catarina.
Acabamento
Saiu sem crédito a foto da capa de Turismo, que mostra dunas
e lagos em Lençóis, no Maranhão.
Edição de domingo, 30 de julho
Seminarista perseguido
Na reportagem "Soropositivo diz que bispo o discriminou" (pág.
A 16), a Folha conta a história de um maranhense de 30
anos que afirma ter sido mandado embora do seminário por ser
portador do vírus da Aids. O jornal registra o "outro lado"
do bispo que tomou a decisão ("não foi apenas por causa do HIV";
"o afastamento se deu em um contexto muito mais amplo e complexo"),
mas não parece lhe dar muito crédito ("d. Fernando, entretanto,
não revela as outras razões").
Apenas nos parágrafos finais o texto informa que o rapaz assume
ter vivido "incontáveis aventuras amorosas" em seu período de
seminarista, durante o qual "saiu com prostitutas e perambulou
pelo universo gay". Ele diz: "Vejo o sexo como fonte de prazer.
Enquanto frequentava o seminário, continuei transando parque
não firmara o voto de castidade. Mas, depois de ordenado, tentaria
respeitar o celibato".
Se alguma dessas declarações tivesse obtido mais destaque no
texto, ou ido para a chamada de capa, o leitor tenderia a achar
as razões do bispo menos incompreensíveis. Mas, se isso tivesse
sido feito, ficaria mais evidente a fragilidade da história
de perseguição apresentada pelo jornal.
Independentemente do que padres façam em privado, e de haver
ou não veto informal a religiosos soropositivos, não é de estranhar
que o perfil de José Maria tenha sido considerado inadequado
por seus superiores na Igreja Católica. Podemos gostar ou não
das regras desta, mas a questão é outra. Ressalvo que:
a) o assunto é interessante e oportuno;
b) a reportagem está muito bem escrita.
Não obstante, o resultado resvala no sensacionalismo.
Sem polêmica
Segundo o lide da reportagem "Brasil pretende exportar à mexicana",
na capa de Dinheiro, o país "começou a copiar uma polêmica
mas bem-sucedida novela mexicana: a das maquiladoras".
O problema da reportagem, feita por enviado especial a uma das
futuras zonas de empresas maquiladoras, em Varginha (MG), é
só dar conta do "bem-sucedida", registrando uma série de previsões
otimistas. Da "polêmica" o texto não traz nada, nem mesmo uma
explicação de por que ela existe.
Pesos e medidas
Parece exagerado dedicar capa e mais quatro cabeças de página
à constatação de que o malufista Arnaldo Faria de Sá, secretário
de Governo, está mandando e desmandando na administração terminal
de Celso Pitta. A esta altura, quem se importa? A reportagem
de Cotidiano tem seu interesse, mas as informações poderiam
ter sido apresentadas em metade do espaço.
Básico
A reportagem de turismo da Revista da Folha ("Safári
pantaneiro") não informa preço, mesmo que aproximado, da viagem
recomendada ao leitor.
Edição de sábado, 29 de julho
Pouco caso Síndrome de pescoção: a concentração de esforços
na produção do jornal de domingo talvez ajude a explicar por
que a edição de sábado esteve tão aquém da gravidade do acidente
de trem em Perus. A notícia sem dúvida merecia mais do que chamada
em um módulo na Primeira Página e capa "americana" em Cotidiano,
sem sequência interna. Duas coisas:
a) essa configuração foi mantida nos exemplares com relógio
de 2h de sábado, o que me leva a concluir que não houve muita
atualização do noticiário ao longo da noite de sexta;
b) o acidente não aconteceu tão tarde assim. No "Jornal
das 10" da Globonews havia tanta informação quanto na capa de
Cotidiano no dia seguinte, se é que não havia mais.
Leia críticas anteriores:
28/07/2000
27/07/2000
26/07/2000
25/07/2000
21/07/2000
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