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São
Paulo, 4 de agosto de 2000
RENATA LO PRETE
EJ
Tem vários méritos a cobertura da Folha sobre o depoimento de Eduardo Jorge no Senado. Até onde pude conferir, o jornal é o único a destacar que o reconhecimento de um encontro com Nicolau para tratar de verbas para a obra do TRT contraria as declarações anteriores de EJ sobre suas relações com o ex-juiz. Também merece elogio a preocupação de expor, em matérias específicas, evidências que contrariam afirmações do ex-secretário da Presidência (tais como "nunca fiz lobby" ou a de que seria "completa fantasia" falar em influência dele sobre os fundos de pensão). Como é típico da Folha nesse tipo de evento, a edição é enorme (oito cabeças, mais de sete páginas). Longe de mim diminuir a importância do caso, mas quem lê tudo percebe que há MUITA redundância entre os textos. Como em oportunidades anteriores, tenho a impressão de que seria possível oferecer as mesmas informações (ou mesmo informar melhor) de maneira mais enxuta. Observações pontuais:
1. Parte considerável do texto da manchete é ocupada por declarações de Eduardo Jorge que aparecem também no quadro "Prncipais pontos do depoimento", editado no alto da Primeira Página. Ainda que alguma redundância fosse inevitável, o espaço poderia ter sido mais bem aproveitado.
2. Há alguns lapsos no quadro que procura resumir o depoimento, na pág. A 6. Segundo o item "Nicolau", EJ reafirmou que os contatos com o ex-presidente do TRT tratavam da nomeação de classistas. O texto omite a contradição percebida pela Folha. O item "Patrimônio" relata que ele chamou de "burrice" a compra do apartamento em São Conrado, mas não diz que EJ também procurou contestar que o imóvel valha R$ 1 milhão.
3. No exemplar que recebi em casa, com relógio de 0h, reportagem na pág. A 6 informa que, "até a conclusão desta edição, o depoimento não havia terminado". Como registra a mesma matéria alguns parágrafos acima, o depoimento acabou pouco depois das 22h. Imagino que o trecho tenha sobrado da edição Nacional.
4. Uma das reportagens que descrevem o depoimento, na pág. A 7, diz que o atual presidente do TRT-SP e o empresário Fábio Monteiro de Barros negam ter participado, juntos, de um determinado encontro com EJ, mencionado por este ontem no Senado. O texto remete o leitor para a pág. A 5, onde estaria o desmentido. OK quanto presidente do TRT, mas não há uma só palavra de Monteiro de Barros na matéria indicada.
5. Nota para a série "não diga". A Folha procurou um psiquiatra (pág. A 10) para dizer ao leitor que "tique é um movimento involuntário anormal" (referência às esticadas de pescoço de EJ durante o depoimento), que "isoladamente não tem valor como sintoma" e que "durante situações de ansiedade e estresse a frequência com que os tiques se repetem aumenta".
6. A reportagem "Governo comemora 'vitória' em comissão" (pág. A 11) menciona, de passagem, um encontro pré-depoimento entre oposição e procuradores, fechado aos governistas. "Estado" (pág. A6) e "Globo" (pág. 4) têm matéria sobre a reunião, da qual, segundo Eduardo Suplicy, os parlamentares saíram sem nada de novo nas mãos.
7. Mais interessante, o "Globo" (pág. 4) traz também matéria que mostra a participação do governo na composição do papelório que EJ levou ao Senado, ajuda que o depoente negou ter existido.
8. Parece excessivo destinar duas reportagens, em cadernos diferentes (abre da pág. A 13 e capa de Cotidiano), à operação policial realizada ontem em vários Estados para apreender drogas, armas ilegais etc. Entendo que a idéia foi destacar, no primeiro caderno, a intenção do governo de desviar atenção do depoimento de EJ, mas quem lê os textos percebe que o material ficou visivelmente esticado. Não vejo necessidade de explicar ao leitor, por exemplo, que a intenção era gerar um fato positivo "a fim de tentar minimizar o efeito de um negativo". A fim do que mais poderia ser?
Leia críticas anteriores:
03/08/2000
02/08/2000
01/08/2000
31/07/2000
28/07/2000
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