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São
Paulo, 8 de agosto de 2000
RENATA LO PRETE
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EJ
O assunto da hora é o Ministério Público.
Duas coisas para levar em conta:
1. Está em curso uma campanha para lançar descrédito sobre os procuradores do MP, em especial os que vêm se destacando na investigação do caso Eduardo Jorge (Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb). Respeitada a liberdade de opinião de seus colunistas, a Folha, até o momento, não participa desta campanha, o que é bom.
2. Também está em curso um tiroteio dentro do Ministério Público. No mais notável dos enfrentamentos entre grupos rivais, a sub-procuradora-geral Delza Curvello Rocha acusa Luiz Francisco de Souza de adulterar documentos na tentativa de envolvê-la no caso do desvio de verbas do TRT. Não há nada disso na Folha, o que é ruim.
A constatação do item 1 não elimina a necessidade de apurar a acusação do item 2, tanto quanto uma reportagem sobre o item 2 não deveria ser contaminada pela campanha do item 1, como acontece no "Estado" hoje. Mas, descontada toda a editorialização do noticiário do concorrente local, a ausência de "outro lado" decente etc., ainda assim existe ali material sobre o qual a Folha tem a obrigação de se debruçar. A Redação dirá que a acusação de Delza é conhecida. Que já foi registrada pela Folha e que, na semana passada, ganhou uma página no "JB" ("Crise chega ao Ministério Público"). Certo. Há, no entanto, elementos novos. Trata-se de discussão que envolve a imprensa (caso da reportagem do "Correio Braziliense" de 14 de abril, relatado na pág. A 6 do concorrente, e do e-mail de Souza reproduzido no mesmo local). Não pode ser omitida do leitor.
Há muito tempo não se via, entre Folha e "Estado", contraste tão nítido quanto neste momento. Direta e indiretamente, o concorrente já atacou o noticiário da Folha sobre EJ mais de uma vez em seus editoriais, na mais recente delas tomando emprestadas as palavras de Luís Nassif. Em meio ao clima geral de abafa, a Folha tem condições de se diferenciar com uma cobertura corajosa e independente, que fique longe da campanha mas também não caia no conto de uma dobradinha camarada com o MP. Por falar em contraste, vale conferir a coluna de Luís Fernando Veríssimo ao lado de duas páginas de malhação dos procuradores no "Estado":
"Começou o esperado processo de desmoralização dos procuradores independentes da República, a pior idéia a surgir no Brasil nos últimos anos, para os corruptos. Como a lei que ia amordaçá-la não passou, procura-se agora ridicularizá-los e conter seus 'excessos'. No fim, o desejo de que os procuradores sigam o exemplo do procurador-geral 'Gaveta' Brindeiro e sejam mais comedidos é uma defesa ciumenta de prerrogativas. Só o descaramento e a corrupção podem ser excessivos no Brasil".
Leia críticas anteriores:
07/08/2000
04/08/2000
03/08/2000
02/08/2000
01/08/2000
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