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São
Paulo, 11 de agosto de 2000
RENATA LO PRETE
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EJ
1. O norte da edição da Folha sobre o depoimento
dos procuradores no Senado me parece correto ("apontam contradições
no depoimento de Eduardo Jorge", "pedem apoio para obter mais
informações do Banco Central" etc.). No entanto, o jornal subestima
a participação de Luiz Francisco de Souza na sessão de ontem
e, especialmente, seu momento de autocrítica diante da subcomissão
("volta e meia os procuradores fazem trabalhos açodados, falam
demais, com certeza a gente reconhece"), que sem dúvida ajudou
a desarmar os governistas presentes. A matéria sobre Souza,
cujo título ("Para procurador, investigação engatinha") não
destaca o mais importante, foi relegada ao pé da última página
da cobertura (A 8). Suas declarações não constam da chamada
de capa.
2. Com base no que já foi publicado desde a ida de Eduardo
Jorge ao Senado, seria oportuno produzir um quadro comparando
as declarações do ex-secretário com as informações que apontam
buracos em seu depoimento, desde a questão do número de juízes
nomeados a partir da dobradinha EJ-Nicolau até a variação de
patrimônio revelada ontem pela Folha.
3. Detalhe de texto. Segundo reportagem na pág. A 4,
"a garantia de que a subcomissão do Senado vai apoiar o Ministério
Público na busca de mais informações sobre a quebra do sigilo
bancário foi dada pelo relator, José Jorge". "Garantia" não
é palavra que se use em situação como essa.
Eleiçõesbr
1. "Maluf investiu menos na Polícia Militar durante sua
gestão como governador", afirma a manchete do Folha Eleições.
Em nome da isenção e do equilíbrio, a reportagem deveria ter:
a) comparado as taxas de criminalidade de então e de
hoje;
b) lembrado que o dinheiro gasto por Covas até agora
não impediu o fracasso de sua política de segurança, constatação
que já foi manchete da Folha.
É ruim que essas ressalvas apareçam apenas no "outro lado",
na boca de Maluf. Por falar em "outro lado", o título deste
("Pepebista admite ter feito menos do que seus sucessores")
é pura distorção. Quem lê o texto constata que Maluf não admite
coisa nenhuma. O que ele faz é bater na tecla de que mais carros,
revólveres e algemas não significam, necessariamente, mais segurança,
apontando o exemplo de Covas. A Redação dirá que, como Maluf
não contestou os números apresentados, dá para dizer que ele
etc. Mas para que serve um "outro lado" cujo título, em vez
de dar voz ao atingido, adapta seu discurso à conclusão da reportagem?
2. Não há lógica em editar a matéria "Em MG, maioria
dos prefeitos tenta reeleição" como box da reportagem "Mulheres
são maioria no eleitorado" (pág. A 16).
Leia críticas anteriores:
09/08/2000
08/08/2000
07/08/2000
04/08/2000
03/08/2000
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