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Crítica diária
São Paulo, 14 de agosto de 2000

RENATA LO PRETE

O fim-de-semana começou com um assunto em alta (controle de preços), mas hoje cada jornal atira para um lado, sem nada de muito impacto. A Folha tem, nas duas edições, manchete local (pagamento recorde de subsídios a empresas de ônibus). O "Estado" abre com um "pacote para evitar novos desvios de verba". O "JB", com a "lei para enquadrar o Ministério Público". No "Globo", "Congresso, governo e STJ atacam excesso de liminares".

Subsídio do ônibus
Observações sobre a reportagem "Ônibus recebem subsídio recorde em SP", capa de Cotidiano e manchete do jornal:

1. O texto explica que, há quatro meses, "a prefeitura parou, temporariamente, de pagar subsídios às empresas", e que o gasto recorde mencionado no título diz respeito a pagamentos atrasados que vêm sendo liberados. Não é esclarecido quanto a prefeitura ainda tem de pagar em atrasados, nem qual é a duração do "temporariamente".
2. A retranca principal não lembra quando o subsídio às empresas de ônibus foi introduzido pela administração municipal. O leitor tem de ir ao secretário de Comunicação da prefeitura, no "outro lado", para descobrir que foi na gestão de Luiza Erundina.
3. Segundo a reportagem, "o risco de o usuário ser assaltado ao pegar ônibus vem caindo nos últimos três anos". Não é o que mostra o quadro logo baixo. Ali há crescimento de 97 para 98, estabilidade de 98 para 99 e uma certa queda de 99 para 00, mas ainda estamos em agosto. O que vale: o texto ou a arte?

Outras palavras
O "Painel" chama Vicente Fox de "novo presidente do México". Ele é presidente eleito. Mundo informa (pág. A 11) que a posse é em 1º de dezembro.

EJ

1. Um dos itens do quadro "Pontos do depoimento de EJ que são contestados" (pág. A 4) trata da defesa da Incal: o ex-secretário-geral negou que seus irmãos advogados tivessem atuado no caso, informação questionada pela procuradora Isabel Groba. O item está incompleto. Segundo a Folha publicou no sábado, pelo menos um dos irmãos de EJ reconheceu ter trabalhado para a Incal.
2. Na semana passada, ao relatar o caso Delza Curvello x Luiz Francisco de Souza, a Folha publicou foto apenas deste último. Hoje o jornal dedica uma página às divergências dentro do Ministério Público (A 6). Há pingue-pongues com Luiz Francisco e com Washington Bolívar Jr., aliado de Delza Curvello. De novo, foto só de Luiz Francisco.
3. O quadro "Entenda as acusações na procuradoria", na mesma página, fica longe de cumprir o que promete. Não é explicado que argumento Washington e Delza apresentam para ter votado, em 1998, contra a recomendação de sustar recursos à obra do TRT. Nem se esclarece por que razão Luiz Francisco teria, na versão de Delza, modificado a capa do processo interno contra ela.

Edição de domingo, 13 de agosto

Eleições
"Marta abre 20 pontos de vantagem". Não será surpresa se a manchete da Folha de ontem for destaque do programa da candidata do PT na estréia do horário eleitoral gratuito, amanhã. É a realidade, dirá a Redação. Sem dúvida. Mas, com a campanha entrando em sua fase decisiva, acho que o jornal deve pensar bem antes de publicar um título como esse, seja qual for o sujeito da frase.
Se o enunciado da capa dá margem a reflexão, o interno ("Marta atinge 36% e consolida liderança", pág. A 13) me parece simplesmente equivocado. Por que "consolida liderança"? Ainda que ela lidere a campanha "all the way", não há base para falar em liderança consolidada, especialmente com a TV pela frente. Mais de uma vez ouvi dos técnicos do Datafolha que não se deve usar essa expressão.

Outro lado
O presidente da CEF procura a ombudsman para indagar por que a instituição não foi ouvida na reportagem "Agência de filha de Bornhausen obteve a conta da Caixa Seguros" (pág. A 6). Passo a pergunta à Redação. A mim parece justa a reivindicação de "outro lado", dadas as informações contidas no texto.

O pior título
Manchete das páginas centrais do TV Folha: "Troféu Santa Clara flagra a difusão do ruim". O enunciado merece um troféu Santa Clara. Detalhe de texto: o sobretítulo informa que, "entre tantas alternativas, não houve unanimidade na escolha dos jurados". Alternativas nunca são "tantas". São duas. Nem sempre a palavra cabe como sinônimo de "opção".

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