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Crítica diária
São Paulo, 16 de agosto de 2000

RENATA LO PRETE

A eleição
O retrospecto da primeira semana do Folha Eleições dentro do caderno Brasil não entusiasma. No período, ocuparam a manchete uma ou outra pesquisa, reportagens especiais de pouco impacto (ou com problemas, como a dos gastos de Maluf com segurança) e muita, muita agenda.
A edição de hoje é exemplo acabado do terceiro caso. Tome-se a página A 8. Do título principal ("Eleição começa a ser decidida hoje em série de 38 programas de TV até setembro") às legendas das fotos de Marta, Maluf e Erundina, passando pelos textos dedicados a cada um dos três, não existe ali uma única informação (ou mesmo declaração) que surpreenda. São coisas sabidas e/ou sem a menor importância.
As frases dos candidatos editadas em quadro são tão irrelevantes que parecem estar ali exclusivamente para preencher o desenho da página (o mesmo vale para boa parte das frases de candidatos a vereador destacadas na A 9).
Há muita redundância. A informação de que o programa do PT pretende dar prioridade ao tema corrupção aparece uma vez na vez na página A 8 e duas na seguinte. O mesmo se dá com a constatação de que o medo da violência será a tônica do programa do PPB.
Sem dúvida é importante cobrir televisão, mas ninguém precisa do jornal para saber que "no primeiro dia, os candidatos deram mostras da linha que seguirão no horário eleitoral" (pág. A 9), ou que este "é considerado a única esperança de viabilizar as candidaturas de Geraldo Alckmin e Romeu Tuma" (pág. A 10).
A Redação dirá que eleição é assim mesmo, que a fase decisiva começa agora etc. Mas, se a Folha decidiu colocar o bloco na rua, imagina-se que tenha algo mais a oferecer. Por enquanto, o diferencial visível de sua cobertura é o fato de ser grande.
Só mais uma observação. É importante zelar para que as reportagens dispensem tratamento semelhante aos candidatos. Na página A 8 há contraste evidente entre o texto sobre Maluf, em que o discurso dele é questionado por informações de apoio, e as matérias sobre Marta e Erundina, um "passeio" de declarações das duas candidatas.

O submarino
1.
Título da chamada na Folha papel: "Falham 2 tentativas de salvar tripulantes de submarino russo". Título da chamada na versão eletrônica: "Falha 2 tentativas" etc. É de doer. O jornal tem de encontrar um meio de tornar mais segura a transposição de seu conteúdo para a Internet.
2. Impossível saber até que ponto são confiáveis as informações divulgadas pela Marinha russa, praticamente a única fonte do noticiário sobre o submarino nuclear Kursk. A própria data do acidente já foi mudada (teria ocorrido no sábado, e não no domingo, como foi divulgado a princípio). Por essa razão convém tomar com reserva mesmo coisas que fazem sentido, como atribuir ao mau tempo o insucesso da operação de resgate conduzida ontem (sublide da reportagem principal de Mundo, na pág. A 13).
3. Lide de outro texto na mesma página: "Se depender do histórico de acidentes com submarinos russos, os 116 marinheiros presos no interior do Kursk têm poucos motivos para otimismo". Que "histórico de acidentes", se a matéria fala apenas de um, ocorrido em 1989? Para piorar, quem lê até o fim constata que, exceto pela proximidade geográfica, há pouco em comum entre o acidente de agora e o ocorrido com o Komsomolets. Sejam quais forem as chances da tripulação do Kursk, a associação feita no lide não pára em pé.

Certeza ou possibilidade?
Título ("Com ataque no 0, Romário retorna") e lide ("o atacante vascaíno vai ser a novidade") na pág. D 2 dão como certa a volta de Romário à seleção brasileira para a partida contra a Bolívia , em 3 de setembro. Adiante, no entanto, a reportagem informa que "a única preocupação de Luxemburgo (...) é o estado físico do jogador. O técnico só vai convocá-lo se Romário estiver em forma, o que não ocorre atualmente". E então, o que vale?





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